A Vitamina D não é tecnicamente uma vitamina, mas um pré-hormônio esteroide poderoso que modula a atividade de mais de 2.000 genes, incluindo o sistema de defesa do corpo. Acreditar que viver em um país ensolarado garante níveis adequados é o erro mais comum que deixa milhões de pessoas com o sistema imunológico “desarmado” contra vírus respiratórios.
Por que existe uma epidemia de deficiência mesmo em países tropicais?
A lógica parece simples: sol gera vitamina D. No entanto, a vida moderna bloqueia essa produção. Passamos a maior parte do dia em escritórios (vidros bloqueiam raios UVB), usamos roupas que cobrem o corpo e aplicamos protetor solar, que reduz a síntese cutânea em mais de 95%.
Se você não se expõe ao sol do meio-dia (quando a sombra é menor que sua altura) sem proteção por 15 minutos diariamente, é biologicamente provável que seus níveis estejam insuficientes.

Como a Vitamina D “arma” os glóbulos brancos contra a gripe?
Quando um vírus (como o da gripe) entra no corpo, suas células de defesa (células T e macrófagos) procuram vitamina D circulante para ativar uma resposta. Se encontram, elas produzem proteínas antimicrobianas potentes chamadas catelicidinas e defensinas.
Segundo o British Medical Journal (BMJ), a suplementação de vitamina D reduz o risco de infecções agudas do trato respiratório em até 70% em pessoas que tinham deficiência severa. Basicamente, a vitamina D transforma seus glóbulos brancos de soldados passivos em exterminadores eficientes de patógenos.
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É possível obter o suficiente apenas pela alimentação?
Dificilmente. Ao contrário de outras vitaminas, a D é escassa na dieta humana moderna. Para obter a dose de manutenção básica (cerca de 2.000 UI), você precisaria comer quantidades irreais de comida todos os dias.
A Harvard T.H. Chan School of Public Health lista as fontes, mas os números são desanimadores: seria necessário comer cerca de 50 ovos ou 1kg de salmão selvagem diariamente. Por isso, a suplementação é frequentemente a única via confiável para atingir níveis terapêuticos.
No vídeo a seguir, o perfil Hospital Moriah, com mais de 9 mil seguidores, fala um pouco sobre a suplementação de vitamina D:
Por que o exame de sangue é obrigatório antes de suplementar?
A vitamina D é lipossolúvel, o que significa que ela se acumula na gordura corporal e pode, em casos raros, atingir níveis tóxicos (acima de 100-150 ng/mL), causando calcificação de tecidos. “Chutar” a dose é perigoso.
O exame de referência é o 25-hidroxivitamina D. A Endocrine Society sugere as seguintes faixas:
- Deficiência: Abaixo de 20 ng/mL (Risco ósseo e imune).
- Insuficiência: Entre 21 e 29 ng/mL.
- Suficiência: 30 a 60 ng/mL (Ideal para manutenção).
- Toxicidade Potencial: Acima de 100 ng/mL.
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Qual a diferença entre D2 e D3 e a regra da gordura?
Na hora de comprar, a forma química importa. A Vitamina D2 (ergocalciferol) é derivada de plantas/fungos e é menos potente e menos estável no corpo. A Vitamina D3 (colecalciferol) é a forma animal, idêntica à que sua pele produz.
Um estudo no American Journal of Clinical Nutrition confirma que a D3 é cerca de 87% mais eficaz em elevar os níveis sanguíneos do que a D2. Além disso, como é uma vitamina solúvel em gordura, você deve tomar a cápsula junto com uma refeição que contenha gordura (ovos, azeite, abacate) para garantir a absorção, caso contrário, você estará apenas “enriquecendo” sua urina.










