A saúde do sono tem ganhado destaque na medicina moderna, e um novo achado científico reforça como noites mal dormidas podem impactar o cérebro. A combinação de insônia e apneia do sono, essa condição é chamada de COMISA e revela um risco específico para a memória feminina em idades avançadas, levantando novas questões sobre prevenção e diagnóstico.
O que o estudo revela sobre a COMISA e memória?
A combinação entre insônia e apneia do sono tem despertado atenção por seus efeitos somados no corpo e no cérebro. Segundo estudos apresentados pela PubMed Central, a COMISA está fortemente associada à piora da memória verbal em mulheres mais velhas.
A pesquisa mostrou que, enquanto homens da mesma faixa etária não apresentaram impacto significativo, as mulheres com COMISA tiveram desempenho inferior em testes cognitivos. Essa descoberta reforça a necessidade de incluir a avaliação do sono como parte essencial da rotina de cuidados cerebrais.
Por que mulheres mais velhas são mais afetadas?
Os pesquisadores destacam que biologia, hormônios e padrões de sono variam entre homens e mulheres. O impacto mais forte da COMISA na memória feminina indica que o cérebro das mulheres pode ser mais sensível às interrupções repetidas do sono.
Alterações hormonais associadas ao envelhecimento, como a queda de estrogênio, podem tornar o cérebro feminino menos resiliente aos distúrbios do sono. Isso sugere que, além de tratar apneia ou insônia isoladamente, as duas condições devem ser avaliadas integradamente.

Como o estudo foi conduzido?
A pesquisa publicada no Journal of Clinical Sleep Medicine analisou um grupo de 110 pessoas entre 65 e 83 anos, todas diagnosticadas com apneia obstrutiva do sono. Os participantes passaram por estudos de sono noturno e realizaram testes específicos para avaliar tanto a qualidade do repouso quanto a memória verbal.
Entre eles, 37% apresentavam COMISA — insônia associada à apneia — e, nesse grupo, o desempenho cognitivo das mulheres foi significativamente menor. Já aquelas com apneia isolada não exibiram declínio tão acentuado, reforçando a importância de identificar a coexistência dos distúrbios.
O que diferencia apneia e insônia quando ocorrem juntas?
Embora apneia e insônia possam ocorrer separadamente, sua combinação gera um ciclo prejudicial. A apneia fragmenta o sono por repetidas interrupções respiratórias, enquanto a insônia impede que o corpo entre em fases profundas e restauradoras.
Quando somadas, essas condições diminuem o tempo de sono reparador e potencializam o estresse fisiológico, o que pode afetar diretamente regiões cerebrais envolvidas na memória e na linguagem.
Por que a descoberta muda abordagens clínicas?
Profissionais de saúde frequentemente avaliam cada distúrbio do sono de maneira isolada. O estudo sugere que a abordagem tradicional pode ser insuficiente para identificar riscos cognitivos, principalmente em mulheres acima dos 60 anos.
A especialização no diagnóstico do sono, incluindo exames noturnos completos, pode ajudar a detectar COMISA e prevenir danos cognitivos a longo prazo. O achado reforça a necessidade de estratégias diferenciadas para homens e mulheres.

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Quais são os próximos passos da pesquisa?
Os cientistas afirmam que ainda é preciso entender por que a COMISA afeta mais as mulheres e quais mecanismos cerebrais estão envolvidos. Pesquisas futuras devem explorar como tratamentos personalizados de sono podem proteger a memória e reduzir riscos de declínio cognitivo.
Também será importante investigar se intervenções combinadas — como terapia cognitivo-comportamental para insônia, dispositivos de pressão positiva para apneia e orientações de higiene do sono — podem neutralizar os efeitos da COMISA.
O que essa descoberta representa para o envelhecimento saudável?
Manter um sono de qualidade é essencial para proteger a memória, o humor e o bem-estar ao longo da vida. O estudo reforça que mulheres mais velhas precisam de atenção especial quando relatam sintomas de apneia e insônia combinadas.
Ao reconhecer a COMISA como um risco específico, médicos e pacientes podem agir mais cedo, adotando estratégias eficazes para preservar o desempenho cognitivo e melhorar a qualidade de vida na terceira idade.










