No alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, São Thomé das Letras se destaca por sua paisagem única, onde praticamente tudo parece esculpido na própria rocha. O quartzito branco que forma a montanha também compõe ruas, casas e muros, criando a sensação de uma cidade que nasceu diretamente da pedra. Esse cenário singular alimenta o imaginário popular e reforça o clima de mistério que cerca o destino.
A origem entre fé, fuga e tradição oral
A história mais difundida sobre o surgimento de São Thomé das Letras remonta ao final do século XVIII e envolve o escravizado João Antão, que teria fugido da fazenda do capitão João Francisco Junqueira e se abrigado em uma gruta no topo da serra. Segundo a tradição, ele teria recebido uma carta atribuída a uma aparição de São Tomé, episódio que acabou sendo interpretado como milagre.
Com o desfecho dessa narrativa, o homem teria conquistado a alforria, e o capitão mandado erguer uma igreja ao lado da gruta, dando origem ao povoado. Esses relatos, transmitidos ao longo das gerações, ajudaram a consolidar a identidade mística da cidade, onde história, fé e tradição oral se misturam até hoje, segundo o portal Minas Gerais Turismo.

Por que tantos místicos escolhem essa cidade?
A fama espiritual de São Thomé das Letras, em Minas Gerais, está diretamente ligada à sua formação geológica incomum. A cidade foi construída sobre um vasto depósito de quartzito branco, uma rocha que, dentro de algumas correntes esotéricas, é associada à amplificação de energia e à criação de ambientes considerados “carregados” de simbolismo espiritual.
Ao longo dos anos, esse cenário passou a atrair diferentes perfis de visitantes, como praticantes de meditação, curiosos por fenômenos inexplicáveis e até ufólogos em busca de relatos de luzes no céu e supostos portais energéticos. Esse imaginário ajudou a consolidar a imagem do destino, reforçada pela própria Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais, que passou a divulgar a cidade sob o conceito de “Onde você é o mistério”.
O vídeo do canal “Casal Alencar” apresenta um guia completo de três dias para São Thomé das Letras, em Minas Gerais, conhecida como a cidade mais mística do Brasil.
Quais são as atrações imperdíveis na cidade de pedra?
O município reúne mais de 30 cachoeiras, sete grutas e mirantes em um dos pontos mais altos do estado. Os principais atrativos ficam a pequenas distâncias do centro.
- Casa da Pirâmide: construção em formato piramidal voltada para as constelações, no Parque Municipal Antônio Rosa, com pôr do sol famoso.
- Gruta de São Thomé: a caverna onde a lenda começou, ao lado da Igreja Matriz, no centro da cidade.
- Cachoeira Véu da Noiva: 25 metros de queda e a mais imponente da região, a 9 km do centro.
- Cachoeira da Eubiose: 20 metros de queda e poço cristalino, a apenas 3 km do centro.
- Pedra da Bruxa: formação rochosa que lembra o perfil de uma bruxa, próxima à Pirâmide.
- Ladeira do Amendoim: ladeira onde carros aparentam subir sozinhos, uma das ilusões mais visitadas do Brasil.

O que comer na cidade mística?
A gastronomia mistura raízes mineiras com toques alternativos trazidos pela comunidade hippie que se fixou na cidade nas últimas décadas.
- Picanha na pedra: servida em laje de quartzito aquecido, especialidade dos restaurantes do centro.
- Comida mineira: feijão tropeiro, frango com quiabo e tutu de feijão dominam os bufês locais.
- Chapati: pão indiano herdado da cultura alternativa, vendido em barracas e bares.
- Pizza artesanal: vários fornos a lenha funcionam à noite na Praça Nossa Senhora do Rosário.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude garante noites frias o ano inteiro, mesmo no verão. O período seco, entre abril e setembro, é o mais procurado por trilheiros e curiosos das estrelas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Como chegar à cidade de pedra?
São Thomé das Letras, em Minas Gerais, está localizada a cerca de 44 km de Três Corações e aproximadamente 346 km de Belo Horizonte, em uma região de serra marcada por estradas sinuosas e paisagens elevadas. O acesso mais comum para quem sai de São Paulo é pela BR-381, seguindo até Três Corações, de onde parte o trecho final até a cidade.
Nos quilômetros finais, o trajeto muda de cenário e passa a exigir mais atenção, já que o acesso envolve uma subida de serra com trechos de estrada de terra. Por estar inserida no circuito da Estrada Real, a cidade preserva esse caráter mais rústico de chegada, o que reforça a sensação de isolamento e preparação para o ambiente singular que aguarda no topo.










