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Início Cidades

Única capital fundada por franceses no Brasil, a “Jamaica Brasileira” preserva o maior acervo de azulejos da América Latina

Por Maura Pereira
14/03/2026
Em Cidades, Turismo
Única capital fundada por franceses no Brasil, a "Jamaica Brasileira" preserva o maior acervo de azulejos da América Latina

Viver em São Luís é estar imerso em uma atmosfera musical vibrante, onde o reggae não é apenas um ritmo, mas um estilo de vida que domina as "radiolas" e clubes de dança. / Imagem ilustrativa

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O reflexo do sol nos azulejos portugueses ilumina as ladeiras de pedra enquanto o grave de uma radiola de reggae sobe por entre os casarões coloniais. São Luís, capital do Maranhão, é a única do Brasil fundada por franceses, preserva o maior acervo de azulejos portugueses da América Latina e ainda ostenta o título de Jamaica Brasileira.

Três colonizadores em uma só ilha

Em 8 de setembro de 1612, a expedição de Daniel de La Touche ergueu o Forte de Saint-Louis na ilha de Upaon-Açu, em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, os portugueses retomaram o território. Em 1641, os holandeses de Maurício de Nassau ocuparam a cidade por três anos. Essa sucessão de colonizadores moldou o traçado urbano e a identidade cultural que persiste até hoje.

No século XIX, a riqueza do algodão financiou uma geração de escritores que colocou São Luís no centro da literatura nacional. Nomes como Gonçalves Dias, Aluísio Azevedo e Graça Aranha renderam à cidade o apelido de Atenas Brasileira. O centro histórico, tombado pelo IPHAN em 1974 e pela UNESCO em 1997, reúne cerca de 4 mil imóveis em 220 hectares.

Única capital fundada por franceses no Brasil, a "Jamaica Brasileira" preserva o maior acervo de azulejos da América Latina
O centro histórico de São Luís guarda quatro séculos de arquitetura intacta. Créditos: depositphotos.com / Fotoember

O que visitar na Cidade dos Azulejos?

Os casarões do centro histórico exibem mais de 80 padrões de azulejos catalogados, vindos de Portugal, França e Holanda. A função original era prática: as superfícies vitrificadas refletiam o sol e protegiam as paredes da umidade tropical.

  • Rua Portugal e Rua do Giz: as mais bonitas da área tombada, com sobrados de fachadas azulejadas, bares e cafés que formam o centro da boemia ludovicense.
  • Palácio dos Leões: sede do governo estadual, com decoração original francesa dos séculos XVIII e XIX e vista para a Baía de São Marcos.
  • Teatro Arthur Azevedo: um dos mais antigos do país, símbolo da tradição literária da Atenas Brasileira.
  • Casa do Maranhão: museu gratuito na Praia Grande, com exposições sobre o Bumba Meu Boi e as tradições populares do estado.
  • Beco Catarina Mina: escadaria de 35 degraus com pedras de lioz do século XVII, batizada em homenagem a uma mulher negra da Costa da Mina que conquistou fortuna e libertou escravizados.
  • Museu do Reggae: inaugurado em 2018, é o único do gênero fora da Jamaica.

Encante-se com São Luís, a “Pérola do Nordeste” e a única capital brasileira fundada por franceses. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, que conta com mais de 370 mil inscritos, e detalha o centro histórico reconhecido pela UNESCO, a riqueza da cultura ludovicense e o título de capital nordestina com a menor taxa de crimes violentos:

Bumba Meu Boi: patrimônio que dança nas ruas

O Bumba Meu Boi do Maranhão foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019. A festa acontece entre junho e julho, dividida em cinco sotaques: matraca, zabumba, orquestra, baixada e costa de mão. Cada grupo tem coreografia, instrumentos e bordados próprios.

O Tambor de Crioula, dança de matriz africana em que as mulheres se revezam na roda com a “punga” (toque de barriga), é Patrimônio Imaterial nacional desde 2007. São Luís é rara no Brasil porque carrega os dois reconhecimentos da UNESCO ao mesmo tempo: centro histórico como Patrimônio Mundial e Bumba Meu Boi como Patrimônio Imaterial.

Arroz de cuxá e guaraná cor-de-rosa

A gastronomia ludovicense mistura heranças indígenas, africanas e portuguesas com ingredientes que só existem na região.

  • Arroz de cuxá: prato-símbolo feito com vinagreira (folha do hibiscus, trazida por africanos), camarão seco e gergelim torrado.
  • Torta de camarão: receita junina com ovos, batata e recheio farto de camarão ou caranguejo.
  • Juçara: o açaí maranhense, mais aveludado, servido gelado com farinha de tapioca e peixe frito.
  • Guaraná Jesus: refrigerante cor-de-rosa exclusivo do Maranhão, com aroma de cravo e canela, criado há mais de um século.

Leia também: A quantidade de passos por dia recomendada para aumentar o condicionamento físico, segundo estudos.

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São Luís é a cidade onde o azulejo português divide a parede com o rosto pintado de Bob Marley. / Créditos: depositphotos.com / Elena Skalovskaia

Quando o Bumba Meu Boi toma as ladeiras?

O clima é tropical úmido, com calor o ano inteiro. A estação chuvosa vai de janeiro a junho. O período ideal para visitar é entre julho e dezembro, quando o sol firma e as festas juninas colorem as ruas.

Sazonalidade e condições para atividades
Análise climática detalhada para planejamento de viagem e roteiros culturais e praianos
Estação
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
Chuvoso
Jan-Jun
24-31°C 🌧️
Alta
Museus e Centro Histórico pela manhã.
Juninas
Jun-Jul
24-32°C 🏮
Média
Bumba Meu Boi e grandes arraiais locais.
Seco
Jul-Dez
25-33°C 🏄
Baixa
Praias, kitesurf e reggae ao anoitecer.
Informação: O período entre junho e julho é a época de ouro para vivenciar a maior manifestação cultural da região.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Ilha do Amor?

O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica a 12 km do centro histórico e recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Fortaleza e Belém. Por terra, a BR-135 é o principal acesso rodoviário. De Teresina, são 446 km pela BR-316. São Luís também é a porta de entrada para os Lençóis Maranhenses, a 260 km pela MA-402.

Suba as ladeiras ao som de uma radiola

São Luís é a cidade onde o azulejo português divide a parede com o rosto pintado de Bob Marley. O centro histórico guarda quatro séculos de arquitetura intacta, o Bumba Meu Boi transforma junho em espetáculo e o arroz de cuxá resume numa colherada a mistura de povos que construiu a ilha.

Você precisa subir as ladeiras da Praia Grande ao entardecer e provar o cuxá em um casarão de 200 anos para entender por que São Luís se chama Ilha do Amor.

Tags: MaranhãoSão Luís
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