O Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, comemorado em 26 de março, reforça a importância de disseminar informações sobre essa condição neurológica. A campanha conhecida como Março Roxo busca educar a população e desmistificar preconceitos que acompanharam a epilepsia ao longo dos anos. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo convivem com essa condição, enquanto no Brasil cerca de 2% da população é afetada por ela, o que evidencia a necessidade de diagnóstico precoce, tratamento adequado e combate ao estigma.
A epilepsia se manifesta por meio de crises convulsivas recorrentes, decorrentes de anomalias nas descargas elétricas cerebrais. Essas crises podem ser focais, começando em uma região específica do cérebro, ou generalizadas, abrangendo toda a estrutura cerebral. A origem das crises é variada e inclui fatores genéticos, lesões cerebrais por acidentes vasculares, traumatismos, infecções ou tumores. Segundo o neurocirurgião Dr. Hugo Sterman Neto, o diagnóstico é estabelecido principalmente pela análise clínica das crises, complementada por exames específicos como o eletroencefalograma.
Qual é o impacto do desconhecimento sobre a epilepsia na sociedade?
Apesar de sua alta prevalência, muitos ainda desconhecem aspectos básicos sobre a epilepsia, o que pode comprometer a segurança dos pacientes, principalmente durante as crises. Ditados populares e crenças equivocadas contribuíram historicamente para a associação da epilepsia a fenômenos místicos, dificultando a busca por tratamento médico adequado.
Esse estigma foi reforçado por representações errôneas que marginalizaram os afetados, atrasando diagnósticos e aumentando riscos sociais e físicos. Como consequência, muitas pessoas deixam de frequentar escola, trabalho e espaços de convivência, agravando o isolamento social e o impacto emocional da condição.

Como agir corretamente durante uma crise convulsiva?
Durante uma crise convulsiva, é essencial proteger o paciente contra impactos e lesões, evitando contê-lo à força. Práticas comuns, como tentar segurar os espasmos ou colocar objetos na boca, são ineficazes e potencialmente perigosas, podendo causar fraturas ou sufocamento.
Para facilitar o cuidado seguro e padronizar atitudes de leigos e profissionais, algumas orientações simples ajudam a prevenir danos e salvar vidas:
🚑⚠️ Como Agir Durante uma Crise Convulsiva
| Ação | Orientação |
|---|---|
| Segurança | Afastar objetos duros ou cortantes ao redor da pessoa para evitar traumas |
| Proteção | Colocar algo macio sob a cabeça e afrouxar roupas apertadas, como gravatas ou colares |
| Posição | Virar o paciente de lado após a fase rígida, facilitando a respiração e evitando aspiração de saliva |
| Evitar | Nunca segurar à força, nem colocar dedos ou objetos na boca; aguardar a crise terminar e observar o tempo |
| Emergência | Procurar atendimento de urgência se a crise durar mais de cinco minutos ou se houver crises em sequência |
💡 Dica: Manter a calma e garantir a segurança da pessoa são as atitudes mais importantes durante uma crise.
Como é realizado o tratamento para a epilepsia no Brasil?
O tratamento predominante para a epilepsia envolve medicamentos antiepilépticos que controlam as crises na maioria dos casos. Cerca de 80% a 90% das pessoas respondem bem a essa terapia, embora alguns necessitem de combinações medicamentais e ajustes de dose ao longo do tempo, sempre com acompanhamento neurológico.
Em situações mais graves, quando a medicação não é suficiente, intervenções cirúrgicas podem ser consideradas para diminuir a frequência das crises. No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece atendimento abrangente e gratuito para indivíduos com epilepsia, incluindo exames, medicamentos, acompanhamento multiprofissional e acesso a centros especializados em epilepsia resistente.
A epilepsia, apesar de ser uma condição comum dentro das desordens neurológicas, ainda é cercada por desinformação e estigma. Ao reforçar a conscientização, a campanha Março Roxo contribui para uma sociedade mais informada e inclusiva, permitindo que pessoas com epilepsia vivam com mais qualidade de vida e autonomia. Bem instruída, a sociedade pode oferecer suporte melhor aos pacientes, ampliando o entendimento, o respeito à diversidade de condições de saúde e o incentivo à adesão ao tratamento.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










