Foi na Fazenda São Paulo, em 1803, que nasceu Luís Alves de Lima e Silva, militar que posteriormente receberia o título de Duque de Caxias e se tornaria patrono do Exército Brasileiro. Passados dois séculos, o município batizado em sua homenagem reúne uma das maiores refinarias do país, um teatro assinado por Oscar Niemeyer e áreas de Mata Atlântica preservada em meio a uma população de mais de 800 mil pessoas.
Como a região passou do Caminho do Ouro à criação do município?
Os primeiros registros de ocupação remontam ao século XVI, período em que sesmarias foram distribuídas nas margens dos rios Meriti, Sarapuí e Iguaçu. Construída em 1720, a Igreja Nossa Senhora do Pilar, com características barrocas semelhantes às encontradas em Minas Gerais, assinalava o início do Caminho Novo, trajeto utilizado para transportar o ouro mineiro até o porto do Rio de Janeiro. O templo é tombado pelo IPHAN.
A redução da importância dos portos fluviais, seguida pela chegada da ferrovia no século XIX, levou a região a um período de decadência. Já no século XX, a Estrada de Ferro Leopoldina voltou a conectar o território, até que, em 31 de dezembro de 1943, o distrito deixou de pertencer a Nova Iguaçu e foi emancipado, dando origem oficialmente ao município de Duque de Caxias.

O que sustenta a força econômica de Duque de Caxias?
Com aproximadamente 808 mil moradores, Duque de Caxias ocupa a terceira posição entre os municípios mais populosos do Rio de Janeiro, segundo o IBGE (Censo 2022). O PIB per capita chega a R$ 86.700, ficando acima da média estadual. Entre os principais motores dessa economia está a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC), instalada na década de 1960, uma das maiores unidades do sistema Petrobras e responsável por uma parcela significativa do processamento de gás natural do país.
A presença da refinaria também ajudou a formar um parque industrial com cerca de 810 indústrias e 10 mil estabelecimentos comerciais. Outro fator importante é a localização estratégica: o município está a 17 km do centro do Rio, é atravessado pela Rodovia Washington Luís (BR-040) e pelo Arco Metropolitano, além de ficar próximo do Aeroporto Tom Jobim. Em 2021, a Firjan apontou a cidade como a maior exportadora do estado. Mesmo com esse peso econômico, ainda existem desafios relacionados ao saneamento, à mobilidade e à segurança, que continuam entre as prioridades dos investimentos públicos.
Na Baixada Fluminense, a cidade aparece como a terceira mais populosa do estado do Rio de Janeiro. O vídeo do canal Manu.viagens e curiosidades, que possui cerca de 5 mil inscritos, mostra pontos históricos, a feira dominical e a relevância industrial de Duque de Caxias:
Onde a natureza preservada divide espaço com a cidade?
Apesar da forte presença industrial, Duque de Caxias mantém mais de 50% de seu território como área verde. Nos terceiro e quarto distritos, Imbariê e Xerém, ainda existem trechos de Mata Atlântica preservada no sopé da Serra dos Órgãos, com cachoeiras, trilhas e fauna silvestre.
- Parque Natural Municipal da Taquara: área de 20,8 hectares de mata, com cachoeiras, lagos e trilhas ecológicas. É habitat do mico-leão-dourado, redescoberto na região em 2006. Funciona de terça a domingo, das 8h às 16h.
- Centro Cultural Oscar Niemeyer: localizado na Praça do Pacificador, abriga o Teatro Municipal Raul Cortez, inaugurado em 2006 e com capacidade para 440 pessoas, além da Biblioteca Municipal. O palco possui o formato “Boca pra Fora”, voltado para a praça e permitindo apresentações ao ar livre.
- Museu Ciência e Vida: único planetário de cúpula fixa da Baixada Fluminense, oferece exposições interativas relacionadas à física e à astronomia.
- Museu Histórico de Duque de Caxias: instalado na antiga Fazenda São Paulo, local onde nasceu o Pacificador, reúne armas da época, utensílios domésticos e exposições sobre a ocupação regional.
- Quadra da Grande Rio: a tradicional escola de samba do carnaval carioca realiza ensaios e eventos que atraem milhares de visitantes.

Feira de domingo e sabores da Baixada
A tradicional feira livre do centro, realizada aos domingos nas ruas José de Alvarenga e Nilo Peçanha, é uma das maiores do estado. Barraqueiros vendem de tudo: frutas, temperos, roupas, eletrônicos e comida de rua preparada na hora.
- Comida de feira: pastel de camarão, espetinho, caldos e tapioca dividem espaço com açaí servido em tigelas generosas.
- Gastronomia de Xerém: restaurantes do distrito servem pratos caseiros com ingredientes da roça, aproveitando a proximidade com a serra.
- Samba e boteco: Xerém é reduto de lendas do samba carioca e mantém bares com roda ao vivo nos fins de semana.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
O clima tropical traz verões quentes e úmidos e invernos amenos. Os distritos de Imbariê e Xerém registram temperaturas mais baixas pela proximidade com a serra.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Quais são os caminhos para chegar a Duque de Caxias?
Partindo do Rio de Janeiro, o município está a 17 km do centro, com acesso pela Avenida Brasil ou pela Linha Vermelha. A BR-040 (Washington Luís) atravessa a cidade e estabelece ligação com Petrópolis e Juiz de Fora. Já os trens da SuperVia fazem o trajeto entre o centro de Caxias e a Central do Brasil em aproximadamente 40 minutos. O Aeroporto Tom Jobim (Galeão) está localizado a menos de 20 km.
Entre uma economia marcada por um PIB bilionário e os desafios de uma metrópole em transformação, Duque de Caxias reúne cenários bastante diferentes. A refinaria divide espaço com cachoeiras, enquanto a feira dominical e o teatro de Niemeyer mostram outras faces da cidade e ajudam a revelar uma Baixada Fluminense que vai além do que costuma aparecer no noticiário.
Para compreender essa diversidade, vale cruzar a ponte sobre o Meriti, seguir até a Taquara para encontrar uma cachoeira cercada pela Mata Atlântica e retornar à cidade a tempo de acompanhar um espetáculo na Praça do Pacificador. É nesse contraste entre natureza, cultura e atividade econômica que Duque de Caxias mostra sua identidade.




