Um mar de dunas brancas se estende por 155 mil hectares no litoral do Maranhão, mas a paisagem engana: aqui chove o suficiente para encher milhares de lagoas de água doce entre janeiro e julho. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é o maior campo de dunas do Brasil e, desde julho de 2024, Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
O deserto que a chuva transforma a cada estação
Apesar da aparência de deserto, a região recebe cerca de 1.600 mm de chuva por ano. Entre janeiro e julho, a água se acumula nos vales entre as dunas e forma lagoas interdunares que podem passar de 36 mil na época de cheias. O lençol freático é tão superficial que, cavando 2 a 3 metros na areia, já se encontra água potável.
Quando a estação seca avança, entre agosto e dezembro, as lagoas começam a encolher. Os peixes da espécie traíra se enterram em camadas úmidas de lama e permanecem adormecidos até as chuvas voltarem. Essa capacidade de sobrevivência torna o ecossistema dos Lençóis um fenômeno único, reconhecido pela UNESCO como “beleza excepcional e fenômeno natural sem equivalente no planeta”.

O que fazer nos 155 mil hectares de dunas e lagoas?
O parque está distribuído pelos municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz. Cada base oferece experiências diferentes, e a entrada é gratuita.
- Circuito da Lagoa Azul: o mais famoso, a partir de Barreirinhas. Acesso em veículo 4×4 até o topo das dunas, com mergulho em lagoas de água cristalina.
- Circuito da Lagoa Bonita: vista panorâmica do campo de dunas. O pôr do sol daqui é considerado o mais bonito do parque.
- Santo Amaro do Maranhão: lagoas maiores, dunas mais altas e menos visitantes. É possível chegar a algumas lagoas a pé, direto da cidade.
- Atins: povoado entre o mar e o parque, com ruas de areia e pousadas de charme. Virou referência de kitesurf no Nordeste.
- Rio Preguiças: passeio de barco que atravessa manguezais, passa pelo farol de Mandacaru (54 m de altura) e termina em Caburé, onde rio e mar se encontram.
- Revoada dos Guarás: ao entardecer, centenas de aves vermelhas voltam aos manguezais do rio Preguiças. O espetáculo acontece melhor entre junho e setembro.
Prepare-se para viver uma experiência cinematográfica nos Lençóis Maranhenses, um dos destinos mais únicos e impactantes do Brasil. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 317 mil inscritos, e detalha o roteiro ideal pelas bases de Barreirinhas, Atins e Santo Amaro, incluindo o inesquecível café da manhã no nascer do sol nas dunas:
O segundo parque nacional mais bonito do mundo
Um estudo da empresa Bounce, citado pelo Ministério do Turismo, classificou os Lençóis Maranhenses como o segundo parque nacional mais bonito do planeta, atrás apenas do Kruger, na África do Sul. O parque obteve nota 4,9 de 5 nas avaliações do Google e acumulou mais de 292 milhões de visualizações no TikTok.
Os Lençóis também integram a Rota das Emoções, roteiro turístico que conecta três unidades de conservação federais: o Parque Nacional de Jericoacoara (Ceará), a APA do Delta do Parnaíba (Piauí) e os Lençóis Maranhenses. O trajeto completo pode levar de 7 a 10 dias e cruza praias, dunas e manguezais de três estados.
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Quando as lagoas estão cheias?
A estação chuvosa vai de janeiro a julho. As lagoas atingem o pico entre junho e agosto. A partir de setembro, começam a baixar. Entre novembro e janeiro, muitas secam completamente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Barreirinhas. Condições podem variar conforme a localização no parque.

Como chegar ao maior campo de dunas do Brasil?
A principal base é Barreirinhas, a 260 km de São Luís pelas rodovias BR-135 e MA-402, cerca de 4 horas de carro. Ônibus partem diariamente do terminal da capital. O aeroporto de referência é o Marechal Cunha Machado, em São Luís, com voos de todo o Brasil. Para quem vem pela Rota das Emoções, o acesso por Paulino Neves fica a 147 km do Aeroporto de Parnaíba (PI).
O lençol branco que a chuva pinta de azul
Os Lençóis Maranhenses são o tipo de paisagem que parece impossível até a gente pisar na areia. Um deserto que chove, um campo de dunas com milhares de piscinas naturais e um ecossistema onde peixes dormem na lama esperando a próxima estação. Nenhuma foto prepara para a escala real do que se vê do topo da primeira duna.
Você precisa tirar os sapatos, subir a areia branca e olhar o horizonte onde dunas e lagoas se repetem até sumir de vista. Esse é o tipo de lugar que muda a forma como a gente enxerga o Brasil.










