Um estudo recente da Universidade de Warwick, na Inglaterra, levantou importantes questões sobre a relação entre saúde mental e hábitos alimentares e de exercício físico entre os jovens. A pesquisa indica que, apesar de parecerem saudáveis, alguns jovens que controlam rigorosamente sua alimentação e atividade física manifestam maior incidência de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na fase adulta, conforme dados do Millennium Cohort Study, que monitora britânicos desde a infância, com informações coletadas principalmente entre 2018 e 2021.
Relação entre controle de peso e saúde mental em jovens?
O levantamento concluiu que jovens com peso normal, que não seguem dietas restritivas nem praticam exercícios de forma obsessiva para controlar o peso, apresentavam os melhores indicadores de saúde mental aos 20 anos. Em contraste, aqueles que controlavam rigidamente o peso por meio de dietas e exercícios mostraram piores desfechos psicológicos, sugerindo que o excesso de controle pode deixar de ser saudável.
Sob a análise da psicóloga Patrícia Cristina Gomes, comportamentos de controle do peso por meio de dietas e exercícios podem deixar de promover saúde e passar a ser reguladores de ansiedade e autoestima quando motivados por insatisfação corporal e comparação social. Nesses casos, a alimentação e a atividade física tornam-se fontes de pressão e sofrimento, em vez de cuidado consigo mesmo.
Quais são os principais sinais de alerta no controle de peso?
Entre os sinais de que o controle do peso pode estar comprometendo a saúde mental estão a relação de culpa e obrigação com a comida e a atividade física. Jovens que lidam com o peso dessa forma tendem a se sentir insatisfeitos com a própria aparência, consequência da vigilância constante e da autocrítica elevada.
Gomes aponta que, quando a preocupação com o corpo é exacerbada, pode surgir um traço de personalidade denominado neuroticismo, diretamente relacionado à maior tendência de experimentar emoções negativas e preocupação excessiva. Esse padrão aumenta o risco de ansiedade, depressão e desenvolvimento de transtornos alimentares na vida adulta.

Como o estigma de peso afeta a saúde mental?
A pesquisa também destacou o papel do estigma de peso, que afeta a saúde mental independentemente do índice de massa corporal. Muitos jovens com peso considerado normal, mas que se submetem a dietas e exercícios por pressão estética, sentem-se inseguros a respeito de sua aparência e desenvolvem uma relação tensa com o próprio corpo.
Essa pressão e insatisfação são frequentemente alimentadas por comentários, piadas e comparações sociais, inclusive em ambientes escolares e familiares. Como consequência, observam-se níveis mais altos de sintomas depressivos e de ansiedade, além de aumento do isolamento social e da autoestima baixa.
Quais comportamentos indicam relação prejudicial com comida e exercícios?
Alguns comportamentos específicos ajudam a identificar quando o cuidado com alimentação e atividade física deixa de ser saudável. Eles costumam se manifestar no dia a dia como regras rígidas, sensação de obrigação constante e dificuldade de flexibilizar rotinas mesmo em situações especiais.
🧠✨ Comportamentos ligados à relação com o corpo
| Comportamento | Descrição |
|---|---|
| Rigidez alimentar | Restrições rigorosas do que pode ou não ser consumido, levando à culpa após a ingestão de certos alimentos. |
| Obrigação de exercício | Atividade física encarada como punição, e não como prazer ou cuidado com o corpo. |
| Comparação social | Constante comparação da própria aparência com a de outras pessoas, principalmente influenciada por redes sociais. |
💡 Dica: Desenvolver uma relação equilibrada com alimentação, exercício e imagem corporal é fundamental para o bem-estar.
De que forma a aparência influencia as jovens meninas?
A influência da aparência nas jovens meninas é especialmente pronunciada e começa cedo, em casa, na escola e na mídia. Desde pequenas, muitas aprendem que a imagem corporal tem grande importância, um conceito amplificado pelas redes sociais que disseminam ideais de corpos considerados perfeitos e irreais.
Essa expectativa pode levar a distúrbios alimentares e de imagem corporal, como a insatisfação constante com o próprio corpo e tentativas repetidas de emagrecer. Entre os sinais de alerta estão mudanças bruscas no padrão alimentar, comentários desvalorizadores sobre a própria aparência e sensibilidade extrema a críticas e elogios relacionados ao corpo.
Como enfrentar o estigma e promover melhor saúde mental?
Para enfrentar esses desafios, a terapia cognitivo-comportamental pode ser uma aliada em melhorar a autoestima, reestruturar pensamentos distorcidos sobre corpo e peso e desenvolver uma relação mais positiva com a alimentação. Estratégias de psicoeducação também ajudam jovens a reconhecer o impacto das redes sociais e do discurso estético na própria saúde mental.
Envolver as famílias no processo e evitar comentários sobre peso são passos cruciais para mudar o foco da aparência para outros valores pessoais, como habilidades, interesses e caráter. Com suporte adequado e ambientes mais acolhedores, jovens podem desenvolver mecanismos de enfrentamento mais saudáveis, reduzir a autocrítica e melhorar o bem-estar geral.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










