O Rio Tubarão corta o centro urbano e reflete o céu aberto do sul catarinense, característica que ajudou a consolidar o apelido de “Cidade Azul”. Localizada no sul de Santa Catarina e próxima da BR-101, Tubarão combina herança ferroviária, presença de águas termais e a ligação estratégica entre o litoral e a serra, formando um cenário que vai além da imagem de cidade de passagem.
De tropeiros aos trilhos: como Tubarão se formou no sul catarinense
O nome Tubarão não tem relação com o animal marinho, mas é associado ao termo de origem tupi “Tubá-Nharô”, ligado à força do rio que atravessa a região. O povoamento começou a se intensificar no século XVIII, quando tropeiros utilizavam o vale como rota entre o litoral e a serra, transportando produtos como charque e queijo em direção a Laguna e outras áreas do litoral sul.
A mudança mais significativa veio com a Estrada de Ferro Dona Thereza Christina, inaugurada em 1884, que impulsionou o escoamento do carvão mineral e consolidou o papel econômico da cidade. A Prefeitura de Tubarão, no século XX, Tubarão enfrentou a enchente de 1974, considerada a maior tragédia de sua história, que inundou grande parte da área urbana e marcou profundamente a memória coletiva. A reconstrução posterior deu origem a símbolos locais de superação, como a Torre da Gratidão, construída em homenagem à mobilização da população no período pós-desastre.

O que visitar na Cidade Azul?
Tubarão combina patrimônio ferroviário, águas termais e um centro histórico com casarões coloridos à beira do rio. A maioria das atrações fica a poucos minutos do centro.
- Museu Ferroviário de Tubarão: acervo com mais de 40 mil itens, locomotivas restauradas e oficina mecânica em funcionamento. O museu organiza os passeios de trem que partem da cidade. Mais informações no site do Museu Ferroviário.
- Passeio de Maria Fumaça: uma locomotiva alemã de 1954 puxa seis vagões pelos trilhos da Ferrovia Tereza Cristina. As rotas levam a Laguna, Imbituba, Urussanga e Criciúma, com degustações e apresentações a bordo.
- Casarões do Centro Histórico: fachadas coloniais em cores vibrantes ligadas por um deck à beira do rio. O conjunto preserva a influência dos imigrantes europeus.
- Ponte Pênsil: inaugurada em 1934, é uma das mais antigas pontes suspensas para pedestres do Brasil. Liga as margens norte e sul do Rio Tubarão.
- Museu Willy Zumblick: obras do pintor catarinense que retratou a cultura e a paisagem do sul do estado. Entrada gratuita.
- Catedral Diocesana: dedicada a Nossa Senhora da Piedade, erguida no ponto mais alto da cidade, com vitrais e vista panorâmica.
O vídeo do canal “Cidades do Interior” apresenta uma visão detalhada sobre como é viver em Tubarão, Santa Catarina, destacando-a como um importante polo regional no sul do estado.
Banho a 37 °C a poucos quilômetros do centro
Tubarão está inserida em uma região marcada por fontes de águas termais naturais, aquecidas pelo subsolo e utilizadas há décadas para fins de relaxamento e bem-estar. Estâncias como a da Guarda e o Termas do Rio do Pouso ficam a poucos quilômetros do centro urbano e oferecem piscinas e banhos em águas que emergem em torno de 37 °C, atraindo visitantes em busca de descanso e terapias naturais. A vizinha Gravatal amplia esse circuito termal, com estruturas que incluem hotéis, spas e parques aquáticos integrados à paisagem local.
Tainha na taquara e o sabor do litoral catarinense
A gastronomia de Tubarão reflete a forte presença da cultura açoriana e italiana no sul de Santa Catarina, criando uma culinária marcada por sabores tradicionais e ingredientes regionais. Entre os pratos mais característicos está a tainha na taquara, preparada lentamente dentro de bambus sobre o fogo, técnica que preserva o sabor e a suculência do peixe típico da região.
Outro destaque é o pastel de berbigão, comum em feiras e estabelecimentos próximos ao rio e ao centro da cidade. Os restaurantes locais também valorizam frutos do mar frescos vindos do litoral, além de massas artesanais e vinhos da serra catarinense, formando uma identidade gastronômica que une tradição pesqueira e herança europeia..

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A porta de entrada para a serra e o litoral
A localização de Tubarão transforma a cidade em base para explorar o sul catarinense. A Serra do Rio do Rastro, considerada uma das estradas mais impressionantes do Brasil, fica a 78 km. Laguna, terceira cidade mais antiga de Santa Catarina, está a 31 km. Jaguaruna, com dunas e praias pouco exploradas, fica a 21 km. Urussanga, com vinícolas e herança italiana, está a 54 km. É possível combinar todos esses destinos em roteiros de três a cinco dias tendo Tubarão como ponto de partida.
Quando o clima favorece cada passeio?
O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. O rio que dá nome à cidade reflete o azul do céu nos dias de sol, justificando o apelido de Cidade Azul.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade Azul?
Tubarão está localizada a cerca de 146 km de Florianópolis, com acesso principal pela BR-101 em um trajeto de aproximadamente 1h40 de carro. O município também conta com o Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, situado a cerca de 30 km do centro, que facilita o deslocamento de quem chega de outras regiões do país. Para maior oferta de voos, o Aeroporto Internacional de Florianópolis, a aproximadamente 155 km, é a principal alternativa.
A partir da cidade, o uso de carro é o meio mais prático para explorar os atrativos da região, incluindo estâncias termais, áreas rurais e o acesso à serra catarinense e ao litoral sul. A malha rodoviária bem estruturada torna Tubarão um ponto de conexão estratégico entre diferentes paisagens do estado.
A cidade que sobreviveu às águas e virou símbolo de reconstrução
Tubarão carrega uma história marcada por transformação e resistência, visível nos trilhos antigos, nos casarões preservados e na relação constante com o Rio Tubarão. Após enfrentar a maior enchente de Santa Catarina em 1974, a cidade passou por um amplo processo de reconstrução urbana, reorganizando seus espaços e reforçando sua identidade regional.
Hoje, o município recebe visitantes com uma combinação de memória histórica e experiências turísticas ligadas às águas termais e ao patrimônio ferroviário. O som da antiga Maria Fumaça e os traços da colonização permanecem como parte viva da paisagem, ajudando a contar a história de uma cidade que se reinventou sem perder suas origens.










