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Início Cidades

A pequena “Cidade da Ametista” com 7 mil moradores que guarda a única igreja do mundo revestida com 40 toneladas da pedra lilás

Por Maura Pereira
21/08/2026
Em Cidades, Turismo
A pequena Cidade da Ametista, com apenas 7 mil moradores, tem a única igreja do mundo com 40 toneladas da pedra lilás e encanta com seu clima de interior

O Ametista Parque Museu é o principal complexo turístico da cidade. / Imagem ilustrativa

Paredes inteiras revestidas por cristais violetas, uma pia batismal retirada de um único geodo gigantesco e uma torre panorâmica cujo elevador atravessa uma paisagem iluminada pelo brilho lilás das pedras. Em Ametista do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, o que existe debaixo da terra deixou de ser apenas fonte de renda e passou a definir a própria identidade do município, conhecido internacionalmente pela abundância de ametistas.

Como os cristais escondidos no solo mudaram o destino de Ametista do Sul?

A história da mineração local começou quase por acaso. Durante a década de 1930, agricultores do Médio e Alto Uruguai encontravam cristais roxos em meio às raízes, nos córregos e nas áreas cultivadas, sem saber inicialmente que aquelas pedras poderiam ter valor comercial. O cenário mudou depois da Segunda Guerra Mundial, quando a procura internacional por ametistas cresceu e o garimpo passou a ocupar o centro da economia regional.

Com o avanço da atividade, veio também o reconhecimento do município. De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Ametista do Sul recebeu o título de Capital Mundial da Pedra Ametista por concentrar a maior reserva do cristal em atividade no planeta. As jazidas continuam sendo exploradas por dezenas de famílias tradicionais, transformando as áreas subterrâneas em extensos corredores de mineração.

Apesar de ter sido emancipada somente em 20 de março de 1992, a cidade já construiu uma identidade própria em pouco tempo. São pouco mais de 7 mil habitantes distribuídos por 93 km², a aproximadamente 480 km de Porto Alegre e 80 km de Chapecó, próximo à divisa com Santa Catarina. Estimativas do setor apontam a existência de cerca de 136 garimpos sob o território municipal, dos quais aproximadamente 48 permanecem em atividade.

Ametista do Sul, uma cidade que esconde destinos incríveis // Créditos: Wikipedia – Wikimedia Commons

Como uma igreja ganhou toneladas de ametista nas paredes?

O principal cartão-postal de Ametista do Sul nasceu diretamente da tradição dos garimpeiros. A construção da Igreja São Gabriel, dedicada ao padroeiro do município, começou em 18 de novembro de 2003. Conforme a Diocese de Frederico Westphalen, o templo se consolidou como um dos principais espaços religiosos e turísticos da região.

Quatro anos depois, a obra foi oficialmente entregue. Segundo o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a inauguração ocorreu em 28 de outubro de 2007, quando 30 toneladas de ametistas doadas por garimpeiros e moradores revestiram o templo. A cerimônia contou com a então governadora Yeda Crusius e o bispo diocesano Dom Antônio Carlos Rossi Keller, marcando um feito incomum na arquitetura religiosa: uma igreja completamente revestida por pedra preciosa.

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O revestimento aumentou com o passar dos anos. De acordo com a Paróquia São Gabriel, as paredes atualmente concentram mais de 40 toneladas de ametistas, formando um enorme mosaico de diferentes tonalidades roxas. Grande parte das pedras foi entregue pela própria comunidade, fazendo da igreja um símbolo da fé e da atividade garimpeira que moldaram a cidade.

Quais tesouros estão escondidos dentro da Igreja São Gabriel?

Os elementos do interior tornam o templo ainda mais incomum. A pia batismal foi esculpida a partir de um único geodo gigante de ametista, considerada uma peça inédita na arquitetura religiosa mundial. Em outro espaço, o altar dedicado aos mártires Padre Manuel e ao coroinha Adílio, mortos em 1924 na vizinha Três Passos, abriga um geodo de 395 kg e pouco mais de um metro de altura.

A própria imagem de São Gabriel foi integrada ao universo das pedras. O Arcanjo aparece ladeado por um geodo dividido ao meio, formando uma espécie de círculo ao redor da figura. A devoção dos garimpeiros ao santo possui raízes antigas na região e ajudou a fortalecer a relação entre a padroeira, a comunidade e as doações que permitiram revestir o templo.

A experiência continua do lado de fora. A Torre Panorâmica, iniciada em novembro de 2017 e concluída posteriormente, ultrapassa 60 metros de altura e possui elevador envidraçado. A iluminação interna reproduz a tonalidade lilás das ametistas, enquanto o mirante proporciona uma visão ampla de Ametista do Sul e das paisagens do entorno.

O que existe 60 metros abaixo das ruas de Ametista do Sul?

O patrimônio mineral da cidade não termina na superfície. Antigas galerias de garimpo foram adaptadas para receber visitantes, que podem conhecer o interior das minas acompanhados por ex-garimpeiros. Algumas chegam a aproximadamente 60 metros de profundidade, onde a temperatura permanece relativamente constante ao longo do ano.

É nesse ambiente subterrâneo que surgiram experiências turísticas pouco convencionais. Antigas áreas de mineração deram lugar a restaurantes e adegas, aproveitando as características naturais das galerias. O visitante pode, assim, conhecer o processo de extração das pedras e depois permanecer no próprio subsolo para uma experiência gastronômica ou enológica.

