Encravada às margens do Rio Tapajós, no oeste do Pará, Alter do Chão tem praias de areia branca, águas transparentes e um pôr do sol digno de cartão-postal. O jornal britânico The Guardian já apontou o distrito de Santarém como um dos lugares com as praias de água doce mais bonitas do mundo, apelido que rendeu à vila o título de Caribe Amazônico.
De missão portuguesa a queridinha da Amazônia
Alter do Chão foi fundada em 6 de março de 1626 pelo português Pedro Teixeira e batizada em homenagem a uma vila portuguesa de mesmo nome. Em 1758, o governador colonial Francisco Xavier de Mendonça Furtado elevou o povoado à categoria de vila, num território originalmente habitado pelos indígenas Boraris.
No início do século XX, o distrito fez parte das rotas de exportação do látex extraído das seringueiras da Amazônia. Com o fim do ciclo da borracha, veio um longo período de estagnação. A partir dos anos 1990, o turismo virou motor econômico da vila, hoje um dos destinos mais visitados do Norte do Brasil.

O que fazer em Alter do Chão em quatro dias?
A vila é pequena e cabe a pé, mas os principais passeios saem de barco pelo Tapajós e pelo Rio Arapiuns. Vale reservar ao menos quatro dias para incluir a Floresta Nacional e as praias mais distantes.
- Ilha do Amor: península de areia branca em frente à orla, com barracas de palha e travessia curta em barcos a remo, principal cartão-postal da vila.
- Ponta do Cururu: faixa de areia que se estende rio adentro, considerada um dos melhores pontos para ver o pôr do sol e observar botos.
- Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação com trilhas guiadas, árvores centenárias e visitas a comunidades ribeirinhas.
- Canal do Jari: braço estreito do rio onde é possível avistar preguiças, macacos e vitórias-régias em habitat natural.
- Serra da Piraoca: trilha curta e íngreme até o ponto mais alto da região, com vista de 360 graus do Tapajós e do Lago Verde.
- Lago Verde: passeio de canoa entre igarapés e nascentes cristalinas cercadas pela floresta.
- Praias do Arapiuns: sequência de praias fluviais ainda pouco exploradas, acessadas por barco em passeios de dia inteiro.
O Sairé e o duelo dos botos
Em setembro, a vila vira palco da maior manifestação folclórica do oeste paraense. O Sairé mistura ritos católicos e indígenas de dia e transforma o Bumbódromo em disputa entre o Boto Tucuxi e o Boto Cor-de-Rosa à noite.
O festival lembra a rivalidade dos bois de Parintins, mas com lendas amazônicas próprias. As apresentações reúnem carimbó, música regional e milhares de visitantes, o que enche pousadas e restaurantes na alta temporada. O Sairé é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.
Sabores da mesa paraense
A cozinha local combina peixes amazônicos com ingredientes de matriz indígena. Os restaurantes da vila mantêm receitas simples e ingredientes frescos direto do rio.
- Tambaqui na brasa: peixe assado na chapa ou grelha, servido com arroz e farofa de banana.
- Pirarucu de casaca: espécie de fricassê com o maior peixe de escamas da Amazônia, farinha e banana.
- Tacacá: caldo servido em cuia com tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão seco.
- Peixe no tucupi: filé cozido no caldo amarelo extraído da mandioca brava, com jambu e pimenta de cheiro.
Vazante ou cheia? Quando visitar Alter do Chão
O clima é equatorial quente e úmido. A vazante do Tapajós, entre agosto e dezembro, revela as praias que fizeram a fama do destino. Na cheia, o cenário muda e a floresta ganha protagonismo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Santarém, cidade-base. Condições podem variar.
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Como chegar em Alter do Chão?
O aeroporto mais próximo é o Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, a cerca de 34 km da vila. Recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília, operados por Azul, Gol e Latam.
Do aeroporto, o trajeto é feito pela Rodovia Fernando Guilhon e depois pela PA-457 (Everaldo Martins), com cerca de 40 minutos a 1 hora de carro. Há táxis, transfers, aluguel de veículo e ônibus regulares saindo de Santarém. Para os mais aventureiros, também é possível chegar a Santarém em travessia de barco pelo Rio Amazonas partindo de Belém ou Manaus, com viagem de um a dois dias.
Vá conhecer Alter do Chão
Poucos destinos brasileiros combinam praia de água doce, floresta preservada e cultura ribeirinha viva no mesmo endereço. Alter do Chão continua no ritmo do Tapajós, que sobe e desce ditando a paisagem ao longo do ano.
Você precisa atravessar de barco até a Ilha do Amor e esperar o pôr do sol na Ponta do Cururu para entender por que este pedaço da Amazônia virou obsessão de viajantes do mundo todo.



