Esportes eletrônicos, ou e-sports, tornaram-se uma modalidade competitiva em crescimento global, exigindo que jogadores mantenham níveis elevados de concentração e desempenho mental; a rotina de intensas atividades cognitivas pode culminar em fadiga mental, com diminuição da atenção e da clareza de raciocínio, o que tem gerado interesse em descobrir métodos simples para mitigar esses efeitos.
Como foi o desenho da pesquisa e quais seus objetivos principais?
Um estudo da Universidade de Tsukuba, no Japão, investigou se a ingestão de água gaseificada poderia atenuar sinais de fadiga mental durante partidas extensas, usando uma bebida aparentemente inócua para explorar possíveis benefícios cognitivos. Publicado no periódico Computers in Human Behavior Reports, o trabalho adotou um delineamento experimental cruzado para comparação direta entre condições.
O estudo envolveu 15 adultos jovens habituados a jogar videogames regularmente, divididos aleatoriamente em duas condições de hidratação. Eles passaram por sessões de jogo de três horas em dois momentos distintos: em um, consumiram água gaseificada; em outro, beberam água sem gás, permitindo avaliar diferenças no estado mental e no desempenho.
Quais indicadores foram avaliados no desempenho e na fadiga?
Durante as sessões, os pesquisadores acompanharam indicadores de saúde mental e física para entender melhor o impacto da hidratação com ou sem gás no esforço cognitivo. Esses parâmetros ajudaram a relacionar a sensação subjetiva dos jogadores com medidas objetivas de carga mental e resposta fisiológica.
Entre as principais variáveis monitoradas ao longo do experimento, destacaram-se:
🧠📊 Indicadores Usados para Medir Fadiga Mental
| Indicador Avaliado |
|---|
| Sensação subjetiva de cansaço |
| Desempenho em testes de função executiva, essencial para o controle mental |
| Diâmetro da pupila, como indicador de esforço cognitivo |
| Frequência cardíaca e níveis hormonais |
💡 Dica: Esses indicadores ajudam pesquisadores e profissionais de saúde a identificar e acompanhar níveis de fadiga mental.
Quais foram os principais resultados observados no estudo?
O consumo de água com gás foi associado à diminuição de algumas manifestações de fadiga mental em comparação com a água sem gás, incluindo menor relato de cansaço e maior prazer ao longo das sessões. Os jogadores também apresentaram melhor desempenho em testes de controle executivo e atenção, funções consideradas cruciais para o rendimento em e-sports.
Houve ainda diferença relevante no diâmetro pupilar: ao beber água gaseificada, a tendência de constrição da pupila, frequentemente ligada à sobrecarga cognitiva, foi reduzida. Esse achado sugere um possível efeito moderador da carbonatação sobre o esforço mental prolongado, embora os autores ressaltem que os resultados ainda são preliminares.

Quais são os possíveis mecanismos dos efeitos da água com gás?
A carbonatação presente na água com gás pode gerar estímulos sensoriais na cavidade oral e na faringe, ativando receptores ligados ao sistema nervoso periférico e central. Essa estimulação adicional poderia influenciar áreas cerebrais relacionadas à atenção e ao controle mental, oferecendo suporte leve durante atividades cognitivas extensas.
Os autores ressaltam que a água com gás não contém cafeína ou açúcares, ao contrário de muitas bebidas energéticas usadas por gamers, o que a torna uma alternativa potencialmente mais saudável para quem busca manter o desempenho cognitivo. Ainda assim, alertam que o efeito observado pode variar conforme hábitos alimentares, sono e condicionamento do jogador.
Quais são as perspectivas futuras para pesquisas em e-sports?
O estudo abre portas para novas investigações sobre como elementos simples, como a água gaseificada, podem auxiliar na manutenção da performance mental em tarefas prolongadas, tanto em jogadores profissionais quanto amadores. No entanto, trata-se de uma amostra pequena, o que exige estudos adicionais para confirmar e refinar os achados.
Investigações futuras podem incluir amostras maiores, diferentes faixas etárias e tipos de jogos, além de comparar água com gás a outras estratégias não farmacológicas, como pausas programadas, ajustes de iluminação e técnicas de respiração. Dessa forma, será possível ampliar o cuidado com a saúde mental de jogadores e desenvolver diretrizes práticas de hidratação e recuperação cognitiva.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