O Ametista Parque Museu concentra uma das maiores coleções de minerais e cristais de rocha da América do Sul, com mais de 2 mil exemplares brasileiros e estrangeiros. Entre as peças expostas estão uma ametista de 2,5 toneladas, considerada uma das mais valiosas já encontradas, e um meteorito de 131,4 kg, apontado pelo próprio IBRAM como o maior já descoberto no Rio Grande do Sul.

A produção de vinhos também encontrou espaço nas antigas estruturas de mineração. O projeto vitivinícola começou em 1997, com apenas oito agricultores e quatro hectares cultivados. Desde então, cresceu para dezenas de produtores e uma área superior a 150 hectares, com algumas propriedades utilizando antigas galerias como adegas subterrâneas.

Quais atrações colocar no roteiro de Ametista do Sul?

A cidade permite combinar turismo religioso, história da mineração, experiências subterrâneas e atrações relacionadas ao universo das pedras preciosas. Os principais pontos ficam próximos do centro e das áreas de garimpo.

  • Igreja São Gabriel: templo revestido por mais de 40 toneladas de ametista, com pia batismal feita em geodo e diferentes peças minerais integradas à decoração.
  • Torre Panorâmica: estrutura com mais de 60 metros de altura, elevador envidraçado e mirante com vista para a cidade e a região.
  • Ametista Parque Museu: espaço que reúne mais de 2 mil exemplares de minerais e cristais, incluindo a ametista de 2,5 toneladas e o meteorito de 131,4 kg.
  • Passeio na Mina: visita guiada por ex-garimpeiros pelas galerias subterrâneas, com possibilidade de chegar a aproximadamente 60 metros de profundidade.
  • Restaurante Subterrâneo: espaço gastronômico instalado no interior de uma antiga mina, aproveitando a temperatura constante das galerias.
  • Adegas Subterrâneas: antigas áreas de mineração utilizadas para armazenamento e degustação de vinhos produzidos na região.
  • Pirâmide Esotérica: construção temática com paredes revestidas de ametista, associada ao imaginário sobre as propriedades energéticas da pedra.

Leia também: Cresce 44% o número de brasileiros indo viver na cidade do 2º maior porto do Brasil, PIB per capita de R$ 182 mil e o 4º m² mais caro do país em 12 anos se tornando a nova joia catarinense.

A mesa gaúcha entre garimpos e parreirais

A gastronomia acompanha a herança gaúcha com influência italiana das colonizações que ocuparam o Alto Uruguai. Restaurantes tradicionais e subterrâneos dividem o cardápio.

  • Churrasco gaúcho: espeto corrido tradicional, herança pecuária das colônias rurais da região.
  • Massas artesanais: raviólis, capeletes e nhoques feitos em cantinas de origem italiana.
  • Costela no fogo de chão: preparo lento em restaurantes campeiros, marca da cozinha do interior gaúcho.
  • Vinhos locais: safras produzidas por agricultores da região, armazenadas nas antigas minas desativadas.
Ametista do Sul fica a cerca de 480 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-386 e depois pela ERS-330. / Créditos: Wikipédia

Como é o clima de Ametista do Sul durante o ano?

A cidade tem clima subtropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos frios e secos. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, e o inverno pode registrar temperaturas próximas de zero em madrugadas isoladas.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 17-30°C
Chuva: 🌧️ Alta
Aproveite o Ametista Parque Museu e Torre Panorâmica.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 12-24°C
Chuva: 🌦️ Média
Excelente momento para explorar o Passeio na mina e adegas subterrâneas.
❄️ Inverno Jun – Ago
Média: 5-19°C
Chuva: 🌦️ Média
Ideal para curtir a Igreja São Gabriel e restaurantes locais.
🌺 Primavera Set – Nov
Média: 11-25°C
Chuva: 🌦️ Média
Perfeito para visitar as Vinícolas e Pirâmide Esotérica.
💡 Dica do especialista: O inverno (5°C a 19°C), com chuva média, é o período ideal para curtir a Igreja São Gabriel e restaurantes locais. Já no verão, o Ametista Parque Museu e Torre Panorâmica garantem passeios inesquecíveis e um clima muito agradável para explorar a região!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao destino conhecido como Capital Mundial da Ametista

A Ametista do Sul está a aproximadamente 480 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-386 e, na sequência, pela ERS-330. Para quem parte de Chapecó, em Santa Catarina, o percurso é bem mais curto, de cerca de 80 km pela BR-158. O Aeroporto Regional de Chapecó é a alternativa aérea mais próxima, enquanto o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, oferece uma variedade maior de voos domésticos e internacionais.

Uma cidade onde a pedra virou identidade

É difícil encontrar outro destino brasileiro que concentre, em uma área tão pequena, uma igreja revestida por pedras preciosas, uma torre panorâmica com elevador iluminado pela tonalidade dos cristais e restaurantes e adegas instalados no interior de antigas minas. Em Ametista do Sul, a geologia ultrapassou o subsolo e passou a definir a fé, a economia e até a paisagem da cidade.

Você precisa visitar Ametista do Sul e descer até uma mina para perceber como um município de apenas 7 mil habitantes transformou uma pedra preciosa em sua maior marca e conquistou o título de Capital Mundial da Ametista.

Tags: Ametista do SulRio Grande do Sul
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