A Abadia de Westminster, em Londres, começou a ganhar sua forma atual em 1245, quando Henrique III iniciou uma grande reconstrução em estilo gótico. Desde a primeira coroação documentada no local, em 1066, a igreja atravessou séculos de história britânica e tornou-se também local de sepultamento e homenagem a reis, cientistas, escritores e outras figuras históricas.
Henrique III iniciou a grande reconstrução em 1245
A história religiosa do local é anterior ao século XIII, mas foi durante o reinado de Henrique III que a igreja começou a assumir a aparência monumental conhecida atualmente. Segundo a história oficial da Abadia de Westminster, o rei iniciou em 1245 a construção da igreja atual.
Henrique III queria reconstruir o templo em um novo estilo gótico, influenciado pelas grandes igrejas que estavam sendo erguidas na França. O projeto também estava ligado à devoção do monarca a Eduardo, o Confessor, cujo santuário ocuparia uma posição central no novo edifício.

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A Abadia está ligada às coroações desde 1066
O primeiro monarca cuja coroação em Westminster está documentada foi Guilherme, o Conquistador, em 25 de dezembro de 1066. Antes daquele momento, a Inglaterra não possuía um único local fixo para a cerimônia, e diferentes reis haviam sido coroados em outras cidades.
Desde então, Westminster consolidou-se como a igreja das coroações inglesas e, posteriormente, britânicas. A Abadia registra que 40 monarcas foram coroados no local desde 1066, incluindo Carlos III, cuja cerimônia ocorreu em maio de 2023.
O próprio projeto gótico foi pensado para as cerimônias reais
A reconstrução iniciada por Henrique III não tinha apenas finalidade estética. O papel de Westminster como igreja de coroação influenciou o projeto, incluindo a criação de um grande espaço cerimonial entre o coro e o altar-mor, destinado a acomodar momentos importantes das solenidades reais.
Outro elemento inseparável dessa tradição é a Cadeira da Coroação, construída por ordem de Eduardo I no início do século XIV. Ela passou a ocupar papel central nas cerimônias e está ligada às coroações realizadas na Abadia há mais de 700 anos, tornando-se um dos objetos históricos mais conhecidos preservados no edifício.
Reis e rainhas transformaram o local em uma necrópole real
Westminster também se tornou local de sepultamento de integrantes da monarquia. De acordo com a história dos sepultamentos reais, há 30 reis e rainhas enterrados na Abadia, incluindo Eduardo, o Confessor, Henrique III, Eduardo I, Ricardo II e Henrique V.
Durante séculos, ser sepultado próximo ao santuário de Eduardo, o Confessor tinha enorme significado político e religioso. Quando aquela área ficou ocupada, novos túmulos reais passaram a se concentrar na Lady Chapel de Henrique VII, onde estão, entre outros nomes, Henrique VII, Elizabeth I e Maria I.
Newton, Darwin e grandes escritores também estão ligados à Abadia
A importância de Westminster ultrapassou a monarquia. Mais de 3.300 pessoas estão sepultadas no local, enquanto muitas outras possuem memoriais. Entre os cientistas enterrados ali estão Isaac Newton e Charles Darwin, cujo túmulo fica na nave, não muito distante do de Newton.
A literatura ganhou seu próprio espaço simbólico no chamado Poets’ Corner. Geoffrey Chaucer foi enterrado no transepto sul em 1400, iniciando uma tradição que posteriormente reuniu sepultamentos e homenagens a escritores como Charles Dickens. A própria Abadia registra centenas de túmulos, monumentos e memoriais dedicados a figuras da ciência, política, música e literatura.

Westminster continua sendo uma igreja viva no centro de Londres
Apesar de sua aparência monumental e da ligação com a monarquia, Westminster Abbey não é uma catedral. Seu nome oficial é Collegiate Church of St Peter, Westminster, e ela possui o status de Royal Peculiar, ficando diretamente sob a autoridade do soberano, em vez de pertencer à jurisdição de um bispo ou arcebispo.
Hoje, o edifício continua funcionando como local de culto e palco de grandes acontecimentos nacionais, ao mesmo tempo em que preserva mais de mil anos de história. A reconstrução iniciada em 1245 por Henrique III deixou como legado uma igreja onde arquitetura gótica, coroações, túmulos reais e memoriais de cientistas e escritores contam diferentes capítulos da história britânica no mesmo espaço.




