A Pimenta-Do-Reino, originária da Índia, ocupa um lugar de destaque tanto na culinária quanto na história da humanidade, sendo considerada uma especiaria de alto valor por muitos séculos. Muito além de um simples condimento, seu preço chegou a ser comparável ao de metais preciosos durante a Idade Média. Hoje, sabe-se que seu uso transcende a função de realçar o sabor dos alimentos, estando diretamente associado a benefícios nutricionais amplamente estudados.
Piperina melhora a absorção de nutrientes?
Pesquisas contemporâneas revelam que a Pimenta-Do-Reino contém compostos capazes de otimizar a absorção de nutrientes pelo organismo. Em especial, a piperina, princípio ativo dessa especiaria, atua aumentando a biodisponibilidade de diversos nutrientes, facilitando sua passagem para a corrente sanguínea. Esse mecanismo não apenas potencializa o aproveitamento dos alimentos consumidos, como também pode auxiliar em dietas voltadas à correção de deficiências nutricionais.
Quando associada a alimentos naturalmente ricos em vitaminas e minerais, a Pimenta-Do-Reino pode exercer impacto significativo na saúde, sobretudo em contextos em que a absorção de nutrientes precisa ser cuidadosamente monitorada. Dessa forma, estratégias alimentares que combinam essa especiaria com fontes concentradas de nutrientes despontam como aliadas em planos nutricionais mais eficazes.
Tradições culinárias e ciência: o exemplo do “leite dourado”
Um exemplo marcante da conexão entre práticas ancestrais e a ciência moderna é a preparação do “leite dourado”, bebida tradicional indiana que combina cúrcuma, Pimenta-Do-Reino e leite. Estudos indicam que a presença simultânea de Pimenta-Do-Reino, cúrcuma e uma fonte de gordura, como a do leite, aumenta a absorção de compostos bioativos, em especial a curcumina, presente na cúrcuma.

Essa prática histórica dialoga diretamente com pesquisas atuais que investigam como determinadas combinações de alimentos podem melhorar a biodisponibilidade de nutrientes e compostos funcionais. Assim, receitas tradicionais ganham novo significado à luz da ciência, revelando-se ferramentas valiosas para potencializar benefícios à saúde.
Relevância em condições de má absorção
As descobertas sobre o efeito da pimenta-do-reino e de determinadas combinações alimentares são especialmente importantes para pessoas que enfrentam dificuldades na absorção de nutrientes, como ocorre na síndrome de má absorção. Doenças inflamatórias intestinais, condições hepáticas e pancreatite crônica podem comprometer de maneira significativa a absorção de vitaminas e minerais, tornando a alimentação e a suplementação pontos centrais do cuidado em saúde.
Nesses casos, embora os suplementos nutricionais sejam frequentemente indicados, a forma como são consumidos pode influenciar bastante sua eficácia. Ingeri-los juntamente com refeições que contenham pequenas quantidades de gordura, por exemplo, pode favorecer a absorção de determinados nutrientes, reforçando a importância de um planejamento alimentar adequado.
Molhos, gorduras saudáveis e aproveitamento de nutrientes
Até mesmo a escolha do molho utilizado em saladas pode ir além da preferência de sabor e interferir diretamente na absorção de nutrientes presentes nas hortaliças. Ao optar por molhos preparados com azeite de oliva, por exemplo, cria-se um ambiente favorável para que vitaminas lipossolúveis e outros compostos presentes nos vegetais sejam melhor aproveitados pelo organismo.
Esse princípio está alinhado com padrões alimentares como o da dieta mediterrânea, reconhecida mundialmente pelos seus benefícios à saúde. Nesse contexto, o uso de gorduras de boa qualidade, como o azeite, não apenas enriquece o paladar, mas também aprimora o valor nutricional das refeições.
Conclusão: tradição, ciência e uma dieta mais eficiente
Em síntese, a Pimenta-Do-Reino se destaca não apenas como uma especiaria aromática e versátil, mas também como um recurso capaz de potencializar a absorção de nutrientes dos alimentos. Associada a outros componentes nutricionais, ela apresenta um potencial promissor para apoiar a saúde e o bem-estar, especialmente em situações de risco ou presença de deficiências nutricionais.
Essa característica reforça o papel das tradições culinárias, que muitas vezes antecipam descobertas científicas, e evidencia como o conhecimento atual pode ser aplicado para promover uma alimentação mais saudável, equilibrada e funcional. A integração entre cultura alimentar e ciência nutricional revela, assim, caminhos práticos para melhorar o aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, a qualidade de vida.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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