A ergonomia residencial estabelece a “regra dos 60 cm” como o padrão ouro para garantir que uma casa seja habitável e segura, não apenas bonita. Essa medida define o corredor mínimo necessário para que uma pessoa adulta caminhe com conforto entre móveis e paredes sem precisar girar os ombros ou desviar de obstáculos, assegurando um fluxo natural no dia a dia.
Por que 60 centímetros é considerado o número mágico?
Essa medida não é aleatória; ela deriva da antropometria, o estudo das dimensões do corpo humano. A largura média dos ombros de um adulto, somada ao balanço natural dos braços durante a caminhada, exige uma faixa livre de aproximadamente 60 cm para um deslocamento frontal desimpedido.
Abaixo dessa medida, o cérebro humano percebe o espaço como uma fresta, forçando instintivamente o corpo a andar de lado ou a encolher-se. Respeitar esse limite é vital para a saúde mental do morador, pois elimina a microtensão de navegar por um labirinto de mobília, transformando a casa em um espaço de liberdade e não de restrição.
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Onde essa regra é absolutamente inegociável?
Embora em alguns cantos decorativos se possa ser flexível, existem zonas de tráfego onde a violação dessa regra compromete a funcionalidade da casa. Nessas áreas, a falta de espaço não é apenas um incômodo, mas um risco real de esbarrões com objetos quentes ou quedas.
As áreas críticas que exigem a aplicação rigorosa da trena incluem:
- Laterais da Cama: Espaço necessário para levantar, arrumar a roupa de cama e acessar o criado-mudo.
- Cadeira de Jantar: Distância entre a cadeira puxada (com alguém sentado) e a parede ou móvel atrás, para permitir serviço e passagem.
- Corredores da Cozinha: Fundamental para abrir portas de forno, geladeira e armários baixos sem bater nas pernas.
- Entre Sofá e Poltronas: Se houver passagem de pessoas entre os assentos, o vão deve garantir o trânsito sem bloquear a visão da TV.
- Vaso Sanitário: Espaço frontal e lateral mínimo para uso confortável e higiene no banheiro.

A distância muda entre a mesa de centro e o sofá?
Existe uma exceção importante à regra: a distância entre o sofá e a mesa de centro. Nesse caso específico, o ideal é reduzir o vão para 40 a 50 cm, pois a função aqui não é a circulação (ninguém deve caminhar habitualmente entre a mesa e o sofá), mas sim o alcance ergonômico.
Se a mesa ficar a 60 cm de distância, você será obrigado a se levantar do sofá toda vez que quiser pegar seu copo ou o controle remoto, o que quebra o conforto. No entanto, se o layout da sua sala obriga que essa área seja uma rota de passagem para outro cômodo, então a regra dos 60 cm volta a valer, e talvez seja melhor eliminar a mesa de centro em favor de mesas laterais.
O que fazer se o cômodo for pequeno demais?
Quando a planta do imóvel é muito compacta e os 60 cm parecem impossíveis, a solução é adaptar o mobiliário, não espremer a passagem. É preferível ter um sofá menor e manter a circulação livre do que ter um sofá retrátil gigante que bloqueia a sala; o espaço vazio é tão importante para o design quanto o móvel em si.
Estratégias como usar portas de correr em armários, substituir a mesa de centro por modelos ninho ou usar prateleiras aéreas em vez de estantes profundas ajudam a recuperar o espaço de chão.

Quando é necessário aumentar para 80cm ou mais?
Os 60 cm são o mínimo para uma pessoa, mas para corredores principais onde duas pessoas podem se cruzar, ou para a entrada da casa, a medida deve subir para 80 cm ou 90 cm. Essa largura extra permite o trânsito duplo e facilita o transporte de sacolas de compras, malas ou cestos de roupa sem bater nas paredes.
Além disso, se a casa for projetada com acessibilidade em mente (para cadeirantes ou idosos com andadores), a regra muda drasticamente. Nesses casos, a largura livre mínima sobe para 90 cm a 1,20 m, garantindo o raio de giro necessário para a manobra de equipamentos de mobilidade com segurança.








