Palmeiras imperiais com mais de 150 anos ainda marcam a entrada de um dos museus mais antigos do norte de Santa Catarina. É uma imagem que combina bem com Joinville, onde a história da cidade aparece lado a lado com uma vida cultural que ultrapassou as fronteiras brasileiras e chegou até Moscou.
De que maneira uma princesa está ligada à origem de Joinville?
O território que daria origem a Joinville entrou para a história por meio de um casamento da família imperial. Em 1843, a princesa Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I, se casou com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans, conhecido como príncipe de Joinville, e recebeu como parte do dote as terras localizadas no norte catarinense. O processo de colonização começou em 1851, quando imigrantes vindos da Alemanha, Suíça e Noruega chegaram a bordo da barca Colon e estabeleceram a Colônia Dona Francisca. Um ano depois, o núcleo passou a adotar o nome Joinville, inspirado no título do príncipe, que nunca chegou a visitar a cidade batizada em sua homenagem.
A ligação com a realeza ajudou a formar uma identidade que permanece nos diferentes apelidos atribuídos ao município. Joinville, maior cidade de Santa Catarina, ficou conhecida como Cidade dos Príncipes e Cidade das Flores, enquanto atualmente ostenta também o título oficial de Capital Nacional da Dança, concedido em 2016 pela Lei Federal 13.314.

Quais atrações conhecer em Joinville além da dança?
O roteiro por Joinville vai muito além dos eventos ligados à dança. O centro histórico concentra construções e museus, enquanto áreas de Mata Atlântica e comunidades rurais ampliam o passeio para quem prefere natureza, história ou gastronomia. Muitos dos principais pontos ficam próximos e podem ser combinados no mesmo dia.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC): funciona na Maison de Joinville, casarão construído em 1870 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1939. O acervo ultrapassa 5 mil peças relacionadas à imigração no Sul do Brasil, e a entrada é gratuita.
- Alameda Brustlein: as palmeiras imperiais plantadas em 1873, a partir de sementes trazidas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, formam um dos cenários mais conhecidos da cidade e são bastante procuradas para ensaios fotográficos.
- Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: única unidade da companhia russa instalada fora de Moscou, funciona em Joinville desde 2000. As visitas acontecem mediante agendamento, enquanto a instituição oferece formação de bailarinos com bolsa integral pelo método Vaganova.
- Mirante de Joinville: situado a 250 metros de altitude, em uma área preservada de Mata Atlântica, possui plataforma de observação com visão panorâmica de 360 graus para a cidade e a Baía da Babitonga.
- Estrada Bonita: o percurso passa por propriedades rurais, estabelecimentos de gastronomia colonial, cervejarias artesanais e paisagens serranas. Em julho, a rota também recebe o Festival de Inverno.
- Museu do Sambaqui: reúne mais de 100 mil peças provenientes de 41 sítios arqueológicos e apresenta vestígios deixados por povos que viveram na região há aproximadamente 4.700 anos.
Como Joinville se tornou palco do maior festival de dança do mundo?
Quando chega julho, o movimento muda completamente em Joinville. Hotéis, cafés e espaços públicos passam a receber bailarinos, professores e grupos vindos de diferentes lugares para participar do Festival de Dança de Joinville. O evento entrou para o Guinness World Records em 2002 como o maior festival de dança do mundo em número de participantes. Em 2025, foram 15 mil bailarinos inscritos e mais de 200 mil pessoas acompanharam a programação ao longo de aproximadamente duas semanas.
O evento combina a tradicional Mostra Competitiva com apresentações de companhias brasileiras e estrangeiras, cursos, uma das maiores feiras temáticas de dança da América do Sul e atrações gratuitas em diferentes pontos da cidade. A Noite de Abertura e a Noite de Gala ocupam o Centreventos Cau Hansen, complexo que também abriga a Escola do Teatro Bolshoi. Em 2025, a programação ganhou ainda o Museu da Dança, apresentado como o único espaço do gênero na América do Sul nessas proporções, com teatro para 220 pessoas e uma exposição interativa.

Qual a gastronomia típica da Cidade dos Príncipes?
A herança alemã e suíça chegou à mesa e ficou. Padarias, bistrôs e cervejarias espalhados pelo centro mantêm receitas trazidas pelos primeiros colonos no século XIX.
- Chineque: variação local do pão doce, presença obrigatória nas padarias e cafés do centro.
- Cuca: bolo de origem alemã com farofa açucarada, sabor mais comum nas casas de joinvilenses do que qualquer bolo industrializado.
- Rollmops: peixe em conserva temperado, herança da culinária escandinava e alemã dos colonos noruegueses e germânicos.
- Cervejas artesanais: Joinville é berço de cervejarias com reconhecimento nacional; a tradição segue viva em rótulos da Estrada Bonita e da Rua Visconde de Taunay.
- Marreco assado: prato típico da região, celebrado com festival próprio na Estrada Bonita durante o inverno.
Quando ir e o que esperar do clima em Joinville?
O apelido carinhoso de “Chuville” não é exagero. A cidade tem chuvas ao longo de todo o ano, com picos no verão. O guarda-chuva é item de bagagem obrigatório em qualquer época. Julho concentra o maior evento cultural e também o clima mais ameno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: A Califórnia Brasileira tem água de 230 mil anos na torneira e o 1º lugar em qualidade de vida no Brasil.
Quais são as formas mais práticas de chegar a Joinville?
Pela BR-101, Joinville está a 130 km de Curitiba e a 180 km de Florianópolis, trajetos que levam aproximadamente 2 horas de carro. Para quem prefere viajar de avião, o Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola fica a apenas 13 km do centro e recebe voos diretos de São Paulo e Campinas. Já o transporte rodoviário conta com saídas frequentes das rodoviárias de Curitiba e Florianópolis ao longo do dia.
Por que Joinville merece mais tempo no roteiro?
A experiência vai muito além de uma parada rápida. Joinville reúne herança imperial, museus tombados, uma das mais importantes escolas de balé do mundo e estradas rurais onde a gastronomia típica divide espaço com cervejarias artesanais. No centro, palmeiras plantadas há mais de um século e meio ainda acompanham o caminho até um dos principais museus da cidade.
Vale reservar alguns dias para perceber a dimensão dessa história. Uma cidade que surgiu a partir de um dote de casamento acabou se transformando, com o passar dos anos, na capital mundial da dança, sem abandonar as marcas deixadas pelos imigrantes e pela paisagem que ajudou a construir sua identidade.




