A Procrastinação é um fenômeno comum no cotidiano, frequentemente mal interpretado como simplesmente preguiça ou desorganização. Entretanto, ela envolve um processo mental complexo no qual o cérebro busca evitar o desconforto associado a tarefas difíceis ou tediosas. Em vez disso, opta por atividades mais prazerosas e de recompensa imediata, como verificar redes sociais ou preparar um café. Esse comportamento decorre de um conflito interno entre duas áreas cerebrais distintas: o sistema límbico, que é emocional e impulsivo, e o córtex pré-frontal, que é mais racional e responsável por planejamento e controle.
Estudos indicam que quando o sistema límbico domina, há uma tendência a adiar tarefas importantes, mesmo que isso provoque sentimentos subsequentes de culpa. De acordo com o Journal of Neuroscience, essa Procrastinação pode ser vista como um curto-circuito emocional, onde há uma desconexão entre o “eu presente” e o “eu futuro”. O indivíduo reconhece a necessidade de completar uma tarefa, mas a falta de urgência e a perspectiva distante das consequências levam o cérebro a priorizar um alívio emocional imediato. Por isso, o hábito pode resultar em aumento de estresse quando as tarefas acumuladas finalmente requerem atenção.
Por que o cérebro escolhe procrastinar?

Entre os fatores que impulsionam a Procrastinação estão o medo do fracasso ou do julgamento, a falta de clareza sobre como iniciar uma tarefa, a ausência de recompensas imediatas e questões de autoestima ou autocrítica excessiva. Com frequência, esses elementos são exacerbados pela liberação de dopamina no cérebro. Quando uma tarefa é adiada, realizar uma atividade mais prazerosa alimenta o hábito, uma vez que o cérebro recebe uma descarga desse neurotransmissor, associado à sensação de bem-estar.
Como superar a Procrastinação de maneira eficaz?
A boa notícia é que a Procrastinação não é um comportamento imutável. Fortalecer o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e autocontrole, pode ajudar a interromper esses padrões. Algumas estratégias incluem dividir grandes tarefas em passos menores e mais gerenciáveis, estabelecer prazos limite ou prazos intermediários para evitar a última hora e eliminar distrações do ambiente próximo, como notificações eletrônicas. Além disso, praticar a autoempatia pode aliviar a autopressão, reconhecendo que a Procrastinação é um sinal de desconforto e não uma falha de caráter.
Quais técnicas podem ajudar a reduzir a Procrastinação?
Pode-se utilizar métodos como o “enfoque dos 5 minutos”, proposto por especialistas de Stanford, que consiste em iniciar uma tarefa pelo menos por cinco minutos. Essa abordagem incentiva o início da atividade, ativando o córtex pré-frontal e ajudando a desmantelar a barreira inicial que muitas vezes impede o progresso. Outro método eficiente é visualizar as consequências positivas de concluir a tarefa, permitindo uma conexão mais clara com o “eu futuro” e promovendo a motivação intrínseca.
Ao compreender os mecanismos internos da Procrastinação e aplicar estratégias deliberadas para envolvimento ativo com as tarefas, é possível não apenas reduzir a tendência de procrastinar, mas também desenvolver abordagens mais resilientes e produtivas para a gestão do tempo e das responsabilidades diárias. Desta forma, é possível transformar a Procrastinação de um adversário invisível em um desafio gerenciável e superar as barreiras que ela impõe ao progresso pessoal e profissional.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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