Um poeta comparou o reflexo do céu no Rio Tubarão ao azul da paisagem e batizou a cidade para sempre. Tubarão completou 250 anos em 2024 e reúne o berço da Heroína de Dois Mundos, a ferrovia pioneira do estado e águas termais que jorram a 38°C na Cidade Azul.
Do cacique feroz à Cidade Azul dos poetas
A história começa em 1774, com a doação de duas sesmarias ao capitão João da Costa Moreira, considerado o fundador da cidade. O lugar era conhecido como Paragem do Poço Grande e servia de parada aos tropeiros que desciam da serra com queijo e charque para trocar por sal, peixe seco e tecidos no porto de Laguna.
O nome vem do tupi-guarani Tubá-Nharõ, que significa pai feroz, em homenagem a um cacique influente que habitava a região. O município foi oficialmente criado em 27 de maio de 1870, quando a Lei Provincial nº 635 desmembrou o território de Laguna.
O apelido de Cidade Azul veio depois, cunhado pelo escritor e político catarinense Virgílio Várzea. Segundo a Prefeitura de Tubarão, o autor descreveu o rio serpenteando entre montanhas azuladas e batizou a cidade em versos: “o rio passa, serpenteando, e no seu rastro de prata, banha a cidade azul”.

O que fazer no berço de Anita Garibaldi?
A cidade nasceu em 1821 na atual Laguna, mas passou a infância e adolescência no atual território tubaronense. O roteiro histórico combina monumentos, museus e o casario antigo do centro, todos caminháveis a partir do rio.
- Memorial Anita Garibaldi: erguido em 1932 pelo governo italiano no local onde nasceu a Heroína de Dois Mundos. É o único monumento em Santa Catarina a conter o emblema fascista, resquício da política italiana da época.
- Casa Huberto Rohden: palacete neoclássico de 1897, também conhecida como Casa da Cidade. Construída para a família do coronel João Cabral de Mello, foi tombada em 1984 e homenageia o filósofo tubaronense Huberto Rohden.
- Ponte Pênsil de Tubarão: inaugurada em 1934, é uma das mais antigas pontes suspensas do Brasil. Ligou o norte e o sul da cidade sobre o Rio Tubarão por décadas.
- Casario Histórico: fachadas coloridas ao longo da margem do rio, herança dos imigrantes portugueses açorianos, italianos e alemães que colonizaram a região a partir do século XVIII.
- Catedral Diocesana Nossa Senhora da Piedade: templo moderno ao lado da Torre da Gratidão, monumento erguido em homenagem a quem ajudou a cidade a se reconstruir depois da enchente de 1974.
- Morro da Antena: mirante natural a 4 km do centro, com vista da cidade, das praias vizinhas e da Serra Geral. Palco de voo livre e parapente.
Um dos maiores acervos de Maria Fumaça da América Latina
A Estrada de Ferro Dona Thereza Christina foi concluída em 1884 e virou a pioneira da então Província de Santa Catarina, com 112 km de extensão. A concessão veio do Visconde de Barbacena para transportar o carvão de pedra das minas do interior até o Porto de Imbituba. Em 1906, a sede administrativa da companhia foi transferida para Tubarão.
O Museu Ferroviário de Tubarão é um dos poucos do gênero no Brasil e o único em Santa Catarina. Preserva 28 locomotivas históricas vindas da Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e da antiga Tchecoslováquia, produzidas entre 1912 e 1956.
O passeio turístico ferroviário ainda funciona. Locomotivas a vapor Maria Fumaça saem em datas marcadas e cruzam a paisagem entre a serra e o mar, passando por Imbituba, Laguna, Jaguaruna, Criciúma e Urussanga, em um dos roteiros de trem histórico mais completos do sul do país.

Águas que jorram a 38°C no vale catarinense
Tubarão é uma das capitais das estâncias hidrominerais do estado. As fontes brotam naturalmente aquecidas entre 36°C e 38°C e canalizam a água para hotéis, balneários e piscinas em contato com a mata nativa.
As Termas da Guarda ficam a 12 km do centro, com hotéis que mantêm as características de antigas casas de fazenda e oferecem balneários com banheiras individuais. Já as Termas do Rio do Pouso ficam a 16 km, com hotel-fazenda, piscinas de água mineral e opções de lazer para famílias.
A vizinha Gravatal, a 23 km, completa o circuito termal com parque aquático e outros hotéis dedicados ao turismo de bem-estar. É um dos roteiros mais tradicionais do sul catarinense fora da alta temporada de praia.
Uma cozinha entre serra, mar e imigração europeia
A gastronomia local reflete a mistura entre a colonização açoriana e as levas de imigrantes italianos e alemães que chegaram a partir de 1870. Os restaurantes se concentram no centro histórico e nas rotas termais.
- Peixes e frutos do mar do litoral: heranças da imigração açoriana, com tainha na telha e camarão à moda catarinense servidos em restaurantes tradicionais.
- Massas italianas caseiras: nhoque, lasanha e ravióli em cantinas que atravessam gerações, marcas dos imigrantes que colonizaram Tubarão a partir da década de 1870.
- Café colonial: mesa farta com pães, geleias e queijos coloniais servida em fazendas do bairro rural do Rio do Pouso.
- Café tubaronense: tradição de cafeterias e confeitarias no centro, servido com quitutes doces que misturam as três colonizações europeias.
- Cerveja artesanal do sul catarinense: produção regional que aproveita a herança germânica, com rótulos de cervejarias das cidades vizinhas.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. O verão é quente e chuvoso, ideal para as praias do litoral próximo. O inverno é seco e ameno, perfeito para as águas termais e os passeios de Maria Fumaça.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade Azul catarinense?
Tubarão fica às margens da BR-101, a 133 km de Florianópolis e a 65 km de Criciúma. Ônibus regulares saem do Terminal Rita Maria, na capital catarinense, com viagem de cerca de 2h30.
O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, a 30 km, com voos das principais companhias aéreas. O Aeroporto Internacional de Florianópolis fica a 155 km e é uma opção para quem vem de outros estados. A Serra do Rio do Rastro, considerada uma das estradas mais impressionantes do Brasil, fica a 78 km.
A cidade que Virgílio Várzea chamou de azul
Poucos destinos do sul do país reúnem 250 anos de história, o berço de uma heroína italiana e um dos maiores acervos ferroviários da América Latina a 30 minutos das águas termais. Tubarão prova que dá para viajar no tempo sem sair do vale catarinense.
Você precisa conhecer Tubarão e caminhar pela mesma margem do rio que o poeta Virgílio Várzea descreveu como o rastro de prata da Cidade Azul.










