Quem viaja para o sudoeste de Mato Grosso do Sul sempre ouve falar de Bonito. A vizinha Bodoquena, a 70 km dali, guarda uma queda d água de 156 metros e uma plataforma de rapel que avança no vazio.
Por que a maior cachoeira do MS fica longe dos holofotes?
A Cachoeira Boca da Onça despenca por 156 metros de queda livre dentro do Cânion do Rio Salobra. O nome veio de uma formação rochosa no meio da queda que lembra o focinho de uma onça pintada.
O atrativo foi eleito a 2ª melhor atração do Brasil no Prêmio Travelers Choice 2025 da TripAdvisor. Mesmo com tanto reconhecimento, a cidade sede do atrativo ainda recebe uma fração dos turistas que lotam Bonito durante o ano.

O parque nacional escondido entre cerrado e Mata Atlântica
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena ocupa 76.481 hectares entre os municípios de Bodoquena, Bonito e Jardim. Foi criado em 2000 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A área foi declarada núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO e abriga a maior extensão contínua desse bioma no interior do país. O relevo cárstico, formado por rochas calcárias, explica por que os rios da região têm aquela transparência rara: o carbonato de cálcio retém impurezas e as deposita no fundo das águas.
O vídeo do canal “Cidades & Cia” apresenta um panorama completo de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, destacando seu apelido de “Suíça Brasileira” e sua relevância econômica e turística.
O que fazer em Bodoquena além da queda mais alta?
A serra reúne trilhas, cânions e piscinas naturais que cabem em diferentes níveis de aventura. A maior parte dos atrativos exige condutor credenciado pelo ICMBio.
- Trilha Adventure: 4 km na Fazenda Boca da Onça, com 8 cachoeiras, 5 paradas para banho e os famosos 886 degraus.
- Rapel da Boca da Onça: 90 metros de descida na maior plataforma do Brasil, projetada 15 metros sobre o precipício.
- Cachoeiras Serra da Bodoquena: 8 paradas em piscinas naturais e passeio de bote pelo Rio Betione, ideal para famílias.
- Cânion do Rio Salobra: aquatrekking dentro do Parque Nacional, com paredões que ultrapassam 100 metros e águas azul turquesa.
- Buraco do Macaco: gruta acessada por um túnel de 5 metros, com colete e corda de apoio.
O sabor de fogão a lenha no almoço dos receptivos
A cozinha local segue a tradição sul-mato-grossense, com pratos preparados em fogão a lenha dentro das próprias fazendas. O cardápio mistura influências do Pantanal e do interior paulista trazido pelos primeiros fazendeiros.
- Piraputanga grelhada: peixe nativo dos rios da serra, servido com farofa de banana e arroz branco.
- Costela de fogo de chão: corte assado lentamente em espeto vertical, marca do receptivo da Boca da Onça.
- Mandioca cozida com queijo Minas: acompanhamento clássico das fazendas da região.
- Sobá pantaneiro: macarrão de origem japonesa adaptado ao MS, servido em algumas pousadas.

Leia também: Uma cidade gaúcha onde flamingos chilenos pousam após voar 8 mil km e o sol nasce no oceano.
Qual a melhor época para visitar a serra?
A região tem clima tropical com verão úmido e inverno seco. As cachoeiras ficam mais cheias entre dezembro e março, e as trilhas mais limpas entre maio e setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à porta de entrada do Pantanal sul-mato-grossense?
Bodoquena fica a 265 km de Campo Grande, capital do estado, e a 70 km de Bonito pela MS-178. A cidade não tem aeroporto comercial.
O caminho mais comum é desembarcar no Aeroporto de Campo Grande (CGZ) ou no Aeroporto de Bonito (BYO) e seguir de carro alugado, transfer ou ônibus da Viação Andorinha. Boa parte dos visitantes se hospeda em Bonito e faz bate-volta pelos atrativos da serra.
Vá conhecer a serra que ainda cabe num final de semana
A combinação de cachoeira gigante, parque nacional e cidade pequena é rara no turismo brasileiro. Bodoquena tem o tamanho certo para quem quer aventura sem multidão e gastronomia sem badalação.
Você precisa atravessar a fronteira invisível entre Bonito e a vizinha discreta para entender por que a serra que dá nome à cidade carrega tantos recordes em silêncio.










