Para muita gente, chegar à praia em Guarujá ainda significa enfrentar fila de balsa ou uma longa volta pela estrada. A cidade fica na Ilha de Santo Amaro, separada de Santos pelo canal do porto, e essa barreira de água definiu por décadas o ritmo de quem mora e de quem visita o litoral paulista. Agora, o governo de São Paulo prepara uma obra inédita no país: um túnel montado com módulos de concreto afundados no leito do canal, que promete mudar a forma de chegar à ilha.
O que é um túnel imerso?
É um túnel que não é escavado na rocha, e sim montado em partes no fundo da água. Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP), a ligação entre Santos e Guarujá será o primeiro túnel imerso do Brasil, construído com módulos fabricados fora do canal e depois submersos no leito do Porto de Santos.
Na prática, a técnica funciona como um grande quebra-cabeça submarino. Grandes blocos de concreto são produzidos em terra firme, levados flutuando até o local e afundados em uma vala preparada no fundo do canal, onde são encaixados um ao outro e vedados. Depois de pronto, o túnel fica coberto e protegido no leito, permitindo que os navios continuem passando por cima enquanto os carros circulam por baixo.

Como é a viagem entre Santos e Guarujá hoje?
Longa para quem vai de carro. De acordo com a PPI-SP, a ligação rodoviária entre as duas cidades tem cerca de 40 km e leva aproximadamente uma hora. A alternativa é a travessia de balsa pelo canal, que depende de filas e horários, especialmente em feriados e no verão.
O próprio governo trata a obra como resposta a um pedido antigo da região. O site oficial do Túnel Santos-Guarujá descreve o projeto como o atendimento a uma demanda centenária da Baixada Santista, que há gerações convive com a dificuldade de cruzar o canal do porto.
O que vai mudar para quem visita Guarujá?
O tempo de viagem e as formas de chegar. Segundo a PPI-SP, a travessia entre Santos e Guarujá deve cair para até cinco minutos. O site oficial informa que a estrutura terá 1,5 km de extensão, dos quais 870 metros ficarão submersos, com três faixas por sentido para veículos, uma faixa exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e passagens para pedestres e ciclistas.
A obra vai além do túnel em si. A PPI-SP prevê intervenções viárias em Santos e Guarujá para melhorar a circulação e preparar as cidades para o novo volume de carros. Para o visitante, isso significa um acesso mais rápido às praias da ilha e a possibilidade de combinar, no mesmo dia, passeios nas duas cidades sem depender da balsa.

O que visitar em Guarujá?
Enquanto o túnel não fica pronto, a ilha segue com seus atrativos tradicionais, que vão das praias de surfe às fortificações coloniais. A Prefeitura de Guarujá e a Prefeitura de Bertioga, que acompanha a candidatura das fortificações paulistas à UNESCO, destacam alguns pontos.
Como a obra do túnel está organizada?
Por meio de uma parceria entre poder público e iniciativa privada. Segundo a PPI-SP, o grupo português Mota-Engil venceu o leilão realizado na B3 em setembro de 2025, e o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) foi assinado em 28 de janeiro de 2026. A empresa será responsável por construir, operar e manter o túnel.
O site oficial informa que o projeto conta com R$ 5,13 bilhões em recursos públicos, divididos entre o governo paulista e a União, e deve gerar cerca de 9 mil empregos, impactando a vida de cerca de 2 milhões de pessoas na Baixada Santista. A previsão do governo estadual é que a ligação comece a operar no início da próxima década, depois das etapas de fabricação e imersão dos módulos.

Como é o clima de Guarujá ao longo do ano?
O clima é quente e úmido, com pouca variação de temperatura. Janeiro concentra 233 mm de chuva em média, enquanto junho e agosto registram 97 mm, e as temperaturas ficam entre 18°C e 27°C ao longo do ano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma ilha prestes a ficar mais perto
Guarujá cresceu separado de Santos pelo canal do porto, e boa parte da sua relação com Santos sempre passou pela balsa ou por uma longa volta de carro. O túnel imerso promete reescrever essa geografia, unindo as duas cidades por baixo dos navios do porto com uma técnica nunca usada no Brasil. Até lá, a ilha continua oferecendo suas praias de surfe e sua fortaleza colonial, agora com a perspectiva de uma viagem bem mais curta no futuro.
Você precisa cruzar o canal de balsa, olhar para o porto e imaginar os carros passando lá embaixo para entender por que essa obra pode mudar a forma de chegar a Guarujá.




