Quando o alarme de uma residência disparou em um condomínio de Londrina, no Paraná, a equipe de segurança correu até o local imaginando o pior: um assalto em andamento. Mas, ao entrarem, a cena era bem diferente do esperado. Não havia ladrões — havia um bando de quatis circulando pela casa, que estava completamente revirada.
Os animais derrubaram objetos, espalharam embalagens pelo chão e até abriram compartimentos à procura de comida. O estrago foi grande, e a moradora teve um belo trabalho para limpar e arrumar tudo.
O que os seguranças encontraram?
As imagens registradas no local mostram o interior da casa de cabeça para baixo: móveis fora do lugar, materiais espalhados pelos cômodos e pacotes revirados. Durante a gravação, ainda dava para ver os quatis passeando pela residência, como se estivessem em casa.
A “invasão” não foi um ataque, e sim uma busca por alimento. E episódios assim são mais comuns do que se imagina em cidades cercadas por áreas verdes — afinal, o Brasil é riquíssimo em fauna, a ponto de haver cidades que abrigam onças-pintadas, jaguatiricas e mais de uma dezena de mamíferos da Mata Atlântica.
Por que os quatis invadem casas?
O quati é um mamífero onívoro — come praticamente de tudo — e um exímio escalador. Muito adaptável, ele se aproxima de áreas urbanas vizinhas a fragmentos de mata, atraído principalmente por comida e lixo. Ao encontrar despensas abertas e lixeiras, revira tudo em busca de alimento, e nem sempre sabe distinguir o que pode ou não comer.
Quem vive perto de áreas verdes acaba tendo esse tipo de encontro com mais frequência — um dos lados de morar em contato com a natureza, que estudos associam a mais bem-estar e menos estresse.
Eles são perigosos?
Aqui está o ponto que muita gente desconhece. Por parecerem “bonitinhos e mansos”, os quatis costumam despertar a vontade de chegar perto, fazer carinho ou oferecer comida. Mas isso é um erro. Segundo especialistas, ao se sentirem ameaçados, eles podem reagir:
“Vale lembrar que os quatis, ao se sentirem ameaçados, podem ser agressivos e causar ferimentos, além de transmitir doenças graves.” — Rogério de Oliveira, biólogo e professor
Os filhotes, em especial, têm o instinto de morder e arranhar. Por isso, mesmo diante de um animal de aparência dócil, a recomendação é não tocar, não alimentar e não tentar capturar.
O que fazer se um animal silvestre entrar na sua casa?
Se você passar por uma situação parecida, a calma é a melhor aliada. Veja o que fazer — e o que evitar:
| Faça | Evite |
|---|---|
| Manter distância e a calma | Tentar pegar ou encurralar o animal |
| Abrir uma porta ou janela para ele sair sozinho | Oferecer comida ou tentar “domesticar” |
| Acionar a Polícia Ambiental, os Bombeiros ou a Guarda Municipal | Tocar nos animais, sobretudo nos filhotes |
| Isolar crianças e pets em outro cômodo | Deixar lixo e alimentos ao alcance |
Vale lembrar que os quatis são animais silvestres protegidos pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998). Capturar, manter em casa ou maltratar esses animais é crime. O caminho correto é sempre acionar os órgãos responsáveis, que fazem o resgate e a soltura na natureza com segurança.
Por fim, a melhor estratégia é a prevenção: mantenha as lixeiras bem fechadas, não deixe restos de comida acessíveis e nunca alimente esses animais. Por mais simpáticos que pareçam, alimentá-los faz com que percam o medo natural e voltem sempre — transformando uma visita inusitada em uma dor de cabeça recorrente.









