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Início Cidades

A cidade catarinense que exporta proteína animal para mais de 100 países e leva apenas 15 minutos de casa a qualquer trabalho

Por Maura Pereira
19/03/2026
Em Cidades, Turismo
Essa cidade produziu 588 mil toneladas de carne em 2025 e exporta proteína animal para mais de 80 países

Chapecó é a maior cidade catarinense no interior do estado. / Imagem ilustrativa

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O nome vem da língua kaingang e significa “donde se avista o caminho da roça”. Hoje, a roça virou indústria global. Chapecó é a maior cidade catarinense no interior do estado, capital da agroindústria brasileira e um lugar onde o churrasco do domingo tem razão de existir.

De pouso de tropeiros a capital da proteína

Quando foi criado em 1917, o município de Chapecó ocupava quase todo o oeste catarinense, cerca de 14 mil km². Colonizado por descendentes de italianos e alemães vindos do Rio Grande do Sul, o território se desenvolveu a partir de pousos de tropeiros que cruzavam o Caminho das Missões, aberto por volta de 1845 com a ajuda do cacique kaingang Condá.

Na década de 1950 surgiram os primeiros frigoríficos. Nos anos 1960, Chapecó já era referência em processamento de carnes. A cidade é sede da Cooperativa Central Aurora Alimentos, fundada em 1969, e abriga unidades da BRF. Segundo o IBGE, o município é o maior produtor de proteína suína do país. Os produtos da região chegam a mais de 100 países.

A cidade catarinense que exporta proteína animal para mais de 100 países e leva apenas 15 minutos de casa a qualquer trabalho
Chapecó destaca-se como maior produtor de proteína suína do país e importante centro educacional regional. // Créditos: Wikimedia Commons

Como é o dia a dia na capital do Oeste?

Chapecó tem 282 mil habitantes (estimativa IBGE 2025), IDH de 0,790 (alto) e PIB per capita de R$ 69.153. Um dado que resume o cotidiano: o morador leva, em média, entre 6 e 30 minutos para ir de casa ao trabalho. A cidade foi planejada com traçado em xadrez, ruas largas e bairros bem conectados.

A economia se diversificou nas últimas décadas. Setores de tecnologia, saúde, metal-mecânico e educação crescem ao lado das agroindústrias. A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Unochapecó atraem estudantes de todo o oeste catarinense e do sudoeste do Paraná. O Aeroporto Serafin Enoss Bertaso opera voos regulares para São Paulo e Florianópolis.

O que fazer entre feiras e cachoeiras?

Chapecó combina atrativos urbanos com natureza no entorno do Vale do Rio Uruguai.

  • Arena Condá e Memorial da Chape: o estádio da Associação Chapecoense de Futebol tornou-se local de peregrinação após a tragédia aérea de 2016. A Chape, heptacampeã catarinense, é paixão da cidade.
  • Ecoparque: principal área verde urbana, com pistas de caminhada, lagos e infraestrutura de lazer.
  • Monumento O Desbravador: escultura que representa o gaúcho com machado e louro, cartão-postal e símbolo da identidade local.
  • Museu de História e Arte de Chapecó (MHAC): instalado na antiga prefeitura, preserva o acervo sobre a colonização e os povos indígenas da região.
  • Trilha do Pitoco: no interior do município (Goio-Ên), com cachoeiras e natureza preservada no Vale do Rio Uruguai.

A EFAPI que movimenta o Oeste inteiro

A EFAPI (Exposição-Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Chapecó) é uma das maiores feiras multissetoriais do Sul do Brasil. Realizada no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves, considerado um dos melhores do Sul, a feira atrai expositores e visitantes de todo o país. O calendário ainda inclui a Mercoagro (feira internacional do setor de carnes), a Würstfest (festa da salsicha) e a Festa da Colonização Italiana.

A cidade catarinense que exporta proteína animal para mais de 100 países e leva apenas 15 minutos de casa a qualquer trabalho
Cidade abriga a Universidade Federal da Fronteira Sul e o Shopping Pátio Chapecó, polo de consumo estadual. // Créditos: YouTube @ad.drones.4

Costelão fogo de chão e tortéi colonial

A mesa chapecoense reflete a colonização e a força da agroindústria.

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  • Costelão fogo de chão: presença garantida nos eventos comunitários e churrascarias. A carne é o centro da refeição.
  • Tortéi e massas artesanais: herança italiana que aparece nos restaurantes do centro e nas cantinas rurais.
  • Salames e frios coloniais: produzidos em galpões do interior, vendidos nas feiras e mercados.
  • Café colonial: mesas fartas com cucas, pães, geleias e embutidos, tradição das famílias de origem germânica e italiana.
  • Cerveja artesanal: cervejarias como a Bellbrück oferecem rótulos autorais harmonizados com tábuas de frios sob parreirais.

Leia também: O arranha-céu mais alto da América do Sul fica cercado por vinícolas e pela Cordilheira dos Andes.

Quando o clima favorece cada atividade?

O clima é subtropical, com invernos rigorosos (geadas frequentes) e verões quentes.

Sazonalidade e condições para atividades em Chapecó
Análise climática detalhada para planejamento de roteiros no Oeste Catarinense: agronegócio, ecoturismo e gastronomia
Estação
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
☀️ Verão
Dez-Fev
18-32°C
Alta
Explorar trilhas, visitar as cachoeiras da região e frequentar feiras ao ar livre.
🍂 Outono
Mar-Mai
12-25°C
Média
Acompanhar a EFAPI (quando realizada) e aproveitar o roteiro gastronômico local.
❄️ Inverno
Jun-Ago
5-18°C
Baixa
Saborear cafés coloniais, visitar cervejarias e assistir jogos na Arena Condá.
🌺 Primavera
Set-Nov
13-27°C
Média
Passear no Ecoparque e participar de eventos culturais sob o clima da estação.
Dica: O inverno em Chapecó oferece o céu mais limpo do ano, ideal para roteiros gastronômicos e visitas ao interior para conhecer a força do agro.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Onde se avista o caminho da roça, a maior cidade do interior de Santa Catarina produz proteína para o mundo
O centro de Chapecó concentra boa parte das atrações, acessíveis a pé. / Imagem ilustrativa

Como chegar ao coração do Oeste catarinense?

Chapecó fica a 557 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 6 horas de carro. De Curitiba, são aproximadamente 500 km pela BR-153. A fronteira com a Argentina (Bernardo de Irigoyen) está a 203 km. O aeroporto recebe voos regulares e a rodoviária conecta a cidade a destinos de todo o Sul e Sudeste.

A cidade que alimenta o mundo sem perder o sotaque

Chapecó é uma cidade que cresceu embalada pelo trabalho dos frigoríficos e pelo cooperativismo dos colonos, mas não perdeu o chimarrão da manhã, o salame no galpão nem a torcida pelo Verdão do Oeste. Tem força de metrópole e tempo de deslocamento de cidade pequena, feiras internacionais e café colonial na mesma semana.

Você precisa conhecer Chapecó e entender como uma cidade que avista o caminho da roça se tornou a capital de uma indústria que alimenta mais de 100 países.

Tags: chapecóSanta Catarina
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