A beterraba é consumida no Brasil há décadas, mas quase sempre reduzida a salada de festa. O que pouca gente sabe é que ela age diretamente na pressão arterial, nos rins e no fígado por mecanismos documentados pela ciência.
Como a beterraba age na pressão arterial?
A raiz é rica em nitratos naturais, compostos que o organismo converte em óxido nítrico. Esse gás sinaliza para os vasos sanguíneos que eles devem se dilatar, reduzindo a resistência ao fluxo e, consequentemente, a pressão arterial.
Uma meta-análise publicada no British Journal of Nutrition em 2023 identificou redução média de até 5 mmHg na pressão sistólica em adultos que consumiram suco ou extrato de beterraba regularmente. Em pessoas com hipertensão leve, esse efeito pode ser clinicamente relevante.

Qual é a relação entre beterraba e saúde renal?
O potássio presente na beterraba favorece um mecanismo renal bem estabelecido: quanto mais potássio disponível, mais o rim consegue excretar sódio pela urina. Menos sódio retido significa menos água acumulada nos tecidos.
Esse processo, chamado de natriurese por potássio, é uma das razões pelas quais dietas ricas em vegetais de alto teor de potássio estão associadas a menor incidência de hipertensão e menor retenção de líquidos, segundo dados consolidados de nefrologia clínica.
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O que é betaína e por que ela importa para o fígado?
A betaína é um composto derivado da colina encontrado em concentração relevante na beterraba. Ela atua como doadora de grupos metil em reações celulares, contribuindo para a proteção das células hepáticas contra danos oxidativos.
Estudos documentados pelo National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos associam a betaína à redução de marcadores inflamatórios no fígado e à proteção contra esteatose hepática não alcoólica, condição cada vez mais prevalente na população brasileira.
Qual é a melhor forma de consumir beterraba para aproveitar esses efeitos?
O processamento térmico reduz parte dos nitratos presentes na raiz. Para preservar ao máximo esse composto, o consumo cru, em sucos ou saladas, é mais eficiente do que a beterraba cozida ou em conserva.
As formas de consumo com melhor aproveitamento dos compostos ativos são:
- Suco de beterraba puro ou combinado com maçã ou gengibre, consumido fresco e sem coar excessivamente.
- Beterraba crua ralada em saladas, temperada com azeite e limão.
- Beterraba levemente cozida no vapor, que preserva mais nutrientes do que o cozimento em água abundante.
- Extrato ou pó de beterraba, opção prática com concentração controlada de nitratos.

Existe alguma contraindicação para o consumo de beterraba?
Pessoas com histórico de cálculos renais de oxalato devem moderar o consumo, pois a beterraba contém oxalato em quantidade relevante. O mesmo cuidado se aplica a quem faz uso de medicamentos para pressão arterial: o efeito hipotensor somado pode ser mais intenso do que o desejado.
Em geral, para adultos saudáveis, o consumo regular de beterraba não apresenta riscos e os benefícios documentados justificam incluí-la com mais frequência na alimentação. Nenhum alimento substitui acompanhamento médico em condições como hipertensão ou doença renal, mas a beterraba pressão arterial rins é uma combinação que a ciência já levou a sério, mesmo que a mesa brasileira ainda não tenha percebido.










