Se você é do time que liga a cafeteira antes mesmo de abrir os olhos, pode estar biologicamente sabotando sua disposição para o resto do dia. A regra dos 90 minutos para o café propõe um ajuste estratégico no timing da ingestão de cafeína para respeitar a neuroquímica do seu cérebro, evitando o temido “crash” pós-almoço e garantindo um foco estável e duradouro.
Por que o cortisol matinal “briga” com a cafeína?
Ao acordar, seu corpo produz naturalmente um pico de cortisol, conhecido como Cortisol Awakening Response (CAR). Esse hormônio não serve apenas para o estresse, mas atua como um sinal de alerta natural para despertar o organismo. Pesquisadores da Dartmouth College explicam que introduzir cafeína no momento exato desse pico interfere na produção natural desse hormônio e aumenta a tolerância à substância.
Beber café imediatamente ao acordar diz ao seu corpo que ele não precisa produzir energia sozinho, tornando-o dependente do estimulante externo. Esperar o cortisol começar a baixar (o que ocorre cerca de uma hora e meia após despertar) permite que você use a cafeína como um impulsionador extra, e não como uma muleta para simplesmente ficar em pé.

Como a adenosina causa o cansaço da tarde?
A adenosina é uma molécula que se acumula no cérebro enquanto estamos acordados, criando a “pressão do sono”. A cafeína não elimina a adenosina; ela apenas bloqueia os receptores, “escondendo” o cansaço temporariamente. Segundo a Sleep Foundation, se você consome cafeína logo que acorda, quando ainda há resquícios de adenosina da noite, você apenas adia o problema.
Quando o efeito da cafeína passa no início da tarde, toda aquela adenosina acumulada (e não processada) inunda os receptores de uma só vez. É nesse momento que ocorre o “crash” ou a queda bruta de energia por volta das 14h ou 15h. Esperar 90 minutos permite que o corpo limpe a adenosina residual do sono naturalmente antes de você introduzir o bloqueador químico.
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O que beber para “ligar” o corpo nesse intervalo?
Durante os 90 minutos de espera, o foco deve ser a reidratação e a exposição à luz solar, que são os verdadeiros gatilhos biológicos do despertar. O corpo perde muita água através da respiração durante a noite, e a desidratação é uma das principais causas de fadiga matinal e névoa mental.
A Cleveland Clinic sugere beber um copo grande de água (preferencialmente com uma pitada de sal integral ou limão para eletrólitos) logo ao levantar. Isso reativa o metabolismo e o sistema gastrointestinal, preparando o terreno para que o café, quando finalmente consumido, tenha um efeito muito mais potente e “limpo”.
No vídeo a seguir, o Dr. João Miguel Freitas, com mais de 100 mil seguidores, explica como o café atua nas primeiras horas do dia:
Quais os benefícios reais de adotar essa espera?
A prática exige paciência, mas a recompensa metabólica é rápida e perceptível. Ao alinhar seu consumo de estimulantes com os ritmos circadianos, você deixa de lutar contra a biologia do seu corpo e passa a trabalhar a favor dela.
Os resultados práticos dessa mudança incluem:
- Energia constante: Fim dos picos de euforia seguidos de exaustão súbita.
- Melhor qualidade de sono: O corpo processa a cafeína mais eficientemente, evitando insônia.
- Menor ansiedade: Evita-se a sobrecarga de cortisol que gera tremedeira e nervosismo.
- Economia de dose: Você precisará de menos café para sentir o mesmo efeito de alerta.
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É difícil se acostumar com a nova rotina?
Os primeiros dias podem ser desafiadores para quem tem o hábito psicológico da xícara quente ao acordar. A sensação de “inércia do sono” pode parecer mais forte no início, pois você está reaprendendo a despertar naturalmente.
No entanto, neurocientistas indicam que após cerca de 3 a 5 dias, o corpo ajusta a produção de cortisol. Você começará a acordar mais alerta por conta própria, e o café das 9h30 ou 10h da manhã se tornará uma ferramenta poderosa de produtividade, em vez de um remédio para sobreviver à manhã.










