Com apenas 34 km², a península que avança sobre o Atlântico abriga 39 praias e faz de Bombinhas o menor município de Santa Catarina. Reconhecida como a Capital do Mergulho Ecológico, a cidade combina águas cristalinas, costões rochosos ricos em vida marinha e proximidade com a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, a única reserva marinha do sul do país.
Como Bombinhas trocou a pesca pelo ecoturismo?
Antes da expansão do turismo, a pesca de camarão e tainha sustentava boa parte da antiga comunidade caiçara. As enseadas protegidas dos ventos e o fundo formado por areia monazítica branca proporcionam alta visibilidade às águas durante boa parte do ano, condições que despertaram o interesse de mergulhadores. A partir da década de 1990, o município passou a investir na preservação ambiental para acompanhar o avanço da atividade turística.
Uma das iniciativas adotadas foi a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada dos veículos que entram na península durante a temporada. Os recursos arrecadados são aplicados na limpeza das praias, na fiscalização e na conservação de três áreas protegidas municipais: Parque Natural da Galheta, Parque Natural da Costeira de Zimbros e Parque Natural do Morro do Macaco.

Quais praias de Bombinhas são ideais para mergulhar e descansar?
A península combina praias de mar calmo com trechos de ondas mais fortes, procurados por surfistas e por quem prefere passeios diferentes. Conforme a direção do vento, é possível encontrar algum ponto com águas tranquilas.
- Praia da Sepultura: tem aproximadamente 95 m de faixa de areia, águas transparentes e quase sem ondas, ideais para snorkeling. Nos costões, podem ser avistados tartarugas e cavalos-marinhos.
- Praia de Bombinhas (Centro): é a mais movimentada do município, com bares, restaurantes, escolas de mergulho e estrutura para receber visitantes.
- Praia de Quatro Ilhas: oferece vista para quatro ilhas no horizonte, ondas moderadas e uma das paisagens mais bonitas da Costa Esmeralda.
- Praia de Mariscal: com faixa de areia extensa e áreas de restinga preservada ao redor, atrai surfistas e pessoas que gostam de caminhadas à beira-mar.
- Praia da Lagoinha: conta com piscinas naturais entre as rochas, que tornam o local uma alternativa para famílias com crianças.
- Praia da Tainha: acessível por uma trilha de dificuldade moderada, tem areia branca e águas claras em meio à vegetação da Mata Atlântica.
Como é a experiência de mergulhar na área protegida do Arvoredo?
Administrada pelo ICMBio desde sua criação, em 1990, a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo abrange 17.600 hectares e protege as ilhas do Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro. O encontro de correntes marítimas favorece uma biodiversidade expressiva. Durante os mergulhos, é possível observar tartarugas, raias, garoupas e jardins de algas em águas que podem apresentar boa visibilidade.
As escolas de mergulho locais também atendem quem está começando, com batismos assistidos em cilindro e passeios guiados de snorkeling na Praia da Sepultura e na Praia da Miséria. Mergulhadores credenciados podem seguir de barco até a Ilha do Arvoredo, apontada como o principal ponto de mergulho autônomo do sul do Brasil.
Qual caminho leva ao mirante com vista de 360 graus?
A Trilha do Morro do Macaco está entre os percursos mais procurados por quem deseja conhecer a paisagem de Bombinhas. São aproximadamente 2,4 km de caminhada, considerando ida e volta, em um trajeto de dificuldade moderada e com algumas subidas íngremes. No ponto mais alto, a 191 m de altitude, o visitante encontra uma vista panorâmica de 360 graus das praias de Canto Grande, Mariscal e Zimbros, além das ilhas da Reserva do Arvoredo. Em dias de céu aberto, também é possível avistar Florianópolis no horizonte.
A caminhada começa na Praia do Canto Grande (Mar de Dentro) e não exige pagamento de entrada. O pôr do sol visto do alto está entre os cenários mais fotografados do litoral catarinense. Na temporada, um programa de voluntariado da Prefeitura, realizado em parceria com o ICMBio, disponibiliza guias ambientais ao longo do percurso.
Quais pratos preservam a tradição pesqueira de Bombinhas?
A atividade pesqueira continua presente na rotina da baía de Zimbros e de Canto Grande. A região também abriga fazendas marinhas dedicadas ao cultivo de mexilhões e ostras, produtos que chegam frescos aos restaurantes da orla e têm presença marcante na culinária local.
- Ostras gratinadas: especialidade de Zimbros, são preparadas com queijo e ervas e aparecem nos cardápios dos restaurantes.
- Tainha assada: ganha espaço entre maio e julho, quando a temporada de pesca movimenta a comunidade e os estabelecimentos locais.
- Sequência de camarão: reúne diferentes preparos, como versões empanadas e ao bafo, acompanhadas de legumes.
- Marisco ao vinagrete: produzido nas fazendas marinhas da baía, é servido como petisco em barracas próximas à praia.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O verão é a alta temporada, com praias cheias e trânsito intenso na única via de acesso. A baixa temporada (março a novembro) oferece trilhas mais tranquilas e preços melhores.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bombinhas?
A península de Bombinhas fica a 75 km ao norte de Florianópolis e a 35 km ao sul de Balneário Camboriú. Quem viaja de carro deve seguir pela BR-101 até o acesso a Porto Belo e, depois, continuar pela SC-412. Para quem chega de avião, os aeroportos mais próximos são os de Navegantes, a 50 km, e Florianópolis, a 90 km. Durante a temporada, os veículos que entram no município estão sujeitos à cobrança da TPA, que pode ser paga antecipadamente pelo site da prefeitura.
Uma pequena península que guarda um vasto mundo submerso
Em apenas 34 km², Bombinhas reúne 39 praias, uma reserva marinha federal nas proximidades e trilhas com mirantes de 360 graus. A variedade de paisagens mostra como um destino litorâneo de pequena extensão pode oferecer experiências tão diferentes. A proximidade entre os atrativos facilita os deslocamentos, mas parte das maiores riquezas da região está escondida sob a superfície do mar.
Explorar as águas da Sepultura com máscara de snorkel, subir ao Morro do Macaco para acompanhar o pôr do sol e provar as ostras de Zimbros são algumas das experiências que ajudam a explicar como a península conquistou o título de capital do mergulho no sul do Brasil.




