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Início Cidades

A vila histórica de 1727 que esconde 80 cachoeiras e encanta quem busca paz a poucos quilômetros da capital

Por Maura Pereira
28/02/2026
Em Cidades, Turismo

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O cheiro de pequi e o som das águas do Rio das Almas recebem quem chega a vila histórica de Pirenópolis, uma cidade colonial encravada na Serra dos Pireneus, a 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília.

Do ouro ao jornal que iluminou o sertão

Fundada em 1727 por garimpeiros liderados por Manoel Rodrigues Tomás, a cidade nasceu como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. O ouro atraiu aventureiros, ergueu igrejas e pavimentou ruas com quartzito. Quando as jazidas secaram, o comendador Joaquim Alves de Oliveira decidiu iluminar o sertão de outro modo.

Em 1830, ele comprou uma tipografia no Rio de Janeiro, transportou o prelo francês em lombo de mula e lançou o Matutina Meyapontense, primeiro jornal de Goiás e de todo o Centro-Oeste. Foram 526 edições em quatro anos, numa época em que apenas 5% dos goianos sabiam ler. O feito rendeu a Piri o título de Berço da Imprensa Goiana.

Uma vila brasileira de 1727 preserva o charme do passado e conquista quem busca sossego perto da capital
Pirenópolis, GO encanta turistas com charme colonial, cachoeiras e atmosfera histórica no interior de Goiás. // Créditos: depositphotos.com / MaRabelo

Por que a Festa do Divino atrai 30 mil pessoas por ano?

Porque reúne fé, teatro e tradição há mais de dois séculos. Celebrada desde 1819, a Festa do Divino Espírito Santo ocorre 50 dias após a Páscoa e dura quase 30 dias, com novenas, folias e alvoradas. O ápice são as Cavalhadas: dois exércitos de 12 cavaleiros cada encenam batalhas medievais entre mouros e cristãos durante três dias.

Em 2010, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou a festa como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2022, a Organização Mundial de Periodistas de Turismo (OMPT) a elegeu festa do ano. Pelas ruas, os Mascarados, figuras fantasiadas com cabeças de boi e onça, garantem o caos alegre que virou símbolo da cidade.

Pirenópolis encanta com história e natureza. O vídeo é do canal Estevam Pelo Mundo, que conta com mais de 2 milhões de inscritos, e detalha preços, restaurantes e o melhor roteiro pela cidade:

O que visitar no centro histórico e nos arredores?

O conjunto tombado pelo IPHAN desde 1990 preserva casarões do século XVIII, igrejas e um teatro híbrido entre o colonial e o neoclássico. Fora do centro, a Serra dos Pireneus guarda mais de 80 cachoeiras catalogadas.

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: construída entre 1728 e 1732, é o templo mais antigo de Goiás. Foi destruída por um incêndio em 2002 e reconstruída com apoio do IPHAN.
  • Cachoeira do Abade: antiga mina de ouro do século XVIII, hoje oferece trilhas, pontes suspensas e poço de 900 m² para banho.
  • Pico dos Pireneus: a 1.385 m de altitude, é o ponto mais alto da região. O pôr do sol no topo é um dos mais fotografados de Goiás. Entrada gratuita.
  • Santuário de Vida Silvestre Vagafogo: reserva particular com trilha de 1.500 m, piscinas naturais, arvorismo e um brunch de 45 variedades feito com frutos do cerrado.
  • Fazenda Babilônia: engenho do final do século XVIII, tombado pelo IPHAN em 1965. O café sertanejo serve mais de 40 quitutes preparados em fogão a lenha com produtos da própria fazenda.
  • Rua do Lazer: calçadão no centro com bares, restaurantes e música ao vivo. É onde Pirenópolis ferve à noite.
Essa bela cidade brasileira do Goiás é um destino tão encantador quanto um conto de fadas
Pirenópolis, GO combina tradição, arquitetura preservada e belezas naturais que fascinam visitantes. // Créditos: depositphotos.com / Hackman

Sabores do cerrado em cada esquina de Piri

A gastronomia local mistura tradição goiana, influência mineira e ingredientes do cerrado. O pequi divide opiniões pelo aroma forte, mas quem experimenta o arroz com pequi costuma repetir o prato. O empadão goiano, recheado de frango, linguiça e guariroba, é servido em fatias generosas nas pamonharias do centro.

  • Empadão goiano: massa fina recheada com frango, linguiça, azeitona e o controverso palmito de guariroba.
  • Pamonha recheada: versões doces e salgadas vendidas em portinhas próximas à Igreja Matriz.
  • Brunch do Vagafogo: geleias, chutney de manga e pesto de baru, servidos dentro da reserva ecológica.
  • Café sertanejo da Fazenda Babilônia: sequilhos, broas, pamonha frita e requeijão quente feitos com receitas coloniais.

Leia também: Nem begônia, nem violeta: a flor resistente que deixa sua varanda cheia de cor quase o ano todo.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

Pirenópolis tem clima tropical com duas estações bem definidas. O inverno seco é a alta temporada, com cachoeiras volumosas e céu limpo.

VERÃO
DEZ – FEV
19-28 °C
Chuva alta. Aproveite para fazer trilhas pela manhã antes das águas.
OUTONO
MAR – MAI
17-27 °C
Chuva média. Época da grandiosa e tradicional Festa do Divino.
INVERNO
JUN – AGO
13-26 °C
Chuva baixa. Perfeito para cachoeiras e o pôr do sol no Pico.
PRIMAVERA
SET – NOV
18-30 °C
Chuva média. Mês do festival Canto da Primavera e gastronomia.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade colonial no coração de Goiás?

Pirenópolis fica a 120 km de Goiânia pela GO-431 e a 150 km de Brasília pela BR-070 seguida da GO-225. O trajeto a partir das duas capitais leva cerca de 2 horas. Não há aeroporto na cidade, mas o Aeroporto de Goiânia recebe voos de todo o país.

Sinta o ritmo de Piri

Poucas cidades brasileiras reúnem um centro colonial tombado, cachoeiras de sobra, gastronomia de cerrado e uma festa bicentenária reconhecida como patrimônio nacional. Pirenópolis entrega tudo isso sem pressa, no ritmo das águas do Rio das Almas.

Você precisa subir a serra e conhecer Piri, a cidade que imprimiu o primeiro jornal do sertão e até hoje sabe contar boas histórias.

Tags: goiasPirenópolis
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