Um estudo recente publicado na revista JAMA Oncology trouxe novas luzes sobre o uso da aspirina em idosos e seus impactos potenciais sobre o câncer. Realizado com 19.114 adultos saudáveis na Austrália e nos Estados Unidos, o estudo investigou, ao longo de um período mediano de 8,6 anos, a relação entre o uso diário de aspirina em baixa dose e o risco de desenvolvimento e mortalidade por câncer em pessoas com 70 anos ou mais.
Aspirina diária em baixa dose previne o câncer em idosos?
A pesquisa dividiu os participantes em dois grupos: um que tomava diariamente 100 mg de aspirina e outro que recebia um placebo. Ao término do acompanhamento, não houve diferença significativa na incidência geral de câncer entre aqueles que tomaram aspirina e aqueles que não tomaram.
Além disso, não se observou qualquer benefício quando analisados casos de câncer por estágio da doença ou presença de metástases. Os dados sugerem que, para essa faixa etária, o uso rotineiro de aspirina não reduz o risco de desenvolver câncer.
Como a aspirina afeta o risco de morte por câncer?
Um dos achados mais marcantes foi um aumento de 15% no risco de morte relacionada ao câncer no grupo que usou aspirina, em comparação ao grupo placebo. Essa diferença foi mais visível nas fases iniciais do estudo, gerando preocupação entre os pesquisadores.
No entanto, os autores ressaltam que esse aumento de risco não se manteve de forma nítida ao longo do acompanhamento posterior. Isso reforça a importância de monitorar continuamente os participantes e investigar melhor as causas desse aumento inicial na mortalidade.

Qual é o papel atual da aspirina na prevenção do câncer?
Com base nesses resultados, a principal conclusão é que a aspirina em baixa dose não deve ser rotineiramente utilizada por idosos com o objetivo específico de prevenir o câncer. A decisão sobre seu uso precisa considerar outros fatores de saúde e o perfil de risco individual de cada paciente.
Em vez de uma recomendação única para todos, as medidas preventivas devem ser personalizadas. Devem ser avaliados, por exemplo, histórico familiar, presença de doenças crônicas, uso de outros medicamentos e risco de sangramentos.
Quais recomendações clínicas devem orientar o uso da aspirina?
O estudo reforça a importância do diálogo médico-paciente na definição de estratégias preventivas contra o câncer e doenças cardiovasculares. Embora a aspirina seja amplamente utilizada na prevenção cardiovascular devido às suas propriedades anticoagulantes, seu papel na oncologia ainda é incerto e precisa de mais evidências.
Alguns pontos práticos podem orientar a tomada de decisão clínica e individual sobre o uso diário da aspirina em idosos:
💊💙 Cuidados Antes de Usar Aspirina Preventivamente
| Recomendação | Importância |
|---|---|
| Avaliar cuidadosamente o risco de eventos cardiovasculares versus o risco de sangramentos e complicações. | Análise individual de riscos e benefícios |
| Considerar o histórico pessoal e familiar de câncer, bem como outras doenças crônicas. | Decisão mais personalizada |
| Discutir com o médico os objetivos do tratamento e expectativas quanto a benefícios e riscos. | Escolha informada |
| Evitar iniciar ou suspender a aspirina por conta própria, sem orientação profissional. | Maior segurança terapêutica |
💡 Dica: O uso preventivo de aspirina deve ser avaliado individualmente, considerando o histórico clínico e a orientação de um profissional de saúde.
Quais são as perspectivas futuras sobre aspirina e câncer em idosos?
Os autores do estudo destacam a importância de continuar monitorando os participantes para esclarecer melhor os efeitos a longo prazo da aspirina na mortalidade por câncer. Novas análises poderão confirmar ou refinar os achados iniciais e identificar subgrupos que possam se beneficiar ou ser mais prejudicados.
Esses dados serão fundamentais para atualizar diretrizes de tratamento e práticas médicas direcionadas a idosos. Com o avanço das pesquisas, espera-se compreender com mais precisão o papel da aspirina na saúde dessa população, integrando prevenção de câncer, eventos cardiovasculares e segurança do uso contínuo.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









