Em 1744, desbravadores que seguiam pelo Rio Paraíba do Sul notaram que o rio fazia uma curva tão fechada que formava quase um U. Dois séculos depois, esse acidente geográfico emprestou o nome a uma das cidades mais importantes do interior fluminense. Volta Redonda carrega no DNA a história da industrialização brasileira e entrega hoje uma qualidade de vida que surpreende quem associa a Cidade do Aço apenas às chaminés.
Do acordo de guerra à maior siderúrgica da América Latina
A construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começou em 9 de abril de 1941, fruto dos chamados Acordos de Washington. O Brasil ofereceu uma base militar em Natal para os aliados na Segunda Guerra Mundial, e em troca recebeu financiamento do governo americano para erguer a usina. Operários migraram de todas as regiões do país para o canteiro de obras, apelidados de “arigós”, conforme registros da Prefeitura de Volta Redonda.
A usina começou a produzir aço em 1946. A construção de Brasília, os metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo e a Avenida Atlântica consumiram aço saído daqui. Volta Redonda se emancipou de Barra Mansa em 1954 e, desde então, constrói uma identidade que vai além da siderurgia. A CSN planejou a cidade nos moldes de uma company town: moradia, escola, hospital e áreas de lazer para os trabalhadores. Esse planejamento sobreviveu à privatização da empresa, em 1993.

Como é morar na Cidade do Aço?
Volta Redonda reúne cerca de 279 mil habitantes e apresenta IDH de 0,771, entre os quatro maiores do estado do Rio de Janeiro, segundo o IBGE. A herança da CSN explica parte desse resultado: bairros como Vila Santa Cecília e Aterrado mantêm ruas arborizadas, ciclovias e praças bem cuidadas.
O ensino superior conta com o Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) e um campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), que atraem estudantes de toda a região. O custo de vida é mais acessível que o da capital, e a proximidade com Angra dos Reis (110 km) e Penedo amplia as opções de lazer nos fins de semana.
Volta Redonda é o coração industrial do Sul Fluminense. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, com 63 mil inscritos, e detalha a CSN, o Zoológico Municipal e a Vila Santa Cecília: 63 mil inscritos.
O que conhecer além das chaminés?
A cidade guarda mais verde do que o apelido industrial sugere. Parques, um zoológico gratuito e espaços culturais ocupam boa parte do perímetro urbano.
- Zoológico Municipal (Zoo-VR): único zoológico público e gratuito do interior do estado, com 150 mil m² de área em meio à Mata Atlântica. Abriga cerca de 377 animais de 105 espécies, incluindo onça-pintada e macaco-aranha. Recebe cerca de 6 mil visitantes por mês.
- Parque Natural Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá: 211 hectares de Mata Atlântica com trilhas ecológicas dentro do perímetro urbano.
- Floresta da Cicuta: remanescente de Mata Atlântica no entorno do zoológico, com fauna e flora preservadas.
- Museu da CSN: primeiro museu voltado à siderurgia no Brasil, com máquinas, fotos e documentos que contam a história da usina e dos operários.
- Vila Santa Cecília: bairro planejado pela CSN, com praças, comércio variado e vida noturna concentrada em um raio de poucas quadras.

Feijão tropeiro e influência mineira à mesa
A proximidade com Minas Gerais marca a gastronomia local. Os restaurantes do centro e do Aterrado servem pratos que misturam tradição fluminense e mineira.
- Feijão tropeiro: prato presente em praticamente todos os restaurantes de comida caseira da cidade.
- Doce de leite e queijos artesanais: herança direta dos vizinhos mineiros, vendidos no Mercado Popular e em feiras de bairro.
- Cachaças regionais: produzidas em alambiques do Vale do Paraíba, com rótulos que aparecem nas barracas do Mercado Popular.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
A altitude de 390 metros e o vale do Paraíba criam um clima tropical ameno. O inverno é seco e fresco, ideal para passeios culturais. O verão é quente, com chuvas concentradas à tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade do Aço?
Volta Redonda fica a 130 km do Rio de Janeiro e a 320 km de São Paulo, com acesso direto pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116). O trajeto desde a capital fluminense leva cerca de 1h40. Ônibus intermunicipais partem do Rio com frequência ao longo do dia. A cidade não possui aeroporto comercial, mas o Aeroporto do Galeão é a opção mais próxima para quem chega de avião.
Uma cidade que se reinventou em aço e verde
Volta Redonda converteu a riqueza industrial em ruas arborizadas, universidades e um zoológico gratuito encravado na Mata Atlântica. A Cidade do Aço que Getúlio Vargas ergueu para fabricar chapas hoje fabrica, também, qualidade de vida no interior fluminense.
Você precisa caminhar pela Vila Santa Cecília, visitar o zoológico com as crianças e sentir como uma cidade forjada no aço aprendeu a ser leve.










