A história do vinho em São Roque começa antes de a cidade existir. No século XVII, Pedro Vaz de Barros, fundador do povoado, já investia no plantio de videiras nas encostas da região. Quatro séculos depois, a Terra do Vinho reúne mais de 30 vinícolas, adegas, restaurantes e empórios ao longo de uma estrada de 10 km, a pouco mais de uma hora da capital paulista.
Como um trem transformou vinho em tradição?
A chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1875, mudou o destino de São Roque. Os trilhos levaram os vinhos da cidade ao litoral sul de São Paulo e abriram caminho para que famílias de imigrantes portugueses e italianos, que desembarcaram a partir de 1884, transformassem o cultivo da uva em negócio. Em 1924, a cidade já produzia 10 mil litros de vinho por ano.
A crise do café, em 1929, acelerou a transição. Muitos agricultores trocaram o cafezal pela parreira, e as vinícolas se multiplicaram. Em 1938, a família Góes, de descendência portuguesa, fundou a vinícola que se tornaria uma das mais conhecidas do Brasil. Em 1990, São Roque foi oficialmente transformada em Estância Turística, e o Roteiro do Vinho virou o coração da cidade.

Quais vinícolas visitar no Roteiro do Vinho?
O Roteiro do Vinho é formado por três vias: Estrada do Vinho, Estrada dos Venâncios e Rodovia Quintino de Lima. O passeio é gratuito, feito em carro próprio, e funciona o ano inteiro. Cada vinícola tem personalidade própria.
- Vinícola Góes: produz vinhos e espumantes desde 1938. O complexo enoturístico oferece degustações harmonizadas, passeios pelos vinhedos, tours de bicicleta e piqueniques. O wine bar com deck ao ar livre é um dos pontos mais procurados.
- Quinta do Olivardo: complexo gastronômico com clima de vilarejo português, restaurantes, animais de fazenda e a história do Vinho dos Mortos, tradição trazida de Portugal, onde garrafas eram enterradas para escapar dos saques nas invasões napoleônicas.
- Vila Don Patto: enorme complexo de lazer com adega, restaurantes, sorveteria, cafeteria, playground e um jardim cenográfico com vista para as parreiras. Os vinhedos são cobertos e produzem o ano inteiro.
- Vinícola Canguera: fundada em 1952 ao lado da linha férrea. Hoje na terceira geração da família, possui museu com equipamentos antigos e produz vinhos em ânforas de argila, resgatando o método mais ancestral de vinificação.
- Vinícola Alma Galiza: dentro da Fazenda Bagadá, a mais de mil metros de altitude, cercada por mata atlântica e com vistas dos vales da região. Destaque para o vinho branco licoroso envelhecido em carvalho.
São Roque, em São Paulo, é carinhosamente conhecida como a “Terra do Vinho” e destaca-se como um dos maiores produtores de alcachofra do Brasil. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 310 mil inscritos, e apresenta um guia completo sobre a cidade, situada a apenas uma hora da capital paulista:
O que fazer além das vinícolas?
São Roque não vive só de uva. A cidade combina natureza preservada, arquitetura histórica e uma surpresa agrícola: a alcachofra, que ganhou festival próprio e divide espaço com as parreiras em consórcios de cultivo.
- Parque Natural Municipal Mata da Câmara: 130 hectares de mata atlântica com 4.800 metros de trilhas sinalizadas. Integra o Cinturão Verde da UNESCO, reconhecido como Reserva da Biosfera desde 1994. Ideal para caminhadas ecológicas e observação de aves.
- Igreja Matriz de São Roque: a maior igreja dedicada ao santo no Brasil, com pinturas no teto e vitrais em estilo mosaico.
- Centro Cultural Brasital: instalado em uma das primeiras indústrias têxteis do estado, construída em 1890 pelo comendador italiano Enrico Dell’Acqua.
- Morro do Saboó: ponto mais alto da cidade, a cerca de mil metros de altitude. Trilha de nível médio com vista panorâmica de toda a região.

O que comer na Terra do Vinho?
A gastronomia de São Roque mistura herança portuguesa e italiana com ingredientes locais. A alcachofra é protagonista em diversos pratos e tem festival dedicado.
- Alcachofra recheada e grelhada: presente nos cardápios de vinícolas e restaurantes do roteiro, especialmente entre setembro e novembro, quando as flores estão no auge.
- Almoços harmonizados: restaurantes dentro das vinícolas servem pratos da culinária portuguesa e italiana acompanhados de rótulos locais.
- Vinho de jabuticaba: produzido por algumas adegas da região, surpreende quem espera encontrar apenas uvas.
- Empórios artesanais: biscoitos, doce de leite, geleias e chocolates vendem bem como lembrança.
Quando ir a São Roque?
Cada estação oferece um motivo diferente para visitar. A vindima (colheita da uva) acontece entre janeiro e fevereiro. No outono, os plátanos pintam a cidade de cobre. O inverno é a alta temporada das degustações.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Terra do Vinho?
São Roque fica a 60 km de São Paulo pela Rodovia Raposo Tavares, cerca de uma hora de carro. Também é possível acessar pela Rodovia Castelo Branco. A proximidade com a capital faz da cidade uma opção natural de bate e volta, mas quem fica um fim de semana inteiro consegue percorrer o roteiro com mais calma e aproveitar os restaurantes à noite.
Vinho, alcachofra e mata atlântica a uma hora de São Paulo
São Roque carrega quatro séculos de viticultura numa estrada de 10 km. As famílias que trouxeram mudas de videira na bagagem continuam produzindo, agora com ânforas de argila e espumantes premiados dividindo espaço com o vinho de mesa que fez a fama da cidade. A mata atlântica que envolve os vinhedos lembra que o interior paulista ainda guarda segredos a poucos quilômetros da capital.
Se você procura um programa que combine taça na mão, almoço demorado e trilha no meio da mata, São Roque é a resposta mais próxima e mais saborosa que São Paulo pode oferecer.










