Dirigido por Michael Sarnoski, “A Morte de Robin Hood” troca o herói invencível por um fora da lei em ruínas — e as primeiras resenhas vão do elogio rasgado à decepção.
Hugh Jackman pegou um dos personagens mais famosos do folclore inglês e fez com ele algo parecido com o que fez com o Wolverine em Logan: um retrato cru, brutal e melancólico. “A Morte de Robin Hood”, novo filme da A24, passou pelos primeiros olhos da crítica internacional depois da estreia mundial — e o resultado foi tudo, menos consenso.
O “tratamento Logan” para um mito de mais de 800 anos
Dirigido e escrito por Michael Sarnoski, o mesmo de Pig: A Vingança e Um Lugar Silencioso: Dia Um, o longa abandona o arqueiro invencível que rouba dos ricos para dar aos pobres. No lugar, entrega um fora da lei em ruínas, assombrado por uma vida de violência. A inspiração vem de uma balada britânica do século 17, “Robin Hood’s Death”, e o tom rendeu classificação para maiores nos Estados Unidos, por violência sangrenta.
Na trama, Robin sobrevive por pouco à batalha que acreditava ser a última. Gravemente ferido, é acolhido por uma mulher misteriosa e passa a confrontar o próprio passado — uma chance de redenção em meio ao desgaste físico e moral. Ao lado de Jackman estão Jodie Comer (Extermínio: A Evolução), Bill Skarsgård como o parceiro Pequeno John (It: A Coisa), Murray Bartlett (The White Lotus) e Noah Jupe (Um Lugar Silencioso).

Por que a crítica se dividiu
Foi aqui que as opiniões racharam. De um lado, parte dos críticos abraçou a proposta sombria. O site JoBlo recomendou o filme a quem gosta de Logan e O Homem do Norte, classificando a abordagem como brutal e original. O crítico Matt Neglia, do Next Best Picture, descreveu o longa como uma marcha sombria rumo a um desfecho inevitável e elogiou a intensidade crua de Jackman. Para Barry Hertz, do Globe and Mail, o ator é uma “dádiva” no papel-título; já Pete Hammond, da Deadline, observou que Jackman talvez nunca tenha precisado se dissolver tanto em um personagem.
Do outro lado, ficaram os decepcionados. O Hollywood Reporter achou a atuação intensa, porém pouco envolvente, e o filme cansativo do começo ao fim. A queixa mais recorrente foi o ritmo arrastado: muita melancolia, pouca catarse. Esse racha apareceu também nos números — nas primeiras dezenas de resenhas, o índice de aprovação no Rotten Tomatoes oscilava entre cerca de 64% e 69%, com tendência de divisão conforme novas críticas entravam.
Os pontos que dividem
- A favor: a atuação visceral de Jackman, a fotografia de Pat Scola e a releitura adulta do mito.
- Contra: o ritmo lento, o tom excessivamente sombrio e a falta de um clímax emocional claro.
Quando “A Morte de Robin Hood” estreia no Brasil
No Brasil, a distribuição é da Imagem Filmes, com trailer dublado já disponível. Em 18 de junho de 2026 a estreia internacional — com première no Festival de Sydney e lançamento nos cinemas dos Estados Unidos — é o que vem gerando a onda de reações dos últimos dias.
No fim, o próprio título já entrega o espírito do filme — e talvez o motivo da divisão. Esta é uma aposta que troca o espetáculo pela introspecção, e nem todo mundo quer ver o herói da infância encarar o fim. Quem topar, vai encontrar o Robin Hood mais sombrio já levado às telas.








