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Início Cidades

A “Cidade dos Príncipes” que é a maior de Santa Catarina e abriga a única unidade da famosa escola russa fora da Rússia

Por Maura Pereira
10/09/2026
Em Cidades, Turismo
A maior cidade de SC é a "Manchester Catarinense" que abriga o único Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do planeta

Joinville é a maior cidade de Santa Catarina e encanta pelo seu forte legado cultural, sendo mundialmente reconhecida como a "Cidade da Dança". / Imagem ilustrativa

Palmeiras imperiais com mais de 150 anos ainda marcam a entrada de um dos museus mais antigos do norte de Santa Catarina. É uma imagem que combina bem com Joinville, onde a história da cidade aparece lado a lado com uma vida cultural que ultrapassou as fronteiras brasileiras e chegou até Moscou.

De que maneira uma princesa está ligada à origem de Joinville?

O território que daria origem a Joinville entrou para a história por meio de um casamento da família imperial. Em 1843, a princesa Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I, se casou com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans, conhecido como príncipe de Joinville, e recebeu como parte do dote as terras localizadas no norte catarinense. O processo de colonização começou em 1851, quando imigrantes vindos da Alemanha, Suíça e Noruega chegaram a bordo da barca Colon e estabeleceram a Colônia Dona Francisca. Um ano depois, o núcleo passou a adotar o nome Joinville, inspirado no título do príncipe, que nunca chegou a visitar a cidade batizada em sua homenagem.

A ligação com a realeza ajudou a formar uma identidade que permanece nos diferentes apelidos atribuídos ao município. Joinville, maior cidade de Santa Catarina, ficou conhecida como Cidade dos Príncipes e Cidade das Flores, enquanto atualmente ostenta também o título oficial de Capital Nacional da Dança, concedido em 2016 pela Lei Federal 13.314.

A maior cidade de SC é a "Capital Nacional da Dança" que abriga o único Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do planeta
Joinville é a maior cidade de Santa Catarina, reconhecida pela indústria e cultura vibrante. // Créditos: YouTube @GuilhermeSpengler

Quais atrações conhecer em Joinville além da dança?

O roteiro por Joinville vai muito além dos eventos ligados à dança. O centro histórico concentra construções e museus, enquanto áreas de Mata Atlântica e comunidades rurais ampliam o passeio para quem prefere natureza, história ou gastronomia. Muitos dos principais pontos ficam próximos e podem ser combinados no mesmo dia.

  • Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC): funciona na Maison de Joinville, casarão construído em 1870 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1939. O acervo ultrapassa 5 mil peças relacionadas à imigração no Sul do Brasil, e a entrada é gratuita.
  • Alameda Brustlein: as palmeiras imperiais plantadas em 1873, a partir de sementes trazidas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, formam um dos cenários mais conhecidos da cidade e são bastante procuradas para ensaios fotográficos.
  • Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: única unidade da companhia russa instalada fora de Moscou, funciona em Joinville desde 2000. As visitas acontecem mediante agendamento, enquanto a instituição oferece formação de bailarinos com bolsa integral pelo método Vaganova.
  • Mirante de Joinville: situado a 250 metros de altitude, em uma área preservada de Mata Atlântica, possui plataforma de observação com visão panorâmica de 360 graus para a cidade e a Baía da Babitonga.
  • Estrada Bonita: o percurso passa por propriedades rurais, estabelecimentos de gastronomia colonial, cervejarias artesanais e paisagens serranas. Em julho, a rota também recebe o Festival de Inverno.
  • Museu do Sambaqui: reúne mais de 100 mil peças provenientes de 41 sítios arqueológicos e apresenta vestígios deixados por povos que viveram na região há aproximadamente 4.700 anos.

Como Joinville se tornou palco do maior festival de dança do mundo?

Quando chega julho, o movimento muda completamente em Joinville. Hotéis, cafés e espaços públicos passam a receber bailarinos, professores e grupos vindos de diferentes lugares para participar do Festival de Dança de Joinville. O evento entrou para o Guinness World Records em 2002 como o maior festival de dança do mundo em número de participantes. Em 2025, foram 15 mil bailarinos inscritos e mais de 200 mil pessoas acompanharam a programação ao longo de aproximadamente duas semanas.

