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Início Cidades

A cidade que preserva registros de 10 mil anos e ainda atrai novos moradores pelo desenvolvimento e oportunidades

Por Maura Pereira
18/06/2026
Em Cidades, Turismo
Rochas com pinturas de 10 mil anos marcam a famosa cidade entre as 100 economias mais fortes do Brasil que atraí moradores

A cidade equilibra vida urbana e campo, funcionando como base para produtores de soja e milho da região

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Formações rochosas de até 100 metros de altura guardam pinturas rupestres e artefatos de civilizações que habitaram o cerrado milênios antes da chegada dos europeus. Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, cresceu sobre esse passado e hoje é a cidade mais populosa do interior do estado, com cerca de 263 mil habitantes segundo o IBGE.

Que cidade nasceu de um posto telegráfico no cerrado?

Rondonópolis começou como o Povoado do Rio Vermelho, fundado por famílias vindas de Goiás a partir de 1902. A viagem durava quatro meses a cavalo. Em 1915, cerca de setenta famílias já ocupavam a margem do rio, e o governo estadual reservou 2 mil hectares para oficializar o povoado.

Entre 1907 e 1909, as expedições do tenente Cândido Rondon cortaram a região para instalar linhas telegráficas ligando Mato Grosso ao Amazonas. O posto telegráfico às margens do rio Poguba foi inaugurado em 1922, e o nome Rondonópolis veio como homenagem ao marechal em 1918. A emancipação política só aconteceu em 1953.

A cidade onde a força industrial convive com paisagens naturais preservadas e atraí olhares
A cidade equilibra vida urbana e campo, funcionando como base para produtores de soja e milho da região // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

A selva de pedra com 10 mil anos de ocupação humana

A Cidade de Pedra, dentro do Parque Ecológico João Basso, é um complexo rochoso de cerca de mil hectares com torres de arenito esculpidas pela erosão ao longo de milhões de anos. O cenário lembra arranha-céus naturais em pleno cerrado.

Pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, em parceria com o Museu de História Natural de Paris, estudam o local há mais de 30 anos. Já foram encontrados mais de 25 mil artefatos, incluindo cerâmicas, pinturas rupestres e vestígios de fogueiras com datação de até 10 mil anos. O sítio arqueológico Ferraz Egreja, também na região, registra sinais de ocupação de pelo menos 5 mil anos, conforme dados do IBGE.

Formações rochosas de até 100 metros de altura guardam pinturas rupestres e artefatos de civilizações que habitaram o cerrado milênios antes da chegada dos europeus. / Imagem ilustrativa

Onde a economia do campo encontra qualidade de vida urbana?

Rondonópolis ocupa o segundo lugar no PIB de Mato Grosso e figura entre as 100 maiores economias municipais do país. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,755, considerado alto e acima da média nacional (0,727). A cidade conta com universidade federal própria, a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), que oferece cursos como Medicina, Engenharia e Psicologia.

O crescimento populacional também impressiona. Entre 2024 e 2025, Rondonópolis cresceu 1,72%, taxa alcançada por apenas 14 cidades brasileiras na faixa de 100 a 500 mil habitantes. A mistura de migrantes nordestinos, paulistas, mineiros, sulistas, japoneses e libaneses moldou uma identidade cultural diversa, que se reflete na gastronomia e nas festas locais.

Rondonópolis é o motor industrial do Mato Grosso e um ponto estratégico que conecta o Brasil. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 35 mil inscritos, e apresenta o desenvolvimento econômico, a infraestrutura e os pontos turísticos da maior potência industrial do interior do estado:

O que fazer em Rondonópolis além do agronegócio?

A cidade oferece opções de lazer que vão de parques urbanos a cachoeiras escondidas no cerrado. Algumas atrações ficam a poucos minutos do centro.

  • Parque Ecológico João Basso: mais de 3.600 hectares de formações rochosas, trilhas e sítios arqueológicos. Abriga a Cidade de Pedra.
  • Horto Florestal: pista de caminhada, academia ao ar livre e contato com fauna silvestre, como macacos e jabutis.
  • Casario: conjunto de 24 casas de adobe e alvenaria que contam a história da cidade desde 1930. Funciona como espaço cultural com shows de MPB e exposições.
  • Museu Municipal Rosa Bororo: acervo sobre a passagem do Marechal Rondon e a cultura indígena da região.
  • Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras a 55 km do centro, com hospedagem em chalés rústicos e área de camping.
  • Parque do Escondidinho: mirante, fonte interativa e uma das maiores pistas de skate da região.
pinturas rupestres e vestígios de fogueiras com datação de até 10 mil anos. / Imagem ilustrativa

Leia também: Antigo coração econômico do Brasil Império, essa “Cidade dos Barões” já produziu a maior parte do café do mundo.

Quando visitar a capital do agronegócio mato-grossense?

O clima é tropical, com duas estações bem definidas. A seca favorece trilhas e cachoeiras. A Exposul, maior feira agropecuária do interior de Mato Grosso, acontece em agosto e já soma mais de 50 edições.

VERÃO
DEZ – FEV
23-34°C
Chuva alta. É o momento perfeito para se refrescar nos rios e praias fluviais da região.
OUTONO
MAR – MAI
20-32°C
Chuva média. A paisagem se transforma com um verde intenso, ideal para trilhas.
INVERNO
JUN – AGO
15-30°C
Chuva baixa. Estação da Exposul e clima firme para visitar as cachoeiras da região.
PRIMAVERA
SET – NOV
22-36°C
Chuva média. Calor intenso ideal para curtir parques e mirantes com o céu azul de MT.

Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo.

A cidade onde a força industrial convive com paisagens naturais preservadas e atraí olhares no Centro-Oeste
Rondonópolis possui o segundo maior PIB de Mato Grosso e lidera o ranking estadual de exportações, exportando mais que muitos estados brasileiros graças à força do agro. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Como chegar a Rondonópolis saindo de Cuiabá?

Rondonópolis fica a 210 km de Cuiabá pela BR-364, cerca de 2h30 de carro. A cidade também está no cruzamento com a BR-163, que liga o norte ao sul do país. O Aeroporto de Rondonópolis (ROO) recebe voos regionais e facilita o acesso para quem vem de outros estados.

Uma cidade que cresce sobre 5 mil anos de história

Rondonópolis é rara por conciliar vestígios arqueológicos milenares, uma economia entre as mais fortes do Centro-Oeste e um cotidiano de cidade média com parques, universidade e gastronomia diversa. A força do campo convive com formações rochosas que já serviam de abrigo muito antes de qualquer fronteira agrícola.

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Você precisa conhecer Rondonópolis e pisar no mesmo cerrado que povos antigos habitaram há milhares de anos, agora cercado por uma cidade que não para de crescer.

Tags: Mato GrossoRondonópolis
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