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Início Cidades

Com curvas de 180° e rochas de 160 milhões de anos, a estrada mais perigosa do Brasil atravessa o maior corte de arenito a 90 metros

Por Maura Pereira
19/03/2026
Em Cidades, Turismo
Com curvas de 180° e paredões de 90 metros, essa estrada atravessa rochas formadas há 160 milhões de anos

As rochas que formam a Serra do Corvo Branco datam do período em que a América do Sul ainda estava grudada na África, no supercontinente Pangeia. / Imagem ilustrativa

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Uma fenda de 90 metros de profundidade rasga a montanha ao meio e revela, nas paredes expostas, a mesma rocha porosa que alimenta o Aquífero Guarani. A Serra do Corvo Branco, na divisa entre Urubici e Grão-Pará, no sul de Santa Catarina, guarda o maior corte em rocha arenítica do país e uma das estradas mais perigosas do Brasil.

Por que a serra se chama Corvo Branco?

O nome nasceu de um engano. Moradores antigos avistavam uma ave de plumagem branca e detalhes coloridos fazendo ninhos nos paredões e a chamavam de corvo. Na verdade, trata-se do Urubu-rei, espécie rara e de beleza singular. O apelido pegou, batizou a serra e hoje identifica um dos cartões-postais mais fotografados de Santa Catarina, conforme o Portal de Turismo de Grão-Pará. A ave, porém, tornou-se cada vez mais difícil de avistar por conta da baixa reprodutividade da espécie e da degradação do habitat.

Com curvas de 180° e paredões de 90 metros, essa estrada atravessa rochas formadas há 160 milhões de anos
Maior corte em rocha do Brasil: 90m profundidade na Serra do Corvo Branco, SC-370, entre Urubici e Grão-Pará, 1.470m altitude.

Uma aula de geologia a céu aberto

As rochas que formam a serra datam do período em que a América do Sul ainda estava grudada na África, no supercontinente Pangeia. O arenito Botucatu, depositado por ventos em um deserto que cobria a região, foi depois selado por derrames de lava basáltica que compõem a Formação Serra Geral.

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Quem desce a serra percebe uma faixa escura rasgando o paredão de baixo para cima: é o dique de basalto, resultado do resfriamento de lava que subiu do núcleo da Terra há 160 milhões de anos. Outro detalhe visível: o paredão esquerdo (de quem desce) é úmido e o direito é seco. A diferença acontece pela inclinação do arenito Botucatu, a mesma rocha sedimentar que forma o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta.

Com curvas de 180° e paredões de 90 metros, essa estrada atravessa rochas formadas há 160 milhões de anos
A Serra do Corvo Branco é daqueles lugares que nenhuma foto consegue traduzir por inteiro. / Créditos: Wikipédia

O que fazer entre paredões e mirantes?

A SC-370, que liga Grão-Pará a Urubici ao longo de 57 km, foi a primeira estrada a conectar o litoral à Serra Catarinense. A construção começou no final da década de 1950 e foi inaugurada nos anos 1980. O trecho mais emblemático tem 600 metros, com curvas de 180 graus e precipícios que exigem atenção redobrada.

  • Fenda da Serra do Corvo Branco: o maior corte em rocha arenítica do Brasil, com paredões de 90 metros. A garganta por onde passa a estrada é o ponto mais fotografado da Serra Catarinense.
  • Parque Altos do Corvo Branco: a 1.380 m de altitude, conta com seis mirantes, dois deles com plataformas de vidro suspensas sobre o abismo. Em dias claros, a vista alcança o litoral de Laguna e o Morro da Igreja. Inaugurado em 2022, conforme a Prefeitura de Urubici.
  • Morro da Igreja: com 1.822 m, é o ponto habitado mais alto do Sul do Brasil. Abriga a icônica Pedra Furada, que exige agendamento prévio no ICMBio para visitação.
  • Cânion Espraiado: formação rochosa vizinha acessível por trilha a partir do topo da serra, com visual bruto e preservado.
  • Gruta Nossa Senhora de Lourdes: formação natural encravada na rocha a caminho da serra, a 10 km do centro de Urubici.

Aventure-se pela estrada mais surpreendente da Serra Catarinense. O vídeo é do canal Algum Lugar na Terra, que conta com mais de 35 mil inscritos, e apresenta a travessia da Serra do Corvo Branco, destacando o impressionante corte vertical de 90 metros na rocha:

Quando subir a serra?

A cidade-base é Urubici, a 915 m de altitude, onde as temperaturas são bem mais baixas que no litoral. O inverno é seco e gelado, com neve ocasional. O melhor horário para fotografar a fenda é por volta do meio-dia, quando o sol ilumina os paredões por inteiro.

Sazonalidade e condições para atividades na Serra e Litoral
Análise climática detalhada para planejamento de roteiros: do surfe e trilhas ao aconchego da gastronomia serrana e neve
Estação
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
☀️ Verão
Dez-Fev
12-25 °C
Alta
Aproveitar cachoeiras e realizar trilhas curtas no período da manhã.
🍂 Outono
Mar-Mai
6-20 °C
Média
Contemplar mirantes com céu limpo e praticar surfe no litoral.
❄️ Inverno
Jun-Ago
0-15 °C
Baixa
Torcer pela neve ocasional e desfrutar da rica gastronomia serrana.
🌺 Primavera
Set-Nov
8-22 °C
Média
Explorar os cânions e realizar trilhas longas com temperaturas agradáveis.
Dica: O inverno é o período ideal para quem busca o charme do frio e a gastronomia aconchegante, com chances de neblina e geada.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Urubici. Condições podem variar.

Desça a Serra do Corvo Branco e sinta a emoção de paredões gigantes e vistas épicas da Serra Catarinense. Aventura única te espera! // Créditos: @AlgumLugarnaTerra

Leia também: O arranha-céu mais alto da América do Sul fica cercado por vinícolas e pela Cordilheira dos Andes.

Como chegar à fenda na montanha?

Urubici fica a 270 km de Florianópolis pela BR-282 e SC-370, cerca de 3h30 de carro. A fenda da serra fica a 27 km do centro de Urubici por estrada parcialmente asfaltada. Pelo lado de Grão-Pará, o acesso é pela SC-438 a partir da BR-101, passando por Gravatal e Braço do Norte. A estrada passa por obras de pavimentação com mais de 60% de execução, mas trechos de terra e curvas fechadas ainda exigem atenção. Evite descer em dias de chuva ou neblina forte.

Uma estrada que conta a história da Terra

A Serra do Corvo Branco é mais do que uma estrada entre duas cidades. É uma fenda aberta no tempo, onde paredões de 160 milhões de anos exibem a rocha que alimenta um dos maiores aquíferos do planeta e guardam o nome de uma ave que poucos tiveram a sorte de ver.

Você precisa parar o carro no meio da garganta, olhar para cima e sentir o tamanho do que a Terra construiu enquanto os continentes ainda estavam colados.

Tags: serrra do corvo brancourubici
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