Fundada por decreto imperial em 1843, Petrópolis é a segunda cidade planejada do Brasil. A 68 km da capital fluminense, a “Cidade Imperial” ainda guarda os palácios, as ruas e o ritmo da corte que escolheu a serra como refúgio.
Por que Dom Pedro II escolheu a serra fluminense para morar?
O calor tropical do Rio de Janeiro era insuportável para a corte e os diplomatas europeus. Em 1830, ainda como imperador, Dom Pedro I comprou a Fazenda do Córrego Seco, mas não chegou a executar o projeto. O filho herdou as terras e, em 16 de março de 1843, assinou o Decreto Imperial nº 155 criando a povoação de Petrópolis.
O traçado coube ao engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler, que desenhou ruas arborizadas, canais a céu aberto e lotes para colonos germânicos. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Koeler previu casas voltadas para os rios e afastamentos entre construções, uma visão urbanística rara para o século XIX. O resultado é o centro histórico que hoje recebe cerca de 300 mil visitantes anuais só no Museu Imperial.

O que visitar no centro histórico em um final de semana?
Quase tudo fica a até 15 minutos de caminhada entre si. A rota natural começa pelo museu e segue pelos palácios, pela catedral neogótica e pela cervejaria mais antiga do país.
- Museu Imperial: o palácio de verão de Dom Pedro II abriga a coroa imperial e o cetro. Visitantes calçam pantufas para proteger o piso original. Ingresso a R$ 10 (inteira) e entrada franca às quartas-feiras, segundo o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
- Palácio de Cristal: presente do Conde d’Eu à Princesa Isabel, a estrutura de ferro e vidro foi montada em 1884 e hoje sedia eventos culturais.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: uma das únicas igrejas neogóticas do Brasil, abriga os túmulos de Dom Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina e da Princesa Isabel.
- Casa de Santos Dumont: chamada de A Encantada, foi erguida em 1918 pelo pai da aviação e tem escada que só pode ser subida com o pé direito.
- Cervejaria Bohemia: a primeira cervejaria do Brasil, fundada em 1853, oferece tour interativo a partir de R$ 39, com mais de 20 ambientes que contam a história da cerveja, segundo a Prefeitura de Petrópolis.
- Palácio Quitandinha: ex-cassino dos anos 1940, abriga o Sesc Cultural e ainda mantém a fachada de hotel-cassino da era pré-jogo proibido.
Quando vale subir a serra para a Bauernfest?
A Festa do Colono Alemão é a segunda maior celebração da cultura germânica do Brasil, atrás apenas da Oktoberfest de Blumenau. Acontece em junho e julho, com 17 dias de programação no Palácio de Cristal e na Rua Alfredo Pachá.
Em 2025, segundo o site oficial da Bauernfest, a 36ª edição reuniu cerca de meio milhão de pessoas, mais de 5 mil kg de salsichões e 135 mil litros de chope e cervejas artesanais consumidos. A festa foi premiada como Melhor Evento do Interior do Estado pela Veja Rio em 2025 e 2026. Quem não pega a Bauernfest pode aproveitar o calendário cervejeiro: a cidade carrega o título de Capital Estadual da Cerveja, com mais de 20 cervejarias artesanais.

O que comer em Petrópolis e Itaipava?
A herança germânica está em todas as mesas, dos pratos típicos da Bauernfest aos restaurantes que funcionam o ano inteiro. Itaipava, a 20 minutos do centro, virou o polo gastronômico do município.
- Pernil com chucrute: prato âncora das casas alemãs do centro histórico, servido com batata e pão preto.
- Fondue: receita obrigatória nas noites frias, oferecida em mais de 50 restaurantes durante o Festival de Fondue, Caldos e Cremes, no inverno.
- Choconhaque: chocolate quente com conhaque, vendido nas barraquinhas durante a Bauernfest e em cafés do centro.
- Cervejas artesanais: o Circuito da Vila Cervejeira reúne Bohemia, Odin, Sampler, Duas Torres e Dr Duranz no entorno do Palácio de Cristal.
- Cuca alemã: bolo recheado com frutas e farofa de canela, herdado das famílias colonas e disputado em concurso anual.
Quando ir e como chegar à Cidade Imperial?
A 800 metros de altitude, a serra fluminense fica mais fresca que o litoral o ano inteiro. O inverno seco é a alta temporada, perfeita para fondues e festivais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Petrópolis fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, em cerca de uma hora de carro. Quem prefere transporte público encontra ônibus diretos no Terminal Novo Rio, com partidas frequentes ao longo do dia. O aeroporto mais próximo é o Galeão, a aproximadamente 80 km do centro histórico.
Suba a serra e conheça a corte que ainda existe
Petrópolis guarda em poucos quilômetros uma das histórias mais raras do Brasil: palácios habitados por imperadores, a primeira cervejaria do país, uma catedral neogótica e ruas desenhadas por um engenheiro alemão antes mesmo de a cidade existir.
Você precisa subir a serra e conhecer Petrópolis, a única cidade onde o Brasil ainda tem cheiro de corte europeia a uma hora do Rio.









