Pouca gente sabe que a queda d’água mais alta do Mato Grosso do Sul não fica em Bonito. Fica em Bodoquena, vizinha menos famosa que abriga a única unidade de conservação federal do estado e um complexo de cachoeiras escondidas na mata.
O portal de entrada do Pantanal escondido na serra
Bodoquena fica no sudoeste sul-mato-grossense, a 264 km de Campo Grande e a 70 km de Bonito. O nome vem do tupi-guarani e significa “nascente em cima da serra”. A cidade integra um circuito turístico com Bonito, Jardim, Miranda e Porto Murtinho, e funciona como um dos principais acessos ao Pantanal.
O relevo calcário da Serra da Bodoquena cria um fenômeno raro: tufas calcárias que esculpem cachoeiras e barragens naturais. Por causa dessa formação, os rios da região mantêm transparência quase total, sem turbidez visível.

O que protege o Parque Nacional da Serra da Bodoquena?
Criado em 21 de setembro de 2000, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena tem cerca de 76.481 hectares e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É a única unidade de conservação federal do estado e abrange também Bonito, Jardim e Porto Murtinho.
A área protege onças-pintadas, pumas, antas e o cascudo-cego, peixe endêmico que só existe nas grutas locais. O parque registra mais de 340 espécies de aves, 195 de mamíferos e 50 de peixes, e funciona como núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal declarada pela Unesco.
Como é a trilha até a Cachoeira Boca da Onça?
A Cachoeira Boca da Onça tem 156 metros de queda livre, segundo a Secretaria de Turismo de Bonito, e é a mais alta do Mato Grosso do Sul. O nome vem de uma formação rochosa na queda que lembra a boca de um felino.
O atrativo fica em uma fazenda particular dentro do município de Bodoquena, a cerca de 60 km de Bonito. A trilha principal tem 4 km, passa por oito cachoeiras e cinco paradas de banho, com uma escadaria de 886 degraus no retorno. O complexo também opera o maior rapel de plataforma do Brasil, com 90 metros de altura sobre o cânion do Rio Salobra.

Cachoeiras Serra da Bodoquena e o Rio Betione
A poucos quilômetros do centro da cidade, a Fazenda Cachoeiras Serra da Bodoquena oferece um passeio mais leve e familiar. A trilha de 2,5 km margeia o Rio Betione e leva o visitante por oito quedas com piscinas naturais.
- Cachoeira do Pirralho: rasa e segura, ideal para crianças e visitantes com mobilidade reduzida.
- Passeio de bote: descida pelo leito do Rio Betione até a última cachoeira, fechando a trilha.
- Balneário gramado: área de descanso com tirolesa, caiaque e stand up paddle inclusos.
- Cachoeira do Fantasma: paredão de gruta onde a água desce formando uma silhueta peculiar.
O cânion do Rio Salobra e suas águas turquesa
O Rio Salobra desce a serra entre paredões de calcário que chegam a 100 metros de altura. As águas combinam tons turquesa e verde esmeralda, resultado da pureza dos calcários nas cabeceiras.
O cânion pode ser visto do alto da plataforma de rapel e em mirantes ao longo da Trilha Discovery, percurso de 7 km que margeia o paredão. É um dos pontos mais fotografados da Serra da Bodoquena.

O que se come na mesa bodoquenense?
A culinária mistura raízes pantaneiras, paraguaias e indígenas. Os restaurantes do circuito servem fartura de fazenda, geralmente acompanhada de mandioca, pequi e peixes do Rio Miranda.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de milho, cebola e queijo, servido no café da manhã ou como acompanhamento.
- Chipa: pão de queijo de polvilho, quente, vendido em padarias e nas estradas da região.
- Pacu empanado: peixe típico preparado no fubá ou no coco, presença certa nos almoços de fazenda.
- Farofa de chipa: versão local da farofa, com pedaços de chipa torrada.
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Quando viajar para a Serra da Bodoquena?
A região tem clima tropical com verão chuvoso e inverno seco. As águas cristalinas dependem da estiagem, então o período de maio a setembro costuma render fotos mais nítidas dos rios e cachoeiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bodoquena saindo de Campo Grande?
Bodoquena fica a 264 km de Campo Grande pela BR-060 e MS-345, cerca de 4 horas de carro. Quem chega de avião pousa em Campo Grande ou no aeroporto regional de Bonito e segue pela MS-178, com cerca de 70 km de estrada pavimentada. Há linhas diárias da viação Andorinha saindo da rodoviária da capital.
A vizinha menos famosa de Bonito
Bodoquena reúne o que o turismo de natureza tem de mais raro no Centro-Oeste: a queda d’água mais alta do estado, o único parque nacional do Mato Grosso do Sul e rios com águas que parecem retocadas. Tudo a menos de uma hora de Bonito, mas com a fila bem menor.
Você precisa atravessar a serra e conhecer Bodoquena, a cidade que guarda os 156 metros de água mais impressionantes do Centro-Oeste brasileiro.









