No litoral oriental do Maranhão, os Lençóis Maranhenses formam o maior campo de dunas da América do Sul. Em julho de 2024, a UNESCO declarou o parque Patrimônio Mundial Natural da Humanidade, o primeiro reconhecimento do tipo concedido ao Brasil em 23 anos.
A história do parque mais cobiçado do Nordeste
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 2 de junho de 1981 pelo Decreto nº 86.060 e abrange 155 mil hectares de dunas, lagoas e restinga, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área é maior que a cidade de São Paulo e inclui 70 km de praias banhadas pelo Atlântico.
O título de Patrimônio Natural da Humanidade foi concedido em 26 de julho de 2024, durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Délhi, conforme o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Com a chancela, o Brasil soma nove sítios naturais na lista mundial.

Três portas de entrada para o deserto brasileiro
O parque abrange três municípios que funcionam como bases para os visitantes. Cada um oferece uma experiência distinta, e muitos roteiros de quatro dias combinam pelo menos duas dessas bases.
- Barreirinhas: a mais estruturada, com maior oferta de pousadas, restaurantes e aeroporto próprio que permite sobrevoos de helicóptero.
- Santo Amaro do Maranhão: quase dentro do parque, concentra lagoas que permanecem cheias por mais tempo e circuitos como Andorinhas, Emendadas e Betânia.
- Atins: vilarejo rústico entre o mar e as dunas, referência para kitesurf e conhecido pela praia selvagem na foz do Rio Preguiças.
- Primeira Cruz: terceira base oficial, ainda pouco explorada pelo turismo, voltada para quem quer experiência mais isolada.
Os Lençóis Maranhenses são um dos destinos mais cinematográficos do mundo. O vídeo é do canal Viagens Cine, com 143 mil inscritos, oferecendo um guia definitivo sobre Barreirinhas, Santo Amaro e Atins, incluindo dicas de logística e os melhores passeios.
As lagoas que aparecem e somem ao longo do ano
As famosas piscinas azuis e verdes entre as dunas se formam com a chuva e desaparecem na seca. A paisagem é mutante, com rotas que mudam a cada sete anos em média, segundo guias locais.
Entre os circuitos mais disputados estão o da Lagoa Azul e o da Lagoa Bonita, ambos com saída de Barreirinhas, e a Lagoa da Gaivota, considerada por guias o mirante mais belo do parque, acessada por Santo Amaro. O percurso é feito em veículos 4×4 credenciados ou em caminhadas para quem busca imersão maior.
Quando as lagoas estão cheias?
Esta é a pergunta mais importante de quem planeja a viagem. O clima da região tem duas estações bem marcadas, e o calendário define toda a experiência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

O que fazer além das lagoas?
O parque guarda atividades para além do mergulho nas águas cristalinas. A região tem ecossistemas que se conectam ao mar, aos rios e às comunidades tradicionais.
- Passeio de barco pelo Rio Preguiças: percurso saindo de Barreirinhas até Atins, com paradas em Mandacaru e Vassouras.
- Pôr do sol com observação de guarás: bandos vermelhos que voltam ao mangue no fim da tarde, visíveis a partir do rio.
- Travessia do campo de dunas: caminhadas de vários dias com pernoite nos oásis do deserto brasileiro, conforme orientações do guia oficial do ICMBio.
- Kitesurf em Atins: ventos constantes de setembro a dezembro fazem da vila um dos destinos preferidos do esporte no país.
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Como chegar ao Maranhão?
O acesso principal é pela capital, São Luís, que recebe voos de várias cidades do Brasil. De lá, Barreirinhas fica a cerca de 250 km pela MA-402, aproximadamente 4 horas de carro ou van.
Santo Amaro e Atins exigem trechos adicionais em veículos 4×4, mas podem ser acessados diretamente por rotas alternativas combinadas com transfer local.
Como o deserto brasileiro encanta o mundo
Os Lençóis Maranhenses combinam um fenômeno geológico raro, comunidades tradicionais que vivem há gerações entre as dunas e a força simbólica de um lugar onde o deserto encontra o mar. O título da UNESCO só confirma o que quem visita já sabia.
Você precisa ver pessoalmente a água azul aparecer no meio da areia branca para entender por que esse pedaço do Maranhão virou Patrimônio da Humanidade.









