O som das ferraduras ecoa nas ruas de pedra de Pirenópolis antes do amanhecer. Fundada em 1727 por bandeirantes paulistas em busca de ouro, a cidade goiana guarda quase três séculos de história entre casarões coloniais e a Serra dos Pireneus.
Por que Pirenópolis virou patrimônio nacional?
A resposta está nas ruas. Todo o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1990, formando um dos acervos mais preservados do Brasil Central.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, com obras iniciadas em 1728, foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN em todo o Centro-Oeste, em 1941. Construída entre 1761 e 1763, é considerada o maior edifício religioso da região.
O isolamento econômico após o ciclo do ouro acabou sendo bom para a cidade. As ruas anteriores a 1830 chegaram quase intactas ao século XXI, preservando a feição original do casario colonial.

Quais cachoeiras valem o desvio em Piri?
São mais de 80 quedas catalogadas na Serra dos Pireneus, muitas com infraestrutura completa. A maior parte fica em propriedades privadas e cobra ingresso, mas o acesso costuma ser fácil mesmo de carro comum.
- Cachoeira do Abade: queda de 22 metros e poço cristalino de 900 m². Tem trilhas de 400 m e de 2.400 m, e restaurante na entrada.
- Cachoeiras dos Dragões: oito quedas dentro da reserva do Mosteiro Zen Eishōji, a 40 km do centro. A trilha completa leva de 3 a 4 horas.
- Cachoeira Paraíso: complexo com piscina aquecida, redário e camping, em uma antiga colônia de pedreiros desativada em 2012.
- Cachoeiras Bonsucesso: a apenas 4,5 km do centro, reúne seis opções de banho em um caminho que passa por estradas do século XVIII, descritas pelo Goiás Turismo.
- Cachoeira das Araras: tem rampa de acesso para cadeirantes que chega até a água, raridade entre quedas de cerrado.
O charme histórico goiano atrai visitantes em busca de lazer e gastronomia. O vídeo é do canal Estevam Pelo Mundo, com 2,27 milhões de inscritos, detalhando roteiros e custos em Pirenópolis.
O ano em que as Cavalhadas completam dois séculos
Em 2026, Pirenópolis vive uma data redonda. As Cavalhadas, encenação da batalha medieval entre mouros e cristãos, completam 200 anos desde sua introdução pelo Padre Manuel Amâncio da Luz, em 1826.
O espetáculo acontece nos dias 24, 25 e 26 de maio dentro da Festa do Divino Espírito Santo, registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial em 2010 e realizada na cidade desde 1819. Cavaleiros divididos em dois exércitos disputam três dias de coreografias a cavalo.
Pelas ruas, os mascarados completam o cenário. Eles usam roupas coloridas, máscaras de animais e mudam a voz para não serem reconhecidos, tradição que mistura matrizes europeias e afro-brasileiras.
O que provar quando a fome bate em Piri?
O cardápio mistura cerrado, raízes mineiras e influência portuguesa. Os pratos típicos aparecem tanto em buffets simples quanto em restaurantes refinados do centro histórico.
- Empadão goiano: torta recheada com frango, linguiça, azeitona e a polêmica guariroba, palmito amargo que divide opiniões.
- Arroz com pequi: prato símbolo do cerrado goiano, presente em quase toda casa de comida regional da cidade.
- Pamonha: vendida nas versões doce e salgada, e também à moda, com linguiça temperada por dentro.
- Carne de lata: carne de porco conservada na própria banha, herança das fazendas de Goiás.
- Doces de baru e pequi: a castanha do baru e o fruto amarelo aparecem em compotas e biscoitos artesanais.

Qual a melhor época para visitar a Serra dos Pireneus?
O inverno seco é a alta temporada para o centro histórico e as trilhas. No verão, as cachoeiras ficam cheias, mas a chuva pode atrapalhar o acesso por estradas de terra.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Pirenópolis de carro ou ônibus?
A cidade fica praticamente no meio do caminho entre Brasília e Goiânia, a 150 km da capital federal e 130 km da capital goiana. Em ambos os casos, o trecho é todo asfaltado e leva entre 2h e 3h de carro.
De Brasília, a rota mais comum sai pela BR-070 via Águas Lindas e Cocalzinho. De Goiânia, o trajeto passa por Anápolis pela BR-060. A Viação Goianésia opera ônibus diários a partir das duas rodoviárias.
A cidade que parou no tempo certo
Piri reúne em poucos quilômetros aquilo que normalmente está espalhado por dezenas de destinos: cachoeira fácil, centro colonial vivo, cozinha regional autêntica e uma festa de 200 anos. É raro encontrar tanto em tão pouco espaço.
Você precisa subir a Serra dos Pireneus e conhecer Pirenópolis em um ano em que as Cavalhadas marcam dois séculos e a cidade segue como uma das mais acolhedoras do planeta.










