Abordar as emoções das Crianças pode ser um desafio para muitos pais, especialmente quando elas exibem comportamentos como birras e frustrações. Nesses momentos, a pergunta mais comum feita pelos pais costuma ser: “O que houve?”. Entretanto, nem sempre essa abordagem gera bons resultados, pois pode intensificar a tensão emocional. De acordo com a psicóloga Reem Raouda, especialista em parentalidade consciente, o sucesso reside em criar um ambiente seguro para a criança expressar o que sente, em vez de pressioná-la a explicar suas emoções.
Raouda sugere uma alternativa simples e eficaz: perguntar à criança o que tem sido difícil para ela. Essa mudança sutil de linguagem traz efeitos profundos, pois se alinha à maneira como as Crianças processam sentimentos e oferece um espaço seguro para diálogo. A utilização desta frase reduz a reação defensiva, estimula o desenvolvimento de uma linguagem emocional e cria um ambiente seguro, onde a criança sente que seus sentimentos são validados e respeitados.
Por que a pergunta alternativa funciona de maneira eficiente?
Em situações de carga emocional intensa, as Crianças podem se sentir atacadas por perguntas diretas, como “por que você fez isso?”. Usar a expressão “difícil” transmite compreensão e valida os sentimentos da criança. Assim, ela não precisa se justificar, o que reduz a resistência e evita a explosão emocional. Essa abordagem estimula a criança a descrever suas experiências de forma natural, enriquecendo seu vocabulário emocional ao longo do tempo.
Além disso, a pergunta promove um senso de segurança emocional. Antes de buscar soluções, a criança compreende que seus sentimentos podem ser ouvidos e compreendidos. Isso é essencial para o desenvolvimento da inteligência emocional, pois ambientes que abordam os sentimentos de maneira calma e não apressada favorecem a confiança e a abertura para o diálogo.

Quais são os benefícios da abordagem para a criança?
A abordagem de Raouda oferece à criança uma sensação de controle sobre seu estado emocional. Diferente de perguntas que exigem respostas imediatas, essa técnica convida à reflexão, permitindo que a criança decida o que quer compartilhar. Isso fortalece sua autorregulação emocional e autoconfiança, habilidades essenciais para enfrentar desafios emocionais futuros.
Outro benefício é a capacidade de acalmar o sistema nervoso da criança. Percebendo que não está sob ameaça ou pressão, o corpo se transforma, saindo de um estado de alerta para um estado mais calmo. Isso facilita o pensamento claro e a comunicação, especialmente quando o comportamento infantil parece desproporcional.
Como essa abordagem contribui para a normalização das emoções?
Enfatizando o que está sendo difícil, os pais ensinam às Crianças que emoções fazem parte da vida e não precisam ser evitadas ou reprimidas. Essa compreensão é crucial para a saúde emocional. As Crianças aprendem que sentimentos podem ser enfrentados e solucionados com o tempo. Elas percebem que os adultos ao seu redor respondem a situações emocionais de maneira equilibrada, o que serve de modelo positivo para suas reações futuras.
Afinal, o papel dos pais não é proteger a criança de todas as emoções adversas, mas sim criar um ambiente onde elas possam ser expressas e compreendidas. Pequenas alterações na linguagem podem não parecer significativas, mas mudam consideravelmente a dinâmica emocional, mostrando às Crianças que seus sentimentos são importantes e que merecem ser entendidos e respeitados.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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