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A psicologia afirma que as crianças das décadas de 60 e 70 não se tornaram fortes devido a uma melhor educação parental, mas sim aprenderam a gerir as suas próprias emoções sem intervenção externa

Por Nubia Rangel
17/05/2026
Em Curiosidades
A psicologia afirma que as crianças das décadas de 60 e 70 não se tornaram fortes devido a uma melhor educação parental, mas sim aprenderam a gerir as suas próprias emoções sem intervenção externa

A infância livre ensinava emoções na prática.

Você já reparou como a geração que cresceu nos anos 60 e 70 parece carregar uma espécie de equilíbrio emocional que impressiona? Aquelas pessoas que passavam horas na rua sem supervisão, resolviam brigas de calçada por conta própria e voltavam pra casa só quando escurecia. A psicologia tem estudado esse fenômeno com bastante atenção e chegou a uma conclusão que surpreende muita gente: essas crianças não se tornaram emocionalmente fortes por causa de uma criação melhor, mas justamente porque tiveram espaço para aprender a gerir as próprias emoções sem que um adulto interviesse a todo momento.

O que a psicologia diz sobre a autorregulação emocional na infância

A autorregulação emocional é a capacidade de reconhecer, lidar e equilibrar as próprias emoções diante de situações difíceis, sejam elas a frustração de perder um jogo, o medo de tentar algo novo ou a raiva de uma discussão com um amigo. E a psicologia do desenvolvimento mostra algo fundamental: essa habilidade não nasce pronta. Ela se constrói na prática, especialmente quando a criança é colocada diante de situações em que precisa encontrar suas próprias saídas.

O que tornou a infância das décadas de 60 e 70 tão peculiar foi exatamente isso. Os pais, em sua maioria ocupados com o trabalho e a sobrevivência do dia a dia, não tinham como acompanhar cada passo dos filhos. Esse distanciamento, longe de ser uma falha de criação, acabou funcionando como um ambiente natural de aprendizado emocional. A criança que resolvia um conflito na rua sem chamar a mãe estava, sem saber, construindo resiliência.

A psicologia afirma que as crianças das décadas de 60 e 70 não se tornaram fortes devido a uma melhor educação parental, mas sim aprenderam a gerir as suas próprias emoções sem intervenção externa
Resolver conflitos sozinho fortalecia a autonomia.

Como a regulação emocional aparece no nosso dia a dia

Pense na sua própria rotina. Quando seu filho chora porque perdeu no jogo e você imediatamente tenta reconfortá-lo ou resolver a situação, a intenção é linda, mas a psicologia questiona: a criança teve a chance de sentir aquela frustração e aprender a atravessá-la? É nesse pequeno espaço entre o desconforto e o alívio que o comportamento emocional saudável se forma. As crianças dos anos 60 e 70 viviam nesse espaço o tempo todo, por necessidade.

Hoje, com celulares, agendas cheias e o monitoramento constante facilitado pela tecnologia, muitas crianças têm cada dificuldade resolvida antes mesmo de perceber que estavam sentindo algo. O resultado, como a psicologia tem apontado, é uma geração com menos ferramentas internas para lidar com o estresse emocional, a ansiedade e os pequenos fracassos do cotidiano.

Autonomia emocional: o que mais a psicologia revela sobre esse poder

A autonomia emocional não significa abandonar a criança à própria sorte. A psicologia faz uma distinção importante aqui: há diferença entre presença afetiva e intervenção constante. Estar disponível, acolher, escutar e ajudar a criança a nomear o que sente é completamente diferente de resolver o problema por ela a cada vez que aparece um desafio. As crianças dos anos 60 e 70, mesmo sem esse vocabulário todo, aprenderam na prática que eram capazes de enfrentar as dificuldades por conta própria.

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Conflitos de rua sem árbitro adulto, tédio sem tela para preencher, decisões simples tomadas sozinhas, como escolher o caminho de volta pra casa ou negociar as regras de uma brincadeira. Cada uma dessas situações era, na linguagem da psicologia, um treino real de inteligência emocional. E o interessante é que esse treino acontecia de forma completamente natural, sem nenhum método pedagógico por trás.

Pontos-chave da psicologia
🧠
Autorregulação se aprende na prática

A capacidade de gerir as próprias emoções não nasce pronta. Ela se desenvolve quando a criança enfrenta pequenos desafios sem que um adulto resolva tudo por ela.

🌱
Liberdade que formou gerações

As crianças dos anos 60 e 70 tinham mais autonomia no cotidiano, o que criou, sem planejamento, um ambiente natural de desenvolvimento da resiliência emocional e da inteligência emocional.

💛
Superproteção tem consequências

Quando adultos eliminam todo desconforto da criança, ela treina menos suas estratégias emocionais. A psicologia aponta isso como um fator ligado ao aumento da ansiedade nas novas gerações.

O tema da autorregulação emocional na infância é cada vez mais estudado pela psicologia do desenvolvimento. Para quem quiser se aprofundar, o SciELO Brasil disponibiliza uma revisão completa sobre o processo de autorregulação no desenvolvimento de crianças, publicada na revista Estudos de Psicologia, que traz referências teóricas e dados importantes sobre como essa habilidade se constrói ao longo da infância.

Por que entender isso pode transformar a sua forma de cuidar e de se cuidar

Quando entendemos como a regulação emocional se desenvolve, mudamos o olhar sobre a criação dos filhos, e também sobre nós mesmas. Muitas mulheres que cresceram nos anos 80 e 90 já viveram a transição para um modelo mais protetor, e carregam hoje uma mistura de ferramentas emocionais que às vezes parecem insuficientes. Entender que isso não é fraqueza pessoal, mas algo construído (ou não construído) ao longo da infância, traz um alívio enorme e abre espaço para o autoconhecimento.

Para quem já é mãe, a psicologia não propõe abandonar os filhos à própria sorte. Propõe algo mais sutil: permitir que a criança sinta, erre e resolva dentro de um ambiente seguro e acolhedor. Estar presente sem antecipar cada resposta. Oferecer afeto e limites claros sem eliminar os desafios próprios da idade. É nesse equilíbrio que a autonomia emocional floresce.

O que a psicologia ainda está descobrindo sobre a autonomia emocional infantil

A ciência continua avançando nas pesquisas sobre desenvolvimento emocional na infância, e uma das questões mais debatidas atualmente é como criar espaços saudáveis de autonomia num mundo hiperconectado. Com telas, aplicativos e notificações preenchendo cada segundo de silêncio, a psicologia se pergunta: como garantir que as crianças de hoje ainda tenham aquele espaço vazio, criativo e às vezes incômodo que forjou gerações inteiras de adultos emocionalmente resilientes? As respostas ainda estão sendo construídas, mas a pergunta em si já é um convite importante para repensar o bem-estar infantil.

Talvez a maior lição que a geração dos anos 60 e 70 deixou não seja uma receita de criação, mas um lembrete: sentir é necessário, errar é parte do processo, e aprender a atravessar as próprias emoções é uma das habilidades mais valiosas que alguém pode desenvolver. Que tal olhar para si com um pouco mais de carinho, curiosidade e respeito por tudo o que você já aprendeu a atravessar?

Tags: autonomia emocionalAutorregulação emocionalinfância anos 60psicologia infantil
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