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Início Cidades

Com 21 ilhas de origem vulcânica, esse paraíso recebe golfinhos em 95% dos dias do ano e atrai estrangeiros por parecer de outro planeta

Por Maura Pereira
27/02/2026
Em Cidades, Turismo
Com 21 ilhas de origem vulcânica, esse paraíso recebe golfinhos em 95% dos dias do ano e atrai estrangeiros por parecer de outro planeta

O navegador Américo Vespúcio chegou ao arquipélago em 1503 e o descreveu como um lugar de "infinitas águas e infinitas árvores". / Imagem ilustrativa

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A 540 km do Recife, um arquipélago de origem vulcânica guarda o único ponto de concentração de golfinhos rotadores em todo o Oceano Atlântico. Fernando de Noronha reúne 21 ilhas em apenas 26 km², com águas tão transparentes que a visibilidade submersa ultrapassa 40 metros em dias bons.

De presídio político a Patrimônio Natural da Humanidade

O navegador Américo Vespúcio chegou ao arquipélago em 1503 e o descreveu como um lugar de “infinitas águas e infinitas árvores”. Em 1504, a ilha foi doada a Fernão de Loronha, tornando-se a primeira capitania hereditária do Brasil, mas nunca ocupada pelo donatário. Ao longo dos séculos, o arquipélago serviu como sistema de defesa militar, presídio político e base de guerra na Segunda Guerra Mundial.

A virada veio em 1988, quando 70% do território foi declarado Parque Nacional Marinho. Em 2001, a UNESCO reconheceu Noronha como Patrimônio Natural da Humanidade, citando a importância do arquipélago para a reprodução de tartarugas, tubarões e mamíferos marinhos.

Com 21 ilhas de origem vulcânica, esse paraíso recebe golfinhos em 95% dos dias do ano e atrai estrangeiros por parecer de outro planeta
Conheça Fernando de Noronha, paraíso brasileiro com praias exuberantes e natureza preservada. // Créditos: depositphotos.com / KcrisRamos

Quais praias visitar no arquipélago pernambucano?

A ilha principal tem dois lados distintos: o Mar de Dentro, voltado para o Brasil, com águas calmas entre abril e outubro, e o Mar de Fora, voltado para a África, com ondas mais fortes. A maioria das praias do Parque Nacional exige ingresso, vendido no Centro de Visitantes do Boldró.

  • Baía do Sancho: acessível por escadaria entre fendas rochosas, é considerada uma das praias mais bonitas do país. Ideal para mergulho livre.
  • Baía dos Porcos: pequena faixa de areia com vista para o Morro Dois Irmãos, acessível pelo canto esquerdo da Cacimba do Padre.
  • Praia do Leão: principal ponto de desova da tartaruga-verde entre dezembro e maio, com bancadas de recife visíveis na maré baixa.
  • Praia do Atalaia: piscinas naturais com acesso controlado por trilha guiada e limite diário de visitantes.
  • Praia da Cacimba do Padre: faixa extensa, procurada por surfistas entre dezembro e janeiro, quando as ondas ficam mais consistentes.

Realize o sonho de visitar um dos santuários marinhos mais preservados do mundo, com águas turquesas e vida selvagem exuberante. O vídeo é do canal Mentes Flutuantes, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta Fernando de Noronha em 4 dias, visitando a Baía do Sancho, o Morro dos Dois Irmãos e mergulhando com tubarões e tartarugas:

Os golfinhos que giram sete vezes no ar

Fernando de Noronha é o lugar no mundo com maior probabilidade de se observar golfinhos rotadores em grandes grupos. Esses cetáceos realizam saltos com até sete rotações em torno do próprio eixo e frequentam a Baía dos Golfinhos para descanso e reprodução. Grupos de até 2.046 indivíduos foram registrados pelo Projeto Golfinho Rotador, que monitora a espécie desde 1990.

O banho na baía é proibido, mas o Mirante dos Golfinhos, a 55 metros acima do nível do mar, oferece observação gratuita com binóculos dos pesquisadores. O melhor horário é entre 5h30 e 8h, quando os grupos chegam do alto-mar.

Com 21 ilhas de origem vulcânica, esse paraíso recebe golfinhos em 95% dos dias do ano e atrai estrangeiros por parecer de outro planeta
Recife combina praias, história e inovação, sendo um dos polos tecnológicos do Nordeste. // Créditos: depositphotos.com / gustavofrazao

O que comer entre uma praia e outra em Noronha?

A gastronomia da ilha gira em torno de frutos do mar frescos e temperos nordestinos. Os ingredientes que não são pescados chegam do continente por navio ou avião, o que eleva os preços.

  • Peixe na folha de bananeira: assado lentamente, presente em quase todos os restaurantes. Pargo e cavala são as opções mais comuns.
  • Bolinho de tubalhau: versão local do bolinho de bacalhau, feita com carne de tubarão salgada, servida no Museu dos Tubarões.
  • Tapioca recheada: doce ou salgada, vendida em cafés e bares da Vila dos Remédios e da Floresta Nova.

Leia também: Com estilo europeu, uma cidade fundada em 1860 lidera o mercado têxtil e se destaca pelos altos índices de bem-estar e qualidade de vida.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

A temperatura da água varia pouco ao longo do ano, entre 26°C e 28°C. O ar fica entre 25°C e 30°C quase sempre. As chuvas se concentram no primeiro semestre.

VERÃO
DEZ – FEV
26-30°C
Chuva média. Época do surfe e praias do Mar de Dentro.
OUTONO
MAR – MAI
26-29°C
Chuva alta. Ótimo para mergulho e tartarugas.
INVERNO
JUN – AGO
25-28°C
Chuva média. Trilhas e mar calmo no Mar de Dentro.
PRIMAVERA
SET – NOV
26-29°C
Chuva baixa. Melhor visibilidade para mergulho.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A capital brasileira que encanta com águas mornas e piscinas naturais
Recife é referência em desenvolvimento urbano, cultura vibrante e potencial econômico. // Créditos: depositphotos.com / mbastos

Como chegar ao arquipélago saindo do continente?

Voos diretos partem do Recife (1h10) e de Natal (1h). Operadoras como Azul e Gol fazem a rota. Ao desembarcar, o visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), proporcional ao número de dias na ilha. O ingresso do Parque Nacional Marinho é cobrado à parte e vale por dez dias consecutivos. Informações atualizadas estão no portal oficial do arquipélago.

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Noronha cobra taxas, limita visitantes e controla trilhas. Em troca, entrega um ecossistema marinho raro, praias sem barracas e o privilégio de dividir o mar com golfinhos que giram no ar antes de mergulhar de volta ao azul.

Você precisa acordar antes do sol, subir ao mirante e esperar os rotadores chegarem do alto-mar para entender por que este arquipélago no meio do Atlântico é, desde 1503, descrito como paraíso.

Tags: Fernando de NoronhaPernambuco
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