Entre as preocupações de saúde que costumam aparecer após os 50 anos, a osteoporose ocupa lugar de destaque entre as mulheres. Essa condição se caracteriza pela redução da densidade e da qualidade dos ossos, deixando o esqueleto mais suscetível a fraturas, principalmente em regiões como quadril, coluna e punhos. Em um cenário de envelhecimento populacional cada vez mais evidente, entender como hábitos simples, como o consumo de chá e café, podem influenciar a saúde óssea ganha relevância crescente, como mostrou a pesquisa “A escolha do chá ou do café pode influenciar o risco de osteoporose em mulheres idosas”.
Por que a osteoporose em mulheres exige tanta atenção à saúde óssea
A osteoporose é considerada um problema de saúde pública em vários países, afetando especialmente mulheres após os 50 anos. Estimativas indicam que uma em cada três mulheres acima dessa idade poderá receber esse diagnóstico ao longo da vida, muitas vezes de forma silenciosa, até a ocorrência da primeira fratura.
Um fator central para entender esse risco é a queda dos níveis de estrogênio após a menopausa, hormônio ligado ao metabolismo ósseo. Com sua redução, o organismo passa a perder massa óssea em ritmo mais acelerado, processo que pode ser antecipado por cirurgias que retiram os ovários e por outros fatores, como sedentarismo e baixa ingestão de cálcio.
Fatores que influenciam a saúde óssea ao longo da vida
Além dos hormônios, entram em cena elementos como consumo de cálcio e vitamina D, prática de atividade física, uso de medicamentos, tabagismo e ingestão de álcool. Mais recentemente, o papel de bebidas como chá e café passou a ser investigado como parte desse conjunto de influências diárias sobre os ossos.
Desse modo, a expressão saúde óssea passa a englobar não apenas nutrientes tradicionais, mas também compostos bioativos presentes em hábitos alimentares aparentemente simples. Entender essas interações ajuda a orientar estratégias preventivas voltadas principalmente às mulheres idosas.
Chá faz bem para os ossos segundo as pesquisas atuais
Estudos recentes têm observado que o consumo regular de chá pode estar associado a uma densidade mineral óssea ligeiramente mais elevada em mulheres idosas, sobretudo na região do quadril. Em levantamentos com milhares de participantes, aquelas que bebiam chá com frequência apresentaram valores discretamente superiores em comparação às que não tinham esse hábito.
Uma possível explicação está nos compostos bioativos do chá, como catequinas e flavonoides, conhecidos pela ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses componentes podem influenciar as células da remodelação óssea, favorecendo os osteoblastos, responsáveis pela formação de osso novo, com efeito que, embora modesto, é considerado clinicamente relevante.

Qual é o impacto do chá em mulheres com obesidade
Pesquisadores vêm observando que o possível benefício do chá pode ser ainda mais evidente em mulheres com obesidade. Nesse grupo, alterações metabólicas e inflamatórias crônicas tendem a afetar a qualidade óssea, aumentando o risco de fraturas com o avanço da idade.
Nessas mulheres, qualquer fator que contribua, ainda que de forma modesta, para preservar a densidade mineral óssea ganha importância em estratégias de prevenção. O consumo regular de chá pode atuar como medida complementar, somando-se a ajustes na alimentação, prática de exercícios e controle do peso corporal.
Café enfraquece os ossos em caso de consumo excessivo
O café aparece nos estudos de forma mais ambígua, já que é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Pesquisas indicam que ingestões muito elevadas, especialmente acima de cinco xícaras por dia, podem se associar a menor densidade mineral óssea em algumas regiões, como quadril e fêmur.
Esse possível efeito negativo é atribuído principalmente à cafeína, que pode interferir na absorção de cálcio quando consumida em grande quantidade e em dietas pobres nesse mineral. Em mulheres idosas, que muitas vezes já apresentam ingestão de cálcio insuficiente, esse padrão de consumo pode se tornar um fator adicional de risco para a osteoporose.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Erivelto Volpi:
@dreriveltovolpi O café é parte da rotina de muitos, mas o consumo excessivo pode trazer consequências silenciosas. Estudos mostram que grandes quantidades de cafeína podem aumentar a perda de cálcio pela urina e até interferir na sua absorção — o que, a longo prazo, pode comprometer a saúde dos ossos e favorecer quadros como osteopenia e osteoporose. 💡 Isso não significa que você precisa abandonar o café, mas sim ter moderação, especialmente se já houver histórico de alterações na tireoide ou deficiência de cálcio. 📌 Cuidar da saúde óssea também é papel do endocrinologista. Sua alimentação e seus hábitos fazem toda a diferença! #SaúdeDaTireoide #CálcioEEquilíbrio #Cafeína #Osteoporose #DrEriveltoVolpi
♬ som original – dreriveltovolpi
Como o consumo moderado de café afeta a saúde óssea
Em níveis moderados, o impacto do café sobre a saúde óssea parece ser bem menor e continua sendo investigado em diferentes faixas etárias. Em alguns estudos, consumo moderado, associado a ingestão adequada de cálcio, não mostrou efeitos significativos na densidade mineral óssea.
Esses achados sugerem que o problema não é necessariamente o café em si, mas o excesso de cafeína combinado a outros fatores de risco, como alimentação pobre em cálcio, sedentarismo e tabagismo. Assim, a orientação tende a focar no equilíbrio e na avaliação do contexto geral de saúde.
Como o álcool interage com o consumo de café e a densidade óssea
Alguns estudos observaram uma interação entre o consumo de café e o uso de álcool ao longo da vida. Em mulheres que relataram maior ingestão de bebidas alcoólicas, a associação entre café e redução da densidade óssea no fêmur foi mais evidente e consistente.
Isso sugere que a combinação de hábitos pode potencializar riscos, em vez de atuar de forma isolada. Por isso, ao avaliar a saúde dos ossos, pesquisadores e profissionais de saúde costumam considerar o conjunto do estilo de vida, incluindo padrão alimentar, uso de álcool, prática de atividade física e exposição ao sol.
Como proteger a saúde óssea no dia a dia de forma prática
A relação entre chá, café e osteoporose mostra que escolhas cotidianas podem impactar a estrutura óssea ao longo dos anos, mesmo que de forma discreta. No entanto, especialistas reforçam que o cuidado com os ossos depende de um conjunto de medidas, e não de um único alimento ou bebida isoladamente.
Entre as principais recomendações para fortalecer e manter a saúde óssea, destacam-se estratégias que combinam alimentação, exposição solar, exercícios físicos e controle de fatores de risco. A seguir, alguns cuidados frequentemente indicados em diretrizes de prevenção:
- Manter alimentação rica em laticínios, vegetais verde-escuros e alimentos fortificados em cálcio;
- Garantir exposição solar diária moderada, de acordo com a orientação médica, para síntese de vitamina D;
- Praticar atividades físicas que estimulem o osso, como caminhada, dança e exercícios de resistência;
- Evitar consumo excessivo de álcool e tabaco;
- Realizar exames de densitometria óssea quando indicados, especialmente após os 65 anos;
- Ajustar o consumo de cafeína, preferindo moderação e associando a uma dieta adequada em cálcio.
Em relação às bebidas quentes, os dados disponíveis apontam para um possível papel positivo do chá na manutenção da densidade óssea e para a necessidade de cautela com o consumo exagerado de café. Assim, pequenas escolhas ao longo do dia, como preferir uma xícara de chá em vez de sucessivas doses de café e manter um estilo de vida ativo, podem complementar de forma simples outras estratégias de cuidado com a saúde óssea.








