Um prato de origem japonesa acabou se tornando parte da identidade de uma capital brasileira. O sobá, levado para Campo Grande por imigrantes da ilha de Okinawa, ganhou uma preparação própria na cidade e se transformou em um dos principais símbolos de sua cultura gastronômica. A receita também recebeu reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN e hoje integra a identidade da chamada Cidade Morena, considerada a principal porta de entrada para o Pantanal.
De onde veio o apelido Cidade Morena?
A expressão “Cidade Morena” está ligada ao tom avermelhado do solo da região e à maneira como a luz do fim do dia se projeta sobre a paisagem urbana. O apelido ganhou força por influência do arcebispo Dom Aquino Corrêa, que associava a aparência morena das construções ao reflexo produzido pelo solo quente e avermelhado.
A identidade que o apelido passou a representar foi construída ao longo da história de Campo Grande. Fundada em 26 de agosto de 1899, a cidade se desenvolveu entre os córregos Prosa e Segredo, onde hoje está o Horto Florestal. A partir do início do século XX, mineiros, indígenas, paraguaios, libaneses e japoneses, entre outros grupos, contribuíram para formar a diversidade cultural que caracteriza a capital sul-mato-grossense.

Como é o cotidiano de quem mora na Cidade Morena?
A vida em Campo Grande combina a infraestrutura esperada de uma capital com um ritmo menos acelerado do que o encontrado nas maiores metrópoles brasileiras. Mesmo com quase 900 mil habitantes, o município conserva ruas largas, muita arborização e uma rotina relativamente tranquila. No fim da tarde, o tereré gelado, tradição de origem guarani, costuma reunir amigos e familiares, enquanto a Avenida Afonso Pena, com quase 8 km, concentra comércio, parques e serviços públicos ao longo de um dos principais eixos da cidade.
As diferentes culturas que ajudaram a formar a capital também aparecem constantemente na rotina dos moradores. Um mesmo fim de semana pode reunir manifestações da cultura japonesa, apresentações de polca paraguaia e festas sertanejas em diferentes pontos da cidade. Essa convivência entre tradições de origens distintas contribuiu para criar uma identidade própria em Campo Grande, na qual diferentes costumes fazem parte do cotidiano.
Quais sabores representam a gastronomia de Campo Grande?
O sobá ocupa um lugar especial na gastronomia da capital. A receita foi trazida por imigrantes de Okinawa no início do século XX, recebeu adaptações ao paladar brasileiro e posteriormente foi reconhecida pelo IPHAN como bem cultural. Atualmente, há dezenas de estabelecimentos especializados na cidade, além das barracas tradicionais que funcionam na feira.
- Sobá: macarrão servido em caldo com carne, ovo e cebolinha. Um dos endereços mais tradicionais é a Feira Central, localizada no centro.
- Espetinho de carne: encontrado nas barracas da Feira, tornou-se um acompanhamento tradicional para o tereré gelado.
- Chipa: pão de queijo de origem paraguaia, geralmente preparado no formato de ferradura e comercializado pelos chipeiros nas ruas.
- Caldo de piranha: receita de origem ribeirinha ligada à culinária pantaneira e encontrada em restaurantes especializados em pratos regionais.
- Filé de pintado com urucum: preparado com um dos peixes valorizados dos rios do Pantanal e temperado com urucum.
Por que o Bioparque Pantanal entrou no roteiro de Campo Grande?
Entre as atrações mais recentes da capital está o Bioparque Pantanal, considerado o maior aquário de água doce do mundo. Inaugurado em 2022, no Parque das Nações Indígenas, o complexo reúne 5 milhões de litros de água, ocupa 19 mil m² e possui mais de 31 tanques com ambientes que reproduzem diferentes cenários do Pantanal.
A construção foi projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake e oferece entrada gratuita mediante agendamento prévio. Além de apresentar espécies e ambientes aquáticos, o espaço combina turismo, ciência e educação ambiental, com uma visita que pode durar até três horas.
Fora do aquário, outros espaços ajudam a ampliar o roteiro cultural e ambiental da capital. O Memorial da Cultura Indígena, feito com bambu e palha de bacuri, está localizado dentro da Aldeia Marçal de Souza. Já o Parque das Nações Indígenas ocupa uma das maiores áreas verdes urbanas do país e abriga o Museu das Culturas Dom Bosco, que reúne acervos arqueológicos e indígenas.
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Quando viajar para curtir o melhor do Centro-Oeste?
O clima tropical tem duas estações bem marcadas: chuvosa de outubro a março, seca de abril a setembro. O inverno é a melhor época para conhecer o Pantanal a partir da capital.

Uma capital moldada pelo encontro de diferentes culturas
Em Campo Grande, referências indígenas, paraguaias, japonesas e pantaneiras aparecem lado a lado na paisagem e nos costumes. A terra vermelha, o sotaque guarani, o sobá e a tradição do tereré formam uma identidade que também revela a proximidade cultural com o Pantanal, mostrando como diferentes povos ajudaram a construir a capital sul-mato-grossense.
Para sentir essa mistura na prática, um dos caminhos passa pela Feira Central, onde o sobá pode ser servido no balcão e representa a influência dos imigrantes de Okinawa sobre a culinária local. É justamente nessa combinação entre uma receita japonesa, adaptações brasileiras e referências pantaneiras que parte da personalidade de Campo Grande aparece à mesa.




