Após o fim do relacionamento, Mariana e Rafael deixaram o cachorro Bento sozinho no apartamento onde moravam, sem combinar quem ficaria responsável pelos cuidados diários. Na história, o animal permaneceu vários dias sem acompanhamento adequado, até que o porteiro percebeu uma situação incomum e decidiu procurar os familiares do antigo casal.
A separação deixou o cachorro sozinho na antiga residência
Mariana e Rafael haviam decidido encerrar o relacionamento depois de anos vivendo juntos. Durante a mudança, cada um retirou seus pertences e passou a morar em outro endereço, mas nenhum dos dois assumiu claramente a responsabilidade por Bento, o cachorro que criavam desde filhote. O animal continuou no apartamento, onde estavam seus brinquedos, a caminha e alguns recipientes de alimentação.
Mariana acreditava que Rafael passaria pelo imóvel para cuidar do cachorro, enquanto ele imaginava que a ex-companheira havia organizado uma solução temporária. A falta de comunicação fez com que Bento permanecesse sozinho por vários dias, sem passeios ou acompanhamento regular. O problema só começou a ser percebido quando os sinais de alteração no comportamento do animal chamaram a atenção de quem trabalhava no condomínio.

Porteiro percebeu comportamento diferente e procurou os familiares
Cláudio, porteiro do edifício, conhecia Bento porque costumava encontrar o cachorro durante os passeios realizados pelos antigos moradores. Depois da separação, percebeu que ninguém mais aparecia com o animal e começou a ouvir latidos frequentes vindos do apartamento. Como também não observava a entrada dos responsáveis, decidiu verificar se algum familiar tinha informações sobre a situação.
O funcionário entrou em contato com Teresa, tia de Mariana, cujo telefone constava entre os contatos autorizados pelos moradores. Preocupada, ela procurou os dois antigos companheiros e descobriu que nenhum havia organizado os cuidados necessários. Com a autorização para acessar o imóvel, a família encontrou Bento agitado e precisando de atenção, providenciou água e alimentação e organizou uma avaliação veterinária para verificar suas condições de saúde.
O que fazer ao encontrar um cachorro aparentemente abandonado?
Situações semelhantes exigem atenção, principalmente quando um animal permanece sozinho por períodos prolongados. Latidos persistentes, ausência de movimentação dos responsáveis e sinais de sofrimento podem justificar uma verificação. Entretanto, esses indícios não comprovam automaticamente abandono, sendo necessário avaliar as circunstâncias antes de atribuir responsabilidades.
Quando existe suspeita de negligência, moradores e funcionários de condomínios podem tomar algumas providências sem colocar a própria segurança em risco. O objetivo deve ser proteger o animal, preservar informações relevantes e acionar pessoas ou autoridades capazes de verificar a situação.
- Contatar os responsáveis: tentar localizar os tutores pelos canais disponíveis na administração do condomínio.
- Avisar familiares: procurar contatos autorizados que possam verificar as condições do animal.
- Registrar os indícios: anotar datas, horários e sinais observados, sem invadir o imóvel.
- Comunicar as autoridades: procurar a polícia ou o órgão municipal de proteção animal diante de suspeitas de maus-tratos.
- Buscar atendimento veterinário: quando o animal for resgatado e apresentar sinais de desidratação, fraqueza ou sofrimento.
Deixar um cachorro sozinho por vários dias pode configurar crime?
A legislação brasileira prevê punições para atos de abuso e maus-tratos contra animais. O artigo 32 da Lei nº 9.605/1998 estabelece consequências criminais para condutas que provoquem sofrimento ou coloquem em risco a integridade de animais domésticos. Deixar um cachorro sem alimentação, água ou cuidados necessários pode caracterizar maus-tratos, dependendo das circunstâncias e das provas disponíveis.
Para cães e gatos, o artigo 32, § 1º-A, incluído pela Lei nº 14.064/2020, prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. A aplicação dessas penalidades depende da apuração dos fatos e da responsabilização prevista na legislação. O simples término de um relacionamento não constitui crime, mas não justifica deixar um animal sem assistência.

A responsabilidade pelo cachorro continua depois da separação
O rompimento de uma união pode trazer dúvidas sobre quem permanecerá com os animais de estimação. Quando o cachorro era cuidado pelos dois parceiros, é necessário definir quem assumirá a alimentação, os passeios, os gastos veterinários e a moradia. A ausência de acordo não autoriza que o animal seja deixado em condições capazes de comprometer sua saúde ou segurança.
A proteção dos animais também encontra fundamento no artigo 225, § 1º, inciso VII, da Constituição Federal, que determina a proteção da fauna e veda práticas que submetam animais à crueldade. Em conflitos envolvendo antigos companheiros, a definição de responsabilidades deve considerar as condições concretas e o bem-estar do animal, independentemente das desavenças pessoais.
O que aconteceu com Bento depois da intervenção da família?
Após encontrar o cachorro, Teresa conversou com Mariana e Rafael para estabelecer uma solução que não dependesse de decisões improvisadas. Os dois reconheceram que haviam deixado a situação sem encaminhamento e concordaram que Bento precisava de cuidados contínuos. Enquanto definiam onde o animal ficaria, a família assumiu temporariamente sua alimentação, seus passeios e o acompanhamento de saúde.
Na sequência da história, Mariana decidiu ficar com Bento, organizando a mudança do cachorro para sua nova residência. Rafael concordou em colaborar com algumas despesas, conforme o entendimento entre os dois. O episódio mostrou como uma falha de comunicação durante a separação pode provocar consequências para um animal que depende inteiramente dos cuidados humanos.
História fictícia serve de alerta sobre abandono e maus-tratos
Esta é uma história fictícia. Mariana, Rafael, Cláudio, Teresa e Bento são personagens criados exclusivamente para ilustrar uma situação hipotética. Os acontecimentos narrados não correspondem a um caso real identificado, e o contexto serve apenas para explicar possíveis riscos, responsabilidades e consequências legais relacionados ao abandono de animais após a separação de um casal.
Na vida real, quem suspeitar que um cachorro está abandonado deve buscar ajuda pelos canais adequados. O serviço oficial de denúncias ambientais do Governo Federal permite comunicar possíveis infrações, incluindo maus-tratos contra animais. A principal orientação é agir diante dos sinais de sofrimento, sem esperar que a situação se agrave, e garantir que o animal receba os cuidados necessários.