O evento combina a tradicional Mostra Competitiva com apresentações de companhias brasileiras e estrangeiras, cursos, uma das maiores feiras temáticas de dança da América do Sul e atrações gratuitas em diferentes pontos da cidade. A Noite de Abertura e a Noite de Gala ocupam o Centreventos Cau Hansen, complexo que também abriga a Escola do Teatro Bolshoi. Em 2025, a programação ganhou ainda o Museu da Dança, apresentado como o único espaço do gênero na América do Sul nessas proporções, com teatro para 220 pessoas e uma exposição interativa.

A maior cidade de SC é a "Capital Nacional da Dança" que abriga o único Bolshoi fora da Rússia e o maior festival de dança do planeta
Em Joinville, desfrute parques, zoológico e eventos culturais únicos que celebram a diversidade. // Créditos: depositphotos.com / paulosezio

Qual a gastronomia típica da Cidade dos Príncipes?

A herança alemã e suíça chegou à mesa e ficou. Padarias, bistrôs e cervejarias espalhados pelo centro mantêm receitas trazidas pelos primeiros colonos no século XIX.

  • Chineque: variação local do pão doce, presença obrigatória nas padarias e cafés do centro.
  • Cuca: bolo de origem alemã com farofa açucarada, sabor mais comum nas casas de joinvilenses do que qualquer bolo industrializado.
  • Rollmops: peixe em conserva temperado, herança da culinária escandinava e alemã dos colonos noruegueses e germânicos.
  • Cervejas artesanais: Joinville é berço de cervejarias com reconhecimento nacional; a tradição segue viva em rótulos da Estrada Bonita e da Rua Visconde de Taunay.
  • Marreco assado: prato típico da região, celebrado com festival próprio na Estrada Bonita durante o inverno.

Quando ir e o que esperar do clima em Joinville?

O apelido carinhoso de “Chuville” não é exagero. A cidade tem chuvas ao longo de todo o ano, com picos no verão. O guarda-chuva é item de bagagem obrigatório em qualquer época. Julho concentra o maior evento cultural e também o clima mais ameno.

VERÃO
DEZ – FEV
22-31°C
Chuva muito alta. Ideal para praias vizinhas e passeios de barco na Baía da Babitonga.
OUTONO
MAR – MAI
17-28°C
Chuva média. Explore o centro histórico, os museus e a beleza rural da Estrada Bonita.
INVERNO
JUN – AGO
13-22°C
Chuva baixa. Época do Festival de Dança, gastronomia colonial e vista do Mirante.
PRIMAVERA
SET – NOV
17-28°C
Chuva média/alta. Festa das Flores, jardins em flor e passeio pela Alameda Brustlein.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A “Cidade dos Príncipes”, a 176 km de Florianópolis, cresce ao lado da capital e conquista novos moradores pela qualidade de vida
Caminhe pela Rua das Palmeiras e sinta a história viva de Joinville: palmeiras centenárias e arquitetura que inspiram orgulho e conexão com a natureza. / Imagem Ilustrativa

Leia também: A Califórnia Brasileira tem água de 230 mil anos na torneira e o 1º lugar em qualidade de vida no Brasil.

Quais são as formas mais práticas de chegar a Joinville?

Pela BR-101, Joinville está a 130 km de Curitiba e a 180 km de Florianópolis, trajetos que levam aproximadamente 2 horas de carro. Para quem prefere viajar de avião, o Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola fica a apenas 13 km do centro e recebe voos diretos de São Paulo e Campinas. Já o transporte rodoviário conta com saídas frequentes das rodoviárias de Curitiba e Florianópolis ao longo do dia.

Por que Joinville merece mais tempo no roteiro?

A experiência vai muito além de uma parada rápida. Joinville reúne herança imperial, museus tombados, uma das mais importantes escolas de balé do mundo e estradas rurais onde a gastronomia típica divide espaço com cervejarias artesanais. No centro, palmeiras plantadas há mais de um século e meio ainda acompanham o caminho até um dos principais museus da cidade.

Vale reservar alguns dias para perceber a dimensão dessa história. Uma cidade que surgiu a partir de um dote de casamento acabou se transformando, com o passar dos anos, na capital mundial da dança, sem abandonar as marcas deixadas pelos imigrantes e pela paisagem que ajudou a construir sua identidade.

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Tags: JoinvilleSanta Catarina
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