Pedras preciosas costumam ficar atrás de vitrines, longe das mãos de quem passa. Em Ametista do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, elas revestem as paredes da igreja matriz, enfeitam a praça e saem de túneis abertos sob a cidade, herança de derrames de lava com cerca de 130 milhões de anos.
Por que o subsolo de Ametista do Sul é tão rico em ametista?
Porque a cidade está sobre os basaltos da Formação Serra Geral, camadas de lava que cobriram o sul do Brasil e formaram, ao esfriar, cavidades chamadas geodos. Com o tempo, a água rica em sílica circulou por esses ocos e deixou cristais de quartzo roxo nas paredes. Segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), as maiores reservas de ametista do estado estão justamente no município.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) classifica os depósitos da cidade como de classe mundial, ao lado dos de Artigas, no Uruguai. A lava que os abriga se formou entre 133 e 129 milhões de anos atrás, conforme estudo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), quando dinossauros ainda dominavam o continente.

Como um distrito chamado São Gabriel virou Ametista do Sul?
A troca de nome foi uma imposição prática. O povoado se chamava São Gabriel por causa de um capitel com a imagem do arcanjo erguido em 1945, mas, quando conquistou a emancipação em 1992, o estado já tinha outro município com esse nome. A solução foi adotar a pedra que sustentava a economia local.
A escolha fazia sentido. Os primeiros geodos apareceram nas mãos de agricultores que preparavam a terra para o plantio, e o garimpo logo se espalhou pela região. Estudo publicado no Boletim do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) registra mais de 200 garimpos de ametista na área, o que ajuda a explicar o apelido popular de “Capital Mundial da Pedra Ametista”.
O que visitar em Ametista do Sul?
Boa parte do roteiro acontece embaixo da terra, em galerias abertas pelo próprio garimpo. Estes pontos concentram a experiência.
Como o vinho envelhece dentro de antigos garimpos?
As galerias abandonadas viraram adegas naturais. No escuro e a uma temperatura estável de cerca de 17°C, garrafas e barris descansam onde antes se abria a rocha atrás de cristais, protegidos da luz e das oscilações térmicas que prejudicam a bebida.
Uma cooperativa local guarda ali seu Cabernet Sauvignon, e a vitivinicultura passou a dividir espaço com a mineração na economia do município. Para o visitante, a degustação no subsolo resume a cidade: o mesmo túnel que rendeu pedra hoje rende vinho e turismo.
Qual a melhor época para visitar Ametista do Sul?
Chove bem o ano inteiro, sem estação seca definida, e outubro é o mês mais úmido, com 241 mm. Em julho, as mínimas caem para perto de 10°C, enquanto o verão chega a máximas de 29°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Ametista do Sul?
A cidade fica a cerca de 440 km de Porto Alegre, e o trajeto principal segue pela BR-386 rumo ao norte gaúcho. Para quem vem de Santa Catarina, Chapecó é a base mais próxima, a cerca de 90 km.
O município integra um distrito mineiro que inclui vizinhos como Frederico Westphalen, Planalto e Iraí, todos com garimpos registrados no Mapa Gemológico do Rio Grande do Sul, da CPRM. Vale reservar ao menos dois dias para descer às galerias sem pressa.
O subsolo que deu nome à cidade
Ametista do Sul transformou um acidente geológico em identidade: a lava virou pedra, a pedra virou igreja, e os túneis do garimpo viraram adega e restaurante. Poucas cidades do país mostram tão de perto o que existe sob os próprios pés.
Você precisa conhecer Ametista do Sul e descer às galerias para ver o roxo da pedra brilhar dentro da rocha.




