O chimarrão aquece as mãos enquanto a geada cobre os campos de araucária. A 884 metros de altitude, no coração da Serra Catarinense, Lages preserva o ritmo das cidades onde o frio é parte do cotidiano e o pinhão na brasa faz parte do café da tarde.
Como é viver na Princesa da Serra no dia a dia?
Com cerca de 165 mil habitantes (IBGE, Censo 2022), Lages é o maior município de Santa Catarina em extensão territorial e o principal centro urbano da serra catarinense. A cidade concentra serviços de saúde, educação e comércio para toda a macrorregião serrana. A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), pelo Centro de Ciências Agroveterinárias, e a Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) formam profissionais para o mercado regional.
O custo de vida é mais acessível que o do litoral catarinense. A rotina inclui caminhadas no Parque Jonas Ramos (conhecido como Tanque), compras no Mercado Público e finais de semana em fazendas de turismo rural. A cidade foi pioneira nesse segmento nos anos 1980, quando fazendas centenárias começaram a receber visitantes, e carrega o título informal de Capital Nacional do Turismo Rural. O IDH municipal é de 0,770 (PNUD), classificado como alto.

Pinhão na brasa e entrevero na panela de ferro
A gastronomia lageana é filha direta do tropeirismo e do frio serrano. Os pratos são encorpados, feitos para aquecer, e o pinhão aparece em praticamente tudo.
- Pinhão sapecado: assado diretamente na brasa ou na chapa, é o lanche mais popular do inverno. A semente da araucária é símbolo da cidade e dá nome à maior festa local.
- Entrevero lageano: mistura de carnes, pinhão, queijo e temperos cozidos em panela de ferro sobre fogo de chão. Cada fazenda tem sua receita.
- Quirera com costelinha: canjica de milho salgada com costela de porco, herança das tropas que subiam a serra.
O vídeo de Diogo Elzinga apresenta Lages, em Santa Catarina, destacando-a como a “Princesa da Serra”, a capital do turismo rural e a terra da Festa do Pinhão. É a maior cidade do estado em extensão territorial e carrega uma forte herança cultural ligada ao tropeirismo.
A rota dos tropeiros que virou cidade em pleno planalto
Antes de existir formalmente, Lages já era ponto de passagem. Tropeiros desciam do Rio Grande do Sul rumo a São Paulo e Minas Gerais conduzindo rebanhos pelos campos do planalto. Em 22 de novembro de 1766, o bandeirante paulista Antônio Correia Pinto de Macedo fundou a Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens, por ordem do governador da Capitania de São Paulo, com o objetivo de frear pretensões espanholas na região.
O nome vem das pedras de laje (arenito) abundantes no terreno. A herança tropeira permanece viva nas taipas de pedra que demarcam fazendas centenárias, na culinária de fogão a lenha e nos CTGs espalhados pela cidade. A região da Coxilha Rica, com seus corredores de tropas e muros de pedra com mais de 200 anos, é mapeada pelo IPHAN como patrimônio cultural ligado ao ciclo do tropeirismo.

Festa Nacional do Pinhão: 350 mil pessoas no frio da serra
A Festa Nacional do Pinhão nasceu em 1973 e se tornou o segundo maior evento gastronômico e cultural de Santa Catarina. A cada edição, cerca de 350 mil visitantes passam por Lages ao longo de 11 dias de shows, gastronomia típica e celebração da cultura campeira, segundo a Prefeitura de Lages. O símbolo da festa é a gralha-azul, ave responsável pela dispersão das sementes de araucária.
A edição de 2025 teve acesso gratuito em todos os dias e priorizou o resgate cultural com danças tradicionais e a Sapecada da Canção Nativa. Fora do período da festa, a cidade mantém uma vida cultural ativa com rodeios, leilões de gado, feiras coloniais e o Natal FelizCidade no fim do ano.
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Quando o frio serrano favorece cada estilo de vida?
Lages tem clima subtropical de altitude, com quatro estações bem definidas. O inverno é rigoroso, com geadas frequentes e mínimas que já chegaram a -7°C. O verão é ameno, raramente ultrapassando os 28°C.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao planalto serrano catarinense?
Lages fica a 231 km de Florianópolis pela BR-282, com trajeto panorâmico de subida da serra que dura cerca de 3 horas. Para quem vem do Rio Grande do Sul ou do Paraná, o acesso principal é pela BR-116. O Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto (a 30 km), recebe voos comerciais. Ônibus partem diariamente de Florianópolis e Curitiba.
A serra onde o tempo passa mais devagar
Lages combina o que poucas cidades brasileiras oferecem: frio de verdade, tradições preservadas há mais de dois séculos, fazendas centenárias abertas a visitantes e um custo de vida que não compete com o litoral catarinense. A Princesa da Serra cresceu sem perder os ares de cidade onde o vizinho ainda acena do portão.
Você precisa conhecer Lages de perto, sentir o frio cortante de julho e entender por que tanta gente escolhe trocar a praia pela araucária sem olhar para trás.










