A paisagem de Londrina costuma ganhar um ar diferente nas manhãs de neblina, enquanto suas avenidas largas revelam o planejamento urbano que marcou a formação da cidade. No norte do Paraná, o município recebeu o apelido de “Pequena Londres” por sua ligação com a capital da Inglaterra e cresceu a partir de um empreendimento britânico instalado sobre a terra roxa. Hoje, com mais de 580 mil habitantes, é a segunda maior cidade paranaense e combina características de grande centro urbano com hábitos típicos do interior.
Como os ingleses participaram da criação de Londrina?
A história começou a tomar forma em 1929, quando a Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária da britânica Paraná Plantations Ltd., instalou o primeiro marco no território que seria transformado em Londrina. O nome foi escolhido como uma homenagem à capital inglesa, proposta por João Domingues Sampaio, um dos diretores da companhia. A criação oficial do município ocorreu em 10 de dezembro de 1934, segundo a Prefeitura de Londrina.
O modelo de ocupação adotado pelos britânicos ajudou a atrair uma população diversificada. As terras foram divididas em lotes menores e considerados acessíveis para a época, em uma espécie de reforma agrária privada que trouxe famílias italianas, japonesas, alemãs e árabes. Na década de 1950, a produção cafeeira colocou Londrina entre os grandes centros do setor no país e rendeu à cidade o título de Capital Mundial do Café. A situação mudou drasticamente com a Geada Negra de 1975, que destruiu as plantações, mas a estrutura formada por universidades, hospitais e comércio permitiu que o município encontrasse novos caminhos econômicos.

O que os principais índices mostram sobre Londrina?
Os indicadores colocam a Pequena Londres em posições relevantes quando o assunto é estrutura urbana e qualidade de vida. No levantamento da plataforma Bright Cities, divulgado pelo Governo do Paraná, Londrina aparece em 9º lugar entre os municípios brasileiros avaliados em serviços urbanos e qualidade de vida, sendo a primeira colocada entre as cidades paranaenses. Já no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), elaborado pela consultoria Macroplan, o município ocupa a 17ª posição nacional.
Outro indicador importante é o IDH de 0,778, considerado alto pelo IBGE, resultado associado ao desempenho de áreas como educação, saúde e saneamento. No ensino superior, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) ajudam a manter o município como referência universitária. A estrutura hospitalar também coloca Londrina entre os principais polos médicos do interior brasileiro.
Quais bairros mostram os diferentes estilos de vida em Londrina?
A configuração urbana de Londrina ainda carrega a influência do projeto desenvolvido por Jorge Macedo Vieira, inspirado no modelo britânico de cidade-jardim. As avenidas amplas e arborizadas permanecem como uma das marcas desse planejamento, mesmo com a verticalização que transformou parte da paisagem. Ao todo, o município possui mais de 7,7 milhões de m² de áreas verdes urbanas, quase o dobro do índice recomendado pela ONU.
Entre os bairros, a Gleba Palhano se destaca pelo alto padrão imobiliário, com edifícios modernos e vista para o lago. O Centro concentra comércio e serviços, além do tradicional Calçadão, enquanto o Jardim Shangri-lá combina arborização e ambiente residencial mais tranquilo. Na Zona Sul, a presença da UEL influencia o movimento da região. O mercado de trabalho, por sua vez, reúne empresas como Embraer, cooperativas agrícolas e startups de tecnologia, ampliando as opções profissionais além do setor tradicional.

Onde o londrinense encontra lazer e cultura?
A diversidade cultural herdada dos imigrantes se reflete nos espaços públicos e na agenda de eventos.
- Lago Igapó: complexo de lagos artificiais que corta a área urbana, com ciclovias, pistas de caminhada e esportes náuticos. É o cartão-postal da cidade e o “quintal” dos londrinenses.
- Parque Arthur Thomas: reserva ecológica de Mata Atlântica com trilhas e cachoeiras a poucos minutos do centro.
- Museu Histórico de Londrina: instalado na antiga estação ferroviária, preserva a saga da colonização e do ciclo do café.
- Festival Internacional de Londrina (FILO): criado em 1968 dentro da UEL, é um dos mais antigos festivais de teatro da América Latina.
- Jardim Botânico: lagos, estufas e trilhas dedicadas à flora paranaense.

Quais são as principais formas de chegar a Londrina?
Quem sai de Curitiba percorre aproximadamente 381 km até Londrina pela BR-376, em uma viagem de cerca de quatro horas de carro. Para quem chega de avião, o Aeroporto Governador José Richa fica a apenas 3 km do centro e possui voos para São Paulo e Curitiba, operados por Latam e Azul. No transporte rodoviário, a Viação Garcia mantém conexões com Maringá, em cerca de 1h30, além de linhas para Curitiba e outros destinos das regiões Sul e Sudeste.
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Por que Londrina conseguiu deixar o ciclo do café para trás?
A terra roxa foi o ponto de partida para o crescimento de Londrina e ajudou a transformar a cidade em um dos grandes centros cafeeiros do país. Quando a Geada Negra destruiu as plantações, porém, o município já havia construído uma estrutura capaz de sustentar uma nova fase, baseada em universidades, serviços de saúde, comércio e outras atividades econômicas.
Hoje, a antiga capital do café reúne instituições de ensino superior reconhecidas, um importante polo médico e mais de 7,7 milhões de m² de áreas verdes urbanas, além de uma gastronomia marcada por influências de diferentes comunidades que chegaram à região. O resultado é uma cidade que preserva elementos de sua origem britânica, mas construiu uma identidade própria muito além do projeto de colonização que deu início à sua história.




