Um imperador construiu uma cidade inteira para erguer o palácio de veraneio que a família imperial usaria por décadas. Petrópolis nasceu do gosto pessoal de Dom Pedro II pela Serra Fluminense e guarda o único palácio imperial de veraneio das Américas.
Da Fazenda do Córrego Seco à Cidade Imperial
A história começa em 1830, quando Dom Pedro I comprou a Fazenda do Córrego Seco na Serra Fluminense. O imperador viera da Europa e sofria com o calor do Rio de Janeiro. A fazenda foi herdada pelo filho, Dom Pedro II, que planejou ali um refúgio de verão em clima ameno.
A construção do Palácio Imperial começou em 1845 e se estendeu por 17 anos. O projeto neoclássico exigiu materiais importados da Europa e mão de obra escravizada. Dom Pedro II não quis apenas um palácio: encomendou também o traçado urbano de toda a cidade, planejada pelo engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler.
Petrópolis foi fundada oficialmente em 16 de março de 1843. Segundo a Prefeitura de Petrópolis, a cidade se tornou residência oficial de verão da família imperial e recebeu o apelido de Cidade Imperial. Foi a primeira do Brasil a ter uma estrada pavimentada ligando-a à capital do Império.

O que ver no acervo do maior museu imperial do país?
O Museu Imperial, instalado no antigo Palácio de Verão, é um dos museus mais visitados do Brasil. O acervo reúne obras, joias, mobiliário original e objetos pessoais dos imperadores, distribuídos em dois andares onde os visitantes usam pantufas para preservar o piso original.
- Coroa de Dom Pedro II: feita em 1841 para a sagração do imperador, tem armação em ouro cravejada com 639 diamantes e 77 pérolas. Fica na Sala das Joias.
- Traje Majestático: manto imperial de 20 kg usado por Dom Pedro II na coroação, reaberto à visitação como parte das celebrações do bicentenário do imperador.
- Pena de ouro e rubis: instrumento com o qual a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 1888, dando fim oficial à escravidão no Brasil.
- Cetro imperial: peça criada para a sagração de Dom Pedro I, mantida ao lado das joias mais preciosas do acervo.
- Pavilhão das Viaturas: abriga a carruagem de gala fabricada na Inglaterra e a locomotiva original da Estrada de Ferro Mauá, primeira ferrovia do país.
- Jardins do Palácio: projetados pelo paisagista francês Jean-Baptiste Binot em parceria com o próprio Dom Pedro II, com lagos e esculturas em bronze.
O que fazer além do Museu Imperial?
A cidade guarda um circuito completo de casarões e palacetes tombados. As atrações se concentram no centro histórico e podem ser feitas a pé em uma tarde, com paradas gastronômicas ao longo do caminho.
- Palácio de Cristal: estrutura de ferro e vidro presente da França à Princesa Isabel, inaugurado em 1884 e hoje palco de exposições e eventos.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: templo em estilo neogótico que abriga o Mausoléu Imperial com os restos mortais de Dom Pedro II, Teresa Cristina, Princesa Isabel e do conde Gastão de Orleans.
- Casa de Santos Dumont: apelidada de A Encantada, foi projetada pelo próprio inventor da aviação e reflete seu senso de humor, com escada em degraus alternados que exigem começar sempre com o pé direito.
- Palácio Rio Negro: residência oficial de verão dos presidentes da República entre 1903 e 1998, hoje aberto à visitação.
- Palácio Amarelo: sede da Câmara Municipal, exemplo do ecletismo europeu do fim do século XIX.
- Cervejaria Bohemia: primeira cervejaria do Brasil, fundada em 1853, oferece tour interativo com degustação e história.

Uma cozinha de altitude com herança alemã e cervejarias artesanais
A gastronomia da Cidade Imperial reflete a colonização alemã e o clima serrano. Os restaurantes e cafés se concentram no centro histórico, em Itaipava e ao longo da estrada que sobe a serra.
- Chocolate quente: tradição das tardes frias da serra, servido em chocolaterias e cafeterias com bolos e tortas de origem europeia.
- Fondue e raclette: pratos típicos do inverno da serra, servidos em restaurantes de perfil europeu no centro e em Itaipava.
- Culinária alemã: eisbein, chucrute e salsichas em casas históricas como a Casa do Alemão, herança da colonização germânica do século XIX.
- Cervejas artesanais: além da Bohemia, novas cervejarias artesanais aproveitam o clima frio e a água da serra para produção premiada.
- Festival Petrópolis Gourmet: evento anual que reúne dezenas de chefs em torno da culinária local, com edições que atraem gastrônomos do Sudeste.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima de altitude garante temperaturas amenas o ano inteiro. O inverno é seco, com noites frias e alta procura por fondue e lareira. O verão traz chuvas frequentes, mas manhãs claras e ideais para trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Cidade Imperial saindo do Rio?
Petrópolis fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, com viagem de aproximadamente 1h30 fora do horário de pico. A subida da serra é uma das mais famosas do Sudeste, com mirantes ao longo do caminho.
Ônibus regulares saem da Rodoviária Novo Rio em horários frequentes e chegam ao centro histórico em duas horas. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital fluminense, com voos domésticos diários e transfer direto até a cidade.
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Suba a serra e conheça a única cidade imperial das Américas
A Cidade Imperial guarda em uma tarde o acervo histórico mais completo do Império brasileiro, com palácios, jardins, museus e o mausoléu que reúne os últimos monarcas do país. Poucos destinos do Sudeste combinam patrimônio, gastronomia serrana e natureza preservada a menos de duas horas da capital fluminense.
Você precisa conhecer Petrópolis e pisar no mesmo palácio onde Dom Pedro II guardava a coroa de 639 diamantes que ostentou por 41 anos no trono do Brasil.










