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A cidade que deu nome ao estado inteiro: Rio Grande tem a maior praia do mundo e carrinhos a vela sobre o mar

Por Maura Pereira
29/08/2026
Em Cidades, Turismo
A cidade que deu nome ao estado inteiro: Rio Grande tem a maior praia do mundo e carrinhos a vela sobre o mar

A capital foi transferida para Viamão e depois para Porto Alegre. / Imagem ilustrativa

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Na margem sul da Lagoa dos Patos, onde a água doce encontra o Atlântico, está a cidade que originou o Rio Grande do Sul. Fundada como forte militar em 1737, Rio Grande hoje combina centro histórico português, engenharia oceânica monumental e uma faixa de areia que o Guinness registrou como a mais longa do planeta.

Um forte contra os espanhóis que virou a primeira capital gaúcha

Em 19 de fevereiro de 1737, o Brigadeiro José da Silva Paes ergueu o Forte Jesus, Maria e José na barra que liga a Lagoa dos Patos ao oceano. O objetivo era garantir a posse portuguesa das terras ao sul, disputadas com a Espanha. O presídio militar cresceu rápido e virou vila em 1751, tornando-se a primeira capital da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Em 1763, os espanhóis invadiram a vila e permaneceram por 13 anos. A capital foi transferida para Viamão e depois para Porto Alegre. Mesmo sem recuperar o título, Rio Grande manteve sua vocação portuária. A Praça Tamandaré, maior praça do interior do estado, abriga o túmulo do General Bento Gonçalves, líder da Revolução Farroupilha.

Com 254 km de areia, a maior praia do mundo impressiona no Rio Grande do Sul em uma cidade com quase 300 anos de história
Rio Grande é a cidade mais antiga do território gaúcho, fundada em 1737 por ordens da coroa portuguesa para garantir a posse das terras ao sul. / Créditos: Wikipedia

Por que a Praia do Cassino entrou no livro dos recordes?

Porque sua faixa de areia se estende por mais de 240 km sem interrupção, dos Molhes da Barra até a fronteira com o Uruguai. O Guinness Book registrou o feito em 1994. A Secretaria de Turismo do RS mantém a Praia do Cassino como o principal balneário do litoral sul gaúcho.

No Cassino, carros estacionam na beira do mar e famílias montam churrasqueiras na areia dura. O balneário, que funciona quase como uma cidade à parte, recebe mais de 150 mil turistas no verão. A estátua de Iemanjá, esculpida pelo artista rio-grandino Érico Gobbi, é o cartão-postal mais fotografado.

O que visitar na Noiva do Mar além da praia?

Rio Grande distribui suas atrações entre o centro histórico, o balneário e a zona rural. Algumas exigem veículo próprio.

  • Molhes da Barra: paredões de pedra que avançam até 4,5 km mar adentro, construídos entre 1909 e 1915 com 4,5 milhões de toneladas de rocha. O passeio de vagonetas, carrinhos movidos a vela sobre trilhos, é Patrimônio Cultural do estado.
  • Museu Oceanográfico (FURG): acervo de moluscos, esqueletos de baleias e aquários com fauna marinha local e antártica. Mantido pela Universidade Federal do Rio Grande, referência nacional em oceanografia.
  • Catedral de São Pedro: a mais antiga do estado, erguida no centro histórico onde se concentram também o prédio da Alfândega e a Praça Xavier Ferreira, com chafariz do século XIX.
  • Navio Altair: cargueiro encalhado desde 1976 após uma tempestade, a 16 km ao sul da estátua de Iemanjá. Acessível por veículo na areia.
  • Estação Ecológica do Taim: reserva de 32.806 hectares administrada pelo ICMBio, com banhados, dunas e mais de 250 espécies de aves. Designada Sítio Ramsar em 2017. Visitação por agendamento.

Qual o sabor do extremo sul gaúcho?

A gastronomia de Rio Grande mistura herança açoriana e fartura do mar. Peixes e frutos do mar frescos chegam diariamente à Doca do Mercado, às margens da Lagoa dos Patos.

  • Camarão rosa da Lagoa dos Patos: servido frito, ao bafo ou em casquinhas, é o ingrediente mais celebrado da cidade.
  • Anchova assada: peixe da temporada de inverno, preparado na brasa com acompanhamento de farinha e salada.
  • Siri mole: especialidade das bancas do mercado, empanado e frito na hora.
  • Arroz de carreteiro: herança tropeira presente nos restaurantes do centro, feito com charque desfiado e temperos regionais.

Leia também: Com estilo europeu, uma cidade fundada em 1860 lidera o mercado têxtil e se destaca pelos altos índices de bem-estar e qualidade de vida.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

Rio Grande tem verões quentes e invernos frios e úmidos. O vento é constante e pode derrubar a sensação térmica mesmo em dias de sol.

VERÃO
DEZ – FEV
18-30 °C
Chuva média. Curta o Cassino, vagonetas e kitesurf.
OUTONO
MAR – MAI
12-24 °C
Chuva média. Ideal para o centro histórico e museus.
INVERNO
JUN – AGO
7-17 °C
Chuva média. Foco em gastronomia e aves no Taim.
PRIMAVERA
SET – NOV
12-24 °C
Chuva média. Explore as trilhas e praias fluviais.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Rio Grande carrega quase três séculos de vida portuária, uma reserva ecológica reconhecida internacionalmente e o horizonte mais longo que uma praia pode oferecer. / Créditos: Wikipédia

Como chegar à cidade mais antiga do Rio Grande do Sul?

Rio Grande fica a 335 km de Porto Alegre pela BR-392, cerca de 4h de carro. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Pelotas, a 60 km. Do centro da cidade ao Balneário Cassino são 22 km pela Avenida Atlântica. A travessia de balsa para São José do Norte, pelo canal da Lagoa dos Patos, leva 30 minutos e rende a melhor vista panorâmica do porto.

Conheça a cidade onde tudo começou no extremo sul

Rio Grande carrega no nome a origem de um estado inteiro e, na paisagem, contrastes que não se repetem em nenhum outro ponto do litoral brasileiro. Do forte português ao navio encalhado na areia, da vagoneta a vela ao banhado repleto de cisnes, a Noiva do Mar recompensa quem aceita ir além da Serra Gaúcha.

Você precisa pisar na areia do Cassino, sentir o vento nos Molhes e entender por que Rio Grande é o começo de tudo no sul do Brasil.

Tags: rio grandeRio Grande do Sul
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