Em abril de 2016, Akira Toriyama, criador de Dragon Ball, disse que não pretendia colocar Goku e Vegeta acima de Beerus e Whis. A fala saiu numa conversa com o desenhista Toyotarō, feita para o lançamento do volume 1 do mangá Dragon Ball Super, que chegou às livrarias japonesas em 4 de abril de 2016.
Na prática, os dois saiyajins não ocupam o topo da obra: o deus da destruição Beerus e Whis, que vive ao lado dele, estão acima. A declaração tem dez anos e meio e voltou a circular em sites europeus, como o alemão MeinMMO, que relembrou a entrevista em agosto de 2024, e agora ganha fôlego com uma série nova centrada em Beerus.
Parte da conversa, chamada de Tori-Toyo Free Talk, foi impressa no próprio volume. O trecho sobre Beerus e Whis não coube no livro e foi publicado na versão web, no site oficial da revista V Jump, da editora Shueisha, com repercussão em inglês a partir de 6 de abril de 2016.

O que Toriyama respondeu sobre Beerus e Whis
A pergunta descrevia Beerus e Whis como um “muro intransponível” para Goku e seus amigos e queria saber o que os dois representavam para o autor. A imagem do muro é do entrevistador, não de Toriyama.
A resposta, na tradução para o inglês feita pelo site de fãs Kanzenshuu e passada aqui para o português, foi esta: “Bem… Para começar, neste momento eu não tenho planos de fazer Goku e Vegeta superarem Beerus e Whis.”
Logo depois, ele contou que continuar a história depois de A Batalha dos Deuses sem esses dois personagens teria sido um pesadelo. É raro um autor admitir, assim, que precisou de alguém acima dos heróis para não esgotar a própria saga.
O texto original em japonês não está mais disponível, porque a página da V Jump de 2016 saiu do ar. A transcrição completa acessível é a da Kanzenshuu, e a atribuição da fala a Toriyama vem do contexto da conversa e da imprensa que a repercutiu.
Um aviso, não uma regra eterna
Muita postagem trata a frase como sentença definitiva. Não foi. Toriyama falou de planos, no tempo presente, e usou um “neste momento” que deixa a porta aberta.
A fala também não é um ranking. Ela cita só Beerus e Whis, e qualquer lista de “mais fortes” com outros nomes da franquia é leitura dos fãs sobre o anime e o mangá, não palavra do criador.
Outro erro comum é a data. Muitos textos situam a declaração em 2015 porque foi o ano em que Dragon Ball Super começou: o mangá estreou na edição de agosto da V Jump, que saiu em 20 de junho de 2015, segundo a lista de capítulos da série na Wikipédia, e o anime começou em julho do mesmo ano.
A hierarquia que a obra mostra
Beerus apareceu antes da série, no filme A Batalha dos Deuses, de 2013, com roteiro do próprio Toriyama. Ali ele surge como o deus da destruição do universo de Goku, um ser que nenhum guerreiro conhecido conseguia encarar de igual para igual.
Whis entra como o acompanhante que serve Beerus e, ao mesmo tempo, é retratado como ainda mais poderoso que ele. Pela ordem que a própria história apresenta naquela fase, o desenho fica assim:
- Whis, no alto;
- Beerus, logo abaixo;
- Goku e Vegeta, que passam a treinar com Whis, mas seguem atrás dos dois.
Essa escada vale para o recorte da fala de 2016. O que veio depois nas lutas e transformações é assunto de debate entre fãs, e a entrevista não diz nada sobre isso.
Dragon Ball Super: Beerus e a chegada ao Brasil
O motivo de a frase voltar agora é concreto. A série Dragon Ball Super: Beerus, versão aprimorada do anime com o deus da destruição no centro, estreou no Japão em 11 de outubro de 2026, às 23h15, na Fuji TV, segundo o site oficial de Dragon Ball Super.
No Brasil, o primeiro episódio entrou no catálogo da Crunchyroll com áudio japonês e legendas em português, segundo o site Game Over Drive, que até 13 de outubro não havia localizado anúncio oficial de dublagem.
Toriyama não acompanha essa nova fase. Ele morreu em 1º de março de 2024, aos 68 anos, vítima de um coágulo no cérebro, de acordo com o comunicado do Bird Studio divulgado em 8 de março daquele ano.
Para quem cresceu torcendo pelo príncipe dos saiyajins, o CB Radar já mostrou o que o apego a Vegeta na infância costuma dizer sobre adultos. E, em outra franquia japonesa em que a autoria virou conversa entre leitores, explicou quem de fato escreve Boruto e como isso pesa no legado de Naruto.




