Salvador cresceu voltada para o mar, mas foi no alto da cidade que começou a história que transformaria a Bahia em centro político e econômico do Brasil colonial. Entre ladeiras, igrejas douradas e casarões coloridos, a antiga capital ainda preserva as marcas dos primeiros séculos de formação do país. Ao mesmo tempo, quase 50 km de litoral espalham praias com perfis completamente diferentes, do movimento urbano às faixas de areia mais tranquilas.
Por que Salvador foi escolhida para ser a primeira capital do Brasil?
Em 1549, Tomé de Sousa chegou à Baía de Todos os Santos com uma missão determinada pela Coroa portuguesa: criar uma cidade fortificada que concentrasse a administração da colônia. Assim nasceu São Salvador, escolhida pela posição estratégica da baía e transformada na sede do Governo-Geral.
A localização também favorecia o controle das rotas marítimas e a conexão com outras regiões da colônia. Durante mais de dois séculos, Salvador cresceu como um dos principais centros urbanos das Américas, concentrando atividades políticas, religiosas e comerciais.
Essa importância histórica ainda pode ser percebida no centro da cidade. Segundo a Prefeitura Municipal de Salvador, o Centro Histórico reúne o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina. O conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e recebeu da UNESCO, em 1985, o título de Patrimônio Mundial.
Igrejas, sobrados, conventos, praças e antigos edifícios administrativos formam um dos mais importantes registros materiais dos séculos XVI ao XIX no continente. No Pelourinho, essa história aparece concentrada em algumas das ruas mais conhecidas da cidade, onde a arquitetura colonial divide espaço com manifestações culturais que nasceram da mistura de diferentes povos.

Como montar um roteiro de quatro dias pela Salvador histórica?
Salvador é uma cidade para ser percorrida em camadas. A Cidade Alta concentra igrejas, casarões e praças coloniais, enquanto a Cidade Baixa se abre para a Baía de Todos os Santos. Entre as duas, o Elevador Lacerda funciona como uma das passagens mais emblemáticas da capital baiana.
Quatro dias permitem combinar o patrimônio histórico com as principais fortificações e ainda reservar tempo para o litoral. O melhor é alternar caminhadas pelo centro com períodos mais tranquilos junto ao mar.
- Pelourinho: concentra mais de 800 casarões coloridos, ruas de pedra e a Fundação Casa de Jorge Amado, instalada no famoso sobrado azul.
- Igreja e Convento de São Francisco: um dos maiores exemplos do barroco brasileiro, com aproximadamente 800 quilos de ouro utilizados na decoração.
- Elevador Lacerda: inaugurado em 1873, possui 73,5 metros e conecta a Praça Tomé de Sousa à Praça Cayru, com a Baía de Todos os Santos ao fundo.
- Farol da Barra: instalado no Forte de Santo Antônio, é considerado o primeiro farol do continente americano e abriga o Museu Náutico da Bahia.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: construída pela irmandade formada por pessoas negras, tornou-se um dos principais símbolos da presença afro-brasileira no centro histórico.
- Forte de São Marcelo: erguido sobre arrecifes a cerca de 300 metros da costa, destaca-se pelo formato circular e pela posição estratégica na entrada da baía.
- Igreja de Nosso Senhor do Bonfim: um dos principais centros de devoção da Bahia, famosa também pelas fitinhas coloridas amarradas às grades.
- Mercado Modelo: localizado junto ao Elevador Lacerda, concentra lojas de artesanato e produtos ligados à cultura baiana.
Qual praia combina com cada tipo de passeio?
A orla de Salvador se estende por aproximadamente 50 km, e a experiência muda bastante conforme o trecho escolhido. As águas protegidas da Baía de Todos os Santos oferecem áreas mais tranquilas, enquanto os pontos voltados para o oceano recebem ondas mais fortes.
- Porto da Barra: águas geralmente calmas, faixa de areia movimentada e um dos pontos mais conhecidos para assistir ao pôr do sol.
- Farol da Barra: reúne banho de mar, paisagem histórica e áreas com ondas mais fortes próximas ao forte e ao Restaurante Barravento.
- Itapuã: eternizada por Vinicius de Moraes e Toquinho, mistura coqueiros, piscinas naturais em alguns trechos e o conhecido farol de listras vermelhas e brancas.
- Rio Vermelho: bairro de perfil boêmio, com a Praia da Paciência, barracas de acarajé e movimento noturno concentrado no Largo da Mariquita.

Sabores da cozinha baiana
A cozinha soteropolitana é uma das mais reconhecidas do país, herança direta da África misturada aos ingredientes locais. Vale reservar mesa nos restaurantes do Rio Vermelho ou nas casas históricas do Pelourinho.
- Moqueca baiana: peixe ou frutos do mar cozidos em leite de coco, azeite de dendê, pimentão e coentro, servida na panela de barro.
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco, vendido nos tabuleiros das baianas.
- Vatapá: creme espesso de pão, camarão, leite de coco e dendê, servido como acompanhamento ou prato principal.
- Cocada: doce de coco em versões branca, preta e queimada, vendido em tabuleiros pelo Centro Histórico.
Como é o clima em Salvador ao longo do ano?
O clima é tropical litorâneo, com temperaturas altas o ano todo e maré cheia de chuvas concentrada entre abril e julho. Não há inverno propriamente dito.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Como chegar em Salvador?
A capital baiana tem aeroporto internacional próprio, o Deputado Luís Eduardo Magalhães, a cerca de 20 km do centro, com voos diretos regulares de todo o país e de várias capitais europeias e sul-americanas.
Para quem vem de carro, o acesso pelo sul é feito pela BR-101 e BR-324, esta última a principal ligação com Feira de Santana e o interior. Também há travessia de ferry-boat pela Baía de Todos os Santos ligando o continente à ilha de Itaparica.
Vá conhecer Salvador
Poucas cidades brasileiras entregam ao mesmo tempo história de quase cinco séculos, uma das gastronomias mais celebradas do país e um litoral urbano dessa dimensão. Salvador segue viva no compasso do berimbau, do dendê e do batuque.
Você precisa subir a ladeira do Pelourinho e ver por que a primeira capital do Brasil ainda é o coração da cultura afro-brasileira.




