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Início Curiosidades

Operários da construção civil que realizavam escavações no norte da Inglaterra encontram, por acaso, um canhão de quase 1 tonelada que pode ter mais de 300 anos

Por Daniely Cardoso
17/04/2026
Em Curiosidades
Operários da construção civil que realizavam escavações no norte da Inglaterra encontram, por acaso, um canhão de quase 1 tonelada que pode ter mais de 300 anos

Trabalhadores descobriram um canhão enterrado no centro de Hull, na Inglaterra

Imagine trabalhar em uma obra no centro da cidade e, de repente, a escavadeira parar em algo inesperado: não é pedra, nem entulho, mas um enorme canhão escondido há décadas sob o solo de Hull, no norte da Inglaterra. Foi exatamente isso que aconteceu em Queen’s Gardens, onde operários encontraram um canhão de ferro fundido com cerca de 8,5 pés de comprimento e mais de uma tonelada de peso, enterrado em meio a sedimentos e restos de demolição acumulados ao longo dos anos.

Canhão antigo em Hull ajuda a contar a história marítima da cidade

O artesão que operava a máquina pensou, num primeiro momento, que havia atingido uma bomba da Segunda Guerra Mundial, algo ainda relativamente comum em cidades que sofreram bombardeios. Mas a análise preliminar logo mostrou outra realidade: tratava-se de um canhão possivelmente fabricado entre o final do século XVII e o século XVIII.

O objeto chamou a atenção de arqueólogos e do conselho municipal, que avaliam como preservar e exibir o artefato. O canhão, que esteve enterrado por cerca de 90 a 100 anos, tem o bocal tampado, o que indica que já estava desativado quando foi descartado, provavelmente após longo uso defensivo ligado à proteção do porto ou de embarcações na região.

O canhão, que esteve enterrado por cerca de 90 a 100 anos – Créditos: Foto/Prefeitura de Hull

Leia também: A batalha que mudou o rumo do mundo, o confronto que definiu o destino de impérios

O que já se sabe sobre a origem do canhão antigo em Hull

Especialistas ainda não sabem se o canhão pertenceu a um navio ou se foi usado em terra firme, em baterias costeiras à beira do estuário. A área de Queen’s Gardens funcionou, por muito tempo, como uma das maiores docas do Reino Unido, o que abre várias possibilidades de uso tanto militar quanto comercial.

Para chegar mais perto da resposta, serão feitas análises metalúrgicas, estudo de marcas de fundição e comparação com outros exemplares já catalogados em museus e coleções históricas. Esses detalhes podem revelar não só a origem do canhão, mas também com que frequência ele foi usado e até mesmo se participou de conflitos específicos.

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Como o canhão antigo foi parar enterrado em Queen’s Gardens

Para entender o caminho do canhão até o subsolo de Queen’s Gardens, é preciso lembrar que ali antes havia uma grande doca, movimentada por navios de carga e pesca até meados do século XX. Com a construção de novas áreas portuárias, o local foi sendo desativado e, mais tarde, aterrado com lodo, areia, tijolos, restos de construções e outros materiais.

Um costume comum em cidades portuárias britânicas entre o fim do século XIX e o início do XX era reaproveitar canhões obsoletos como postes de amarração. Muitos desses canhões eram fixados verticalmente ou inclinados para servir de ponto onde os barcos prendiam suas cordas, e em Hull ainda existem exemplos visíveis desse reaproveitamento criativo no mobiliário portuário. Divulgado na redes sociais, confira mais detalhes da descoberta do canhão:

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Hull City Council (@hullcitycouncil)

Quais fases a peça provavelmente atravessou ao longo do tempo

Os pesquisadores acreditam que o canhão recém-encontrado tenha passado por diferentes usos ao longo de sua “vida útil”. Primeiro como arma de defesa, depois como estrutura funcional do cais e, por fim, como material descartado durante o processo de aterramento da antiga doca, possivelmente na década de 1930.

Essa trajetória ajuda a entender como objetos militares pesados, que um dia foram símbolos de poder e proteção, acabavam se tornando peças comuns no dia a dia do porto, até desaparecerem sob camadas de terra.

  • Fase militar: uso defensivo em navios ou baterias costeiras.
  • Fase portuária: reaproveitamento como poste de amarração.
  • Fase de descarte: lançamento na doca durante o processo de aterramento.

Por que o canhão antigo em Hull é importante para a memória local

Esse achado reforça a imagem de Hull como ponto estratégico nas rotas marítimas britânicas, marcada pelo comércio, pela pesca e pela presença de navios de guerra em períodos de conflito. Cada novo objeto encontrado em obras urbanas ajuda a confirmar, corrigir ou ampliar o que se sabe sobre o passado da cidade.

Os pesquisadores acreditam que o canhão recém-encontrado tenha passado por diferentes usos ao longo de sua “vida útil”

Nas mesmas obras em Queen’s Gardens, arqueólogos também localizaram trechos de muralhas medievais do século XIV e um cemitério usado entre o fim do século XVIII e meados do século XIX. Juntos, esses vestígios formam um retrato rico da evolução urbana, das defesas da cidade e até de aspectos da vida cotidiana, como sinais de possíveis lutas corporais observados em alguns esqueletos.

Qual pode ser o futuro do canhão e do sítio arqueológico em Hull

O destino do canhão ainda depende dos laudos técnicos de arqueólogos e conservadores, que analisam seu estado de conservação e o risco de corrosão. A prefeitura estuda opções como restaurá-lo e colocá-lo em um museu, instalá-lo em uma área aberta com proteção adequada ou integrá-lo a um circuito educativo no próprio parque.

O projeto de requalificação de Queen’s Gardens, iniciado em 2023 e com término previsto para a primavera de 2026, busca melhorar acessibilidade, drenagem, biodiversidade e uso para eventos. A descoberta do canhão e de outras estruturas históricas traz um desafio extra: unir infraestrutura moderna, áreas verdes e preservação do patrimônio, transformando o parque em um espaço onde lazer e memória urbana caminham lado a lado.

Tags: Canhão antigoconstrução civilescavações
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